A crise do capital e o novo tipo de golpe

Para romper o círculo de fogo que o imperialismo nos impõe, é necessária a unidade das forças democráticas, como a heroica ANL indicou na luta contra o fascismo em 1935.

Fortaleza contra o golpismo e pela democracia

A denúncia dos fascistas é um fato importante que constrange os golpistas momentaneamente.

O legado de Hugo Chavez para Venezuela, América Latina e o Mundo

Amor, trabalho e estudo; e luta e compromisso, poderiam sintetizar o legado do comandante-presidente Hugo Chávez.

A literatura de cordel de Antônio Queiroz de França a serviço da revolução

O poeta cordelista cearense Antônio Queiroz de França é um trabalhador das palavras a serviço da Revolução.

China: O mito do “Socialismo de Mercado”

“A análise concreta da situação concreta é a alma viva, a essência do marxismo” Lênin.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O permanente ensinamento de Fidel é que tudo pode ser feito

Discurso do primeiro secretário do Comitê Central do Partido e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, no ato político em homenagem póstuma ao Comandante-em-chefe da Revolução Cubana, Fidel Casto Ruz, na Praça major-general Antonio Maceo Grajales, Santiago de Cuba, em 3 de dezembro de 2016, "Ano 58º da Revolução".


(Tradução da versão estenográfica do Conselho de Estado)

Estimados chefes de Estado e de Governo;
Personalidades proeminentes que nos acompanham;
Compatriotas que estão aqui hoje representando as províncias orientais e Camaguey;
Moradores de Santiago de Cuba;
Querido povo de Cuba:

Na tarde de hoje, após a chegada a esta cidade heróica do cortejo fúnebre com as cinzas de Fidel, que fez no sentido oposto à Caravana da Liberdade, que teve lugar em janeiro de 1959, o cortejo percorreu locais importantes de Santiago de Cuba, berço da Revolução, onde, tal como no resto do país, recebeu o testemunho de amor dos cubanos.

Amanhã, 4 de dezembro, suas cinzas serão depositadas, em uma cerimônia simples, no cemitério de Santa Ifigenia, perto do mausoléu do Herói Nacional José Martí; de seus companheiros de luta do Moncada, o iate Granma e do Exército Rebelde; da luta clandestina e das missões internacionalistas.

A poucos passos de distância estão os túmulos de Carlos Manuel de Cespedes, o Pai da Nação, e da lendária Mariana Grajales mãe dos Maceo, e atrevo-me a improvisar neste ato, que também ela é mãe de todos os cubanos e cubanas. Perto também neste cemitério estão os restos de Frank País Garcia, jovem de Santiago, assassinado pelos capangas da ditadura de Batista, com apenas 22 anos, um mês depois que caísse em um combate nesta cidade seu irmão Josué. A idade de Frank não lhe impediu de acumular uma trajetória exemplar de luta contra a ditadura, na qual se destacou como chefe do levante armado de Santiago de Cuba, em 30 de novembro de 1956, em apoio ao desembarque da expedição do Granma, bem como a organização de decisivo embarque de armas e combatentes para o nascente Exército Rebelde na Serra Maestra.

Desde que se tornou conhecida, bem tarde na noite de 25 de novembro, a notícia da morte do líder histórico da Revolução Cubana, a dor e tristeza tomaram conta das pessoas que, profundamente comovidas por causa de sua perda física irreparável, mostraram firmeza, convicção patriótica, disciplina e maturidade para participar em massa das atividades de homenagem organizadas e se apropriarem do juramento de fidelidade ao conceito de Revolução, exposto por Fidel, em 1º de maio de 2000. Entre os dias 28 e 29 de novembro milhões de compatriotas botaram sua assinatura em apoio à Revolução.

Em meio à dor destes dias nos sentimos confortados e orgulhosos, mais uma vez, pela reação surpreendente das crianças e dos jovens cubanos, os quais reafirmaram sua vontade de ser fiéis seguidores dos ideais do líder da Revolução.

Em nome do nosso povo, o Partido, o Estado, o Governo e os familiares reitero a profunda gratidão pelas inúmeras manifestações de carinho e respeito por Fidel, por suas ideias e seu trabalho, que continuam chegando de todos os recantos do planeta.

Fiel à ética de José Marti que «toda a glória do mundo cabe em um grão de milho», o líder da Revolução rejeitou qualquer manifestação de culto da personalidade e foi consequente com essa atitude até as últimas horas de vida, insistindo em que, após ter falecido, seu nome e figura nunca fossem usados ​​para nomear instituições, praças, parques, avenidas, ruas e outros locais públicos, nem que sejam erguidos, em sua memória, bustos, estátuas e outras formas similares de tributo.

Em correspondência com a determinação do companheiro Fidel, vamos apresentar na próxima sessão da Assembleia Nacional do Poder Popular, as propostas legislativas necessárias para sua vontade prevalecer.

Com razão, o querido amigo Abdelaziz Bouteflika, presidente da Argélia disse que Fidel tinha a extraordinária capacidade de viajar para o futuro, retornar e explicar. Em 26 de julho de 1989, na cidade de Camaguey, o comandante-em-chefe previu, com dois anos e meio de antecedência, o desaparecimento da União Soviética e do bloco socialista, e garantiu ao mundo que, caso ocorrerem essas circunstâncias, Cuba continuaria defendendo as bandeiras do socialismo.

A autoridade de Fidel e sua estreita relação estreita com o povo foram decisivas para a heróica resistência do país, nos anos dramáticos do ‘período especial’, quando o Produto Interno Bruto caiu 34,8% e se deteriorou substancialmente a alimentação dos cubanos, sofremos apagões e 16 e até 20 horas por dia e boa parte da indústria e o transporte público ficou paralisado. No entanto, foi possível preservar a saúde pública e a educação para toda nossa população.

Vêm a minha mente as reuniões do Partido nos territórios: do Leste, na cidade de Holguín; no Central, na cidade de Santa Clara, e no Oeste, na capital da República, em Havana, realizadas em julho de 1994, para discutir como lidar com maior eficiência e coesão os desafios do ‘período especial’, o crescente bloqueio imperialista e as campanhas da mídia destinadas a espalhar o desânimo entre os cidadãos. Desses encontros, incluindo o feito em Ocidente, que presidiu Fidel, nós todos saímos convencidos de que com a força e a inteligência das massas coesas, sob a liderança do próprio Partido, nós podíamos lutar e o ‘período especial’ se poderia converter em uma nova batalha vitoriosa a história do país.

Na época, muito poucos no mundo apostaram em nossa capacidade de resistir e superar a adversidade e reforçado cerco inimigo; no entanto, nosso povo, sob a liderança de Fidel, deu uma lição inesquecível de firmeza e lealdade aos princípios da Revolução.

Ao lembrarmos aqueles momentos difíceis, eu acho justo e relevante relembrar aquilo que eu expressei sobre Fidel, em 26 de julho de 1994, um dos anos mais difíceis, na Ilha da Juventude, há 22 anos atrás, e cito: «.. o filho mais ilustre de Cuba neste século, aquele que nos mostrou que se podia tentar a conquista do quartel Moncada; sim, que se poderia transformar esse revés em vitória, a qual atingimos cinco anos, cinco meses e cinco dias depois, naquele glorioso dia 1º de janeiro de 1959», isso último adicionado às palavras exatas que eu proferi naquela ocasião (Aplausos).

Ele nos demonstrou «que se podia chegar às costas de Cuba no iate Granma; que se podia resistir ao inimigo, a fome, a chuva e o frio e organizar um exército revolucionário na Serra Maestra, depois do fracasso de Alegria de Pio; que se podiam abrir novos fronts guerrilheiros na província de Oriente, com as colunas lideradas por Almeida e a nossa; sim, que se podia derrotar, com 300 fuzis, a grande ofensiva de mais de 10 mil soldados», que após serem derrotados Che Guevara escreveu em seu diário que com esta vitória o exército da tirania acabou tendo a coluna vértebra quebrada; «Sim, que se podia repetir a ação épica de Antonio Maceo e Máximo Gómez, estendendo com as colunas de Che Guevara e Camilo Cienfuegos a luta a partir do leste para o oeste da Ilha; sim, que se podia derrubar, com o apoio do povo todo, a ditadura de Batista, apoiada pelo imperialismo norte-americano».

«Aquele que nos ensinou que se podia derrotar em 72 horas» e ainda em menos tempo, «a invasão mercenária pela Baía dos Porcos e, ao mesmo tempo, continuar a campanha para erradicar o analfabetismo em um ano», tal como foi alcançado em 1961.

Que se podia, sim, proclamar o caráter socialista da Revolução a 90 milhas do império, e quando os navios de guerra norte-americanos avançavam em direção a Cuba, após as tropas da brigada mercenária; que se podiam manter firmemente os princípios irrenunciáveis da nossa soberania, sem medo da chantagem nuclear dos EUA, nos dias da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962.

«Que se podia, sim, enviar ajuda solidária a outros povos irmãos que lutavam contra a opressão colonial, a agressão externa e racismo».

«Que podiam ser derrotados os racistas sul-africanos, salvando a integridade territorial de Angola, forçando a independência da Namíbia e desferindo um duro golpe ao regime do apartheid».

«Que Cuba podia ser transformada em uma potência médica, reduzir a mortalidade infantil para a menor taxa no Terceiro Mundo, em primeiro lugar, e depois do outro mundo rico; porque neste continente, pelo menos, temos uma taxa de mortalidade infantil de crianças com menos de um ano de idade mais baixa que o Canadá e os próprios Estados Unidos (Aplausos), e, por sua vez, aumentar significativamente a expectativa de vida da nossa população.

«E que Cuba podia ser transformada em um importante centro científico, e avançar nas modernas e principais áreas da engenharia genética e da biotecnologia; inserir-nos no grupo fechado do comércio internacional de medicamentos; desenvolver o turismo, apesar do bloqueio norte-americano; construir aterros ou estradas no mar para tornar Cuba um arquipélago cada vez mais atraente, obtendo das nossas belezas naturais receitas crescentes em divisas».

«Que se podia resistir mesmo, sobreviver e desenvolvermo-nos, sem abrir mão dos princípios e das conquistas do socialismo no mundo unipolar e de onipotência das corporações transnacionais que surgiu após o colapso do bloco socialista europeu e a desintegração da União Soviética».

«O permanente ensinamento de Fidel é que tudo pode ser feito, que o homem é capaz de ultrapassar as condições mais difíceis, se não esmorecer sua vontade de vencer, se fizer uma avaliação correta de cada situação e não desiste dos seus princípios justos e nobres." Fim de citação.

Aquelas palavras que expressei há mais de duas décadas acerca de quem, depois do desastre da primeira batalha, em Alegria de Pio, da qual amanhã se completam 60 anos, nunca perdeu a fé na vitória, e que 13 dias mais tarde, já nas montanhas da serra Maestra, em 18 de dezembro do ano mencionado, quando já se tinham reunido sete fuzis e um punhado de combatentes, disse: «Agora nós vamos vencer a guerra! (Aplausos e exclamações de: "Fidel, Fidel Esse é Fidel")

Esse é o invicto Fidel que nos conclama com seu exemplo e com a demonstração de que Sim, sim, pode ser feito e se poderá! (Aplausos e exclamações de: «Sim, nós podemos!») Então, repito que ele provou que se podia, pode ser feito e que se poderá superar qualquer obstáculo, ameaça ou turbulência em nossa determinação de construir o socialismo em Cuba, ou seja, assegurar a independência e a soberania da pátria! (Aplausos).

Diante dos restos de Fidel, na Praça da Revolução major-general Antonio Maceo Grajales, na cidade heróica de Santiago de Cuba: Vamos jurar defender a pátria e o socialismo! (Exclamações de: «Juramos») E todos juntos reafirmemos o julgamento do Titã de Bronze: «Quem tentar se apoderar de Cuba, só colherá o pó de seu solo alagado de sangue, se não perecer na luta!» (Exclamações).

«Fidel, Fidel! Até a vitória!» (Exclamações de: «Sempre!») (Exclamações de: «Raúl é Fidel» e de: «Raul, tranquilo, o povo está com você!»

A FIDEL CASTRO


Fidel, Fidel, los pueblos
te agradecen
palabras en acción y hechos que cantan,
por eso desde lejos te he traído
una copa del vino de mi patria:

… Está llena de tantas esperanzas

que, al beberla, sabrás que tu victoria
es como el viejo vino de mi patria:
no lo hace un hombre, sino muchos hombres

y no una uva, sino muchas plantas:
no es una gota, sino muchos ríos:
no un capitán, sino muchas batallas.

Y están contigo porque representas
todo el honor de nuestra lucha larga
y si cayera Cuba caeríamos,
y vendríamos para levantarla,
y si florece con todas sus flores
florecerá con nuestra propia savia.

Y si se atreven a tocar la frente
de Cuba, por tus manos libertada,
encontrarán los puños de los pueblos,
sacaremos las armas enterradas:
la sangre y el orgullo acudirán
a defender a Cuba bienamada.”



Pablo Neruda

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

¡Hasta la victoria siempre, Comandante!

Às 10:29 (Hora de Cuba), de 25 de novembro de 2016, morreu o Comandante-em-Chefe, Fidel Castro. A notícia foi confirmada por Raul Castro em pronunciamento:

Hoje, 25 de novembro, às 10:29 durante a noite morreu o Comandante-em-Chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz. Em conformidade com a vontade expressa do camarada Fidel, seus restos mortais serão cremados. Nas primeiras horas da manhã de sábado 26, a comissão organizadora do funeral fornecerá ao nosso povo informações detalhadas sobre a organização da homenagem póstuma ao fundador da Revolução Cubana. Até à vitória, sempre!



Abaixo segue o pronunciamento completo.
ÚLTIMA HORA | EN VIDEO - Así el Gobierno de Cuba anunció la muerte de Fidel Castro
Publicado por Telemundo 51 em Sexta, 25 de novembro de 2016

EUA: Quem Venceu e Quem Perdeu na Melhor Democracia que o Dinheiro Pode Comprar

 “Se eu tiver que concorrer [à Presidência dos EUA], concorreria pelo Partido Republicano. Eles são o grupo de votantes mais burro do País. Acreditam em qualquer coisa da Fox News. Eu poderia mentir, e eles engoliriam. Aposto que meus números [de votação] seriam fantásticos”, Donald J. Trump, outubro de 2015.

Pouco depois da metade das apurações dos votos, quando já se desenhava a arrasadora vitória do candidato republicano à Casa Branca, Donald J. Trump, os grandes meios de comunicação norte-americanos, panfletários da candidata Hillary Clinton, claramente perdiam o entusiasmo: podia-se ler em meios como CNN e The New York Times, Mercados globais afundaram, moedas  se hostilizam e o ouro sobe, e Mercados em turbulência por causa da forte exibição do Republicano, respectivamente.

O mesmo mercado financeiro que aumentou nos últimos meses “doações” aos meios de comunicação e à própria “campanha” de Clinton estão alarmados. Os mesmos meios que ressoavam “pesquisas eleitorais” apontando a ex-secretária de Estado do atual presidente Barack Obama como vencedora com folga durante toda a “campanha presidencial”, diziam-se surpresos por vitórias já consolidadas, e previsões de mais vitórias do candidato republicano especialmente nos chamados battleground states, ou estados de batalha campal (aqueles que são historicamente decisivos pelo tamanho do Colégio Eleitoral).

E para fechar com chave de ouro essa pobre “festa da democracia”, pastelão versão estadunidense, Hillary Clinton recusou-se a seguir a tradição, e fazer discurso pós-apuração independente do resultado; saiu pela porta dos fundos diante de uma mídia predominante que se dizia abertamente “chocada” com a vitória do republicano.

Se já não bastassem a profunda ausência de propostas concretas e a baixaria pessoal que marcou (na realidade, acentuou-se) nesta nesta “campanha”, as “pesquisas” acabaram também se mostrando rendidas ás leis do mercado na República de Bananas, que se autodenomina “berço da democracia global”. Acrescente-se também: se não bastassem as evidências históricas de que o próprio sistema eleitoral, nas últimas décadas computadorizado, é tão vendável quanto a melhor democracia que o dinheiro pode comprar em pleno Império dos aloprados.

“Trump surpreendeu o mundo!”, tem sido as manchetes. Pois quem questiona a “democracia” e o “avanço”, humano e tecnológico do moribundo Tio Sam, precárias lendas cada vez mais difíceis de serem sustentadas, evidenciadas em mais este grotesco “equivoco” das “pesquisas eleitorais”?
 
Quem Venceu e Quem Perdeu, Dentro e Fora do Império dos Aloprados
A gravidade da crise política norte-americana, que se atreve a enviar observadores a eleições ao redor do mundo, vai muito além do sexo oral de Monica Lewinsky ao esposo da presidenciável democrata derrotada neste dia 8 de novembro em plena Casa Branca (em hora de serviço), ou das afirmações de Trump que, a contragosto das mulheres (ainda que ilustres desconhecidas), as cumprimenta com um “toque” em suas partes mais íntimas.

A maioria dos próprios norte-americanos se diz avessa a ambos os candidatos, votando em um ou outro muito mais por apatia ao adversário. Quem é o menos nocivo no Império em decadência? Pois é.

Trump traz a seu favor disposição ao dialogo com a historicamente temida Rússia, ao invés de confronto como pretendia a rival e contrariando o terror psicológico provocado pela mídia de imbecilização das massas globais na tentativa de demonizar o presidente russo Vladimir Putin, através das velhas manipulações de sempre que ainda insistem em embaralhar a consciência dos mais desavisados.

Ao menos retoricamente, Trump também promete diminuir gastos militares do Império mais belicista e genocida da história, que retira dos investimentos sociais tais como moradia, saúde e educação para espalhar bases militares e despejar armas aos seus fantoches mundo afora, além de revisão da utilização norte-americana da OTAN a fim de intervir e guerrear internacionalmente. Tudo isso - ao menos retoricamente e o futuro aguarda confirmar ou desmentir o imprevisível magnata – em contraposição à “democrata” dos Estados Unidos da América, quem liderou a invasão à Líbia, apoiou aumento dos confrontos na Síria e, na década de 2000 como senadora, votou a favor da invasão ao Iraque, que, criminosa, sanguinária e apoderadora dos recursos naturais e das empresas locais, contrariou decisão da ONU e de todas as evidências de que Saddam Hussein não possuía bombas de destruição em massa, e que nada o ligava à Al-Qaeda como afirmavam os esquizofrênicos xerifes do planeta, tomadores de decisão de Washington.

Por outro lado, certamente venceram o racismo e do preconceito indiscriminado - evidenciado no combate à imigração (cuja histeria garante construção de grande muro separando os EUA do México, aos muçulmanos na promessa de proibir entrada dos religiosos ao País e ainda aumentar a vigilância e mesmo expulsar os que já habitam entre fronteiras norte-americanas) e ao próprio sexo feminino -, venceu a violência interna através do próprio racismo contra negros, latinos e ativistas por direitos humanos cujo apoio ao uso da repressão amentará a dose de Estado policialesco que impera no Império dos “mais ingênuos” (para dizer o mínimo).

Tal conteúdo de péssimo gosto, que retrata o ódio e a histeria levados à últimas consequência na América “livre e próspera”, também contraria o de Clinton – sobre esta, tampouco se sabe o quanto foi sincera dado o contexto de suas “ideias” e as próprias mudanças oportunistas em seus discursos, uma infinidade de contradições, certamente, a fim de ganhar maior eleitorado.

Trump também aposta na diminuição do Estado: promete desfazer o Obamacare (programas de saúde acessíveis às classes menos favorecidas); Estado que a adversária, contrariando seu próprio discurso histórico e os interesses de seus principais doadores milionários de campanha como Wall Street, colocava na agenda fortalecer. O que é “curioso”, para não dizer mesmo mais uma entre as calamitosas contradições desta “campanha”, é o fato que Trump promete atingir os mesquinhos e corruptos interesses das grandes corporações, por exemplo taxando grandes fortunas.

No caso do fortalecimento da indústria bélica que leva a “política” exterior (para se utilizar dos eufemismos midiáticos para crimes internacionais) coercitivo-expansionista norte-americana, há fortes motivos para desconfiar do novo ocupante da Casa Branca: tudo isso também contraria o contexto de seu discurso e de sua personalidade.

Uma coisa parece certa: longe de ser psicopata decidido, frio e calculista como a adversária, abertamente belicista, o tão fanfarrão quanto ambíguo, completamente imprevisível Trump parece ser o homem perfeito para pavimentar o caminho rumo ao declínio ainda maior da hegemonia global dos Estados Unidos - má notícia à classes dominantes locais e as elites-fantoches internacionais, comedoras de migalhas de Tio Sam.

O menos catastrófico venceu, ao menos pela imprevisibilidade de sua agenda em comparação à bem conhecida da opositora. Neste ponto, por ira venceu especialmente considerando as sociedades globais que têm sofrido histórico boicote às democracias locais como o próprio Brasil. E menos catastrófico para os próprios norte-americanos, se considerados aqueles que acreditam que o mundo não precisa da imposição da força em nome da defesa de interesses dos Estados Unidos, como dizia a própria Hillary Clinton: “Sem nós, o mundo não pode fazer nada!”.

Por isso tudo, o mais catastrófico para a tentativa de salvação da hegemonia global dos Estados Unidos pode também ter vencido neste dia 8 de novembro.  Wall Street e seus patéticos porta-vozes da grande mídia de desinformação sabem bem disso. Mas qualquer dos dois seria, em geral, grande golpe à democracia local que precisaria, desesperadamente, desfazer-se do Estado policialesco, da intolerância e do ódio.

Eis o grande momento para a afirmação do mundo multipolar, lamentavelmente sobre a acentuação da desgraça democrática e na falência moral e intelectual norte-americana, subprodutos de um sistema excludente por natureza que se julga capaz de tudo comprar e corromper.

Edu Montesanti

"Quando a tirania é lei, ocupação é ordem"

Reproduzimos nota de professores da Universidade Federal do Ceará (UFC), reunidos no Coletivo Graúna, que avalia a legitimidade das ocupações estudantis em meio ao processo de desmonte das conquistas sociais do governo golpista de Michel Temer.

Dia 3 de novembro, mais de 1.500 estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC) lotaram a Concha Acústica numa demonstração de força para enfrentar o desmonte da educação pública, proposto pelo governo ilegítimo de Michel Temer por meio da PEC 241 (agora PEC 55 no Senado), da Reforma do Ensino Médio e da Lei da Mordaça. Naquele dia, estávamos, alguns professores, como espectadores, animados com a diversidade de perspectivas apresentadas por eles.
 
A estratégia definida na Assembleia Estudantil foi entrar em greve e ocupar a UFC. Mais de 30 cursos de graduação e pós-graduação estão ocupados pelos estudantes. Dia após dia, o movimento se fortalece e expõe a necessidade de nós, docentes, assumirmos o papel de apoiadores ativos e envolvidos. São os estudantes a nos proporem um novo conhecimento. Quando os poderes se negam a ouvir aqueles que dizem representar, negam direitos e silenciam a voz, que resta fazer? Ocupar. “Nada para nós, sem nós”. Este é o limite que os estudantes vêm opondo ao autoritarismo e ao arbítrio.

Ocupar é verbo de ação, enfrentamento e, sobretudo, reconstrução do espaço. O momento pede renovação do vocabulário. Requer descartar o léxico velho e amigo da opressão, que tacha de “baderna” e “invasão” manifestações legítimas de insatisfação e desejo de participação popular.

Ao contrário de tais sentidos negativos, as ocupações redefiniram certa concepção cultural muito deletéria no Brasil, a de que o público é de ninguém ou é “do governo”. As ocupações nas escolas construíram a compreensão e o sentimento de que o público é da coletividade.

Os alunos da UFC têm dado indicações de que não é só uma universidade para todos que eles desejam, mas uma instituição internamente democrática, aberta a novos currículos e metodologias. Já ensaiam essas novidades. As discussões circulam de forma participativa e proporcionam muitos aprendizados. Os cartazes espalhados pela UFC gritam frases e palavras caras a quem pensa, mas uma frase especificamente explica o sentido da ocupação: “Quando a tirania é lei, ocupação é ordem”.

Diante da perspectiva do congelamento dos investimentos públicos em educação, saúde e outros direitos essenciais, pelos 20 anos que serão decisivos em suas vidas e sua geração, os estudantes se organizam com vigor para estar à altura de um desafio histórico. Nós, professores, somos chamados a apoiá-los e a lutar com eles. Nossa resposta dirá ao futuro quem somos.  

Irenísia Oliveira / Cláudio Rodrigues

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Todo apoio às ocupações estudantis!

Nos últimos meses, escolas e universidades estão sendo ocupadas por estudantes secundaristas e universitários  em todo o país. O número de escolas e universidades não param de crescer,   desencadeados pela acachopante aprovação da PEC 241, vulgarmente chamada “PEC dos gastos públicos”. O placar do primeiro (366 x 111) e do segundo turno (359 x 116) demonstram que os golpistas que usurparam o governo legítimo caminham a passos largos para o desmonte neoliberal. Tudo isso regrado por suntuosos jantares, passam o rolo compressor por cima dos  direitos sociais, duramente conquistados. A falta de debates com a sociedade civil e o desprezo  por quem é contrário à proposta demonstra bem o caráter anti-povo dessas medidas. Por isso, o dever de todo o povo pobre é manifestar-se energicamente  contra o golpista Michel Temer e sua camarilha no congresso, denunciando seus desmandos para o restante da sociedade: o rei está nú!

Nesse sentido, as ocupações possuem significado especial. Um dos mais sensiveis legados do governo de centro-esquerda do PT foi o acesso gradual ao ensino superior de milhares de filhos da classe operária, fato improvável alguns anos atrás. Ocupar estes espaços, portanto, constitui em legítimo pólo de resistencia.

A bem da verdade, a democratização do ensino superior está longe de ser o ideal, mas garantiu minimamente uma guinada no perfil daqueles que possuem ensino superior: dos privilegiados representantes das elites economicas e pequena-burguesia, aos filhos de trabalhadores oriundos da periferia e bairros pobres. O que evidencia o caráter perverso e revanchista da classe dominante, que pretende enterrar as conquistas sociais de qualquer maneira.

Por isso é que as elites não pensam duas vezes em unir forças contra o povo e tudo aquilo que o favoreça. A própria PEC 241, eufeministicamente chamada de PEC dos gastos públicos, na verdade é a PEC da morte, pois na prática o congelamento em 20 anos inviabilizará qualquer política de afirmação social neste prazo. A contra-informação burguesa ergueu um “cordão higienico” e isolando as ocupações, boicotando a sociedade do que realmente se passa. Os jornais, rádios e TVs comprometidos com a ideologia dominante fazem de tudo para impedir a verdade e, quando muito, difamam os jovens estudantes que lutam contra o retrocesso.

O Movimento Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo e Pelo Socialismo (CLCN) compreende que somente o povo trabalhador pode dá suporte às ocupações de resistência. Aos meios de comunicação burgueses, interessa o silencio e a mentira. Furar o bloqueio comunicacional, a partir de nossos próprios meios, com criatividade revolucionária, informando trabalhadores do que significa o terror das medidas do golpista Michel Temer, isso sim, cabe a todos nós.  

Ousar lutar, ousar vencer!

Movimento Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo e Pelo Socialismo

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Stálin, Artífice da Vitoria Sobre o Fascismo

Texto publicado originalmente na revista Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 23 - Dez de 1949. 

Ao completar 70 anos, Stálin é alvo das maiores homenagens de todos os povos do mundo, como um verdadeiro libertador, como o grande artífice da vitória contra o fascismo. Antes de a gloriosa União Soviética ter sido atacada traiçoeiramente pelos fascistas, já a humanidade progressista e avançada colocava suas esperanças de salvação no país do socialismo vitorioso e sobre seus líderes, particularmente sobre o grande Stálin.

Não obstante a maioria do povo brasileiro ter vivido na ignorância sobre as realizações da União Soviética e o esforço desempenhado pelos seus geniais dirigentes, em virtude da opressão em que se achava (e ainda se acha) submetido, seu sentimento de justiça e de amor à liberdade, suas aspirações a um mundo livre da exploração imperialista e seu ódio ao fascismo manifestaram-se ainda mais fortemente quando a União Soviética foi agredida covardemente pelas hordas hitleristas. As grandes massas do povo brasileiro, ontem como hoje, sabiam e sabem por que os seus opressores tanto temem e caluniam, intrigam e forjam gueixas contra a pátria dos trabalhadores. Ainda mais: nosso povo, como todos os povos, compreende cada vez melhor o porquê da campanha de mentiras e de ódios, que o campo imperialista e da guerra e seus lacaios promovem contra o camarada Stálin. É porque o grande Stálin é o firme timoneiro da humanidade na luta pela paz e pelo esmagamento dos provocadores de guerra.

A Dura Prova da Guerra

A Grande Guerra dos povos contra o fascismo, a vitória histórica da União Soviética nessa guerra, todos os acontecimentos que a ela estão ligados, só fizeram ressaltar a gigantesca figura do condutor das forças do campo da democracia e da paz e confirmar as esperanças dos povos em Stálin.

Fazendo o balanço dos resultados da guerra, em 9 de fevereiro de 1946, o camarada Stálin animava que seria injusto pensar que a segunda guerra mundial surgiu casualmente ou como resultado dos erros deste ou daquele estadista, embora admitindo que houvesse erros. E acrescentava:

"Na realidade a guerra surgiu como resultado inevitável do desenvolvimento das forças econômicas e políticas mundiais baseadas no capitalismo monopolista". "Mas a guerra não foi apenas maldição. Foi ao mesmo tempo uma grande escola de prova e verificação de todas as forças do povo. A guerra pôs a nu todos os fatos e acontecimentos tanto na retaguarda como na linha de frente, arrancou implacavelmente todos os véus (mascaras que ocultavam a fisionomia real dos estados, governos e partidos e os colocou no palco, de face a descoberto, sem maquilagens, com os seus defeitos e virtudes".
Assim, na dura prova da guerra, foi que o camarada Stálin pode mostrar toda a altura do seu gênio revolucionário, de líder vitorioso da luta contra o fascismo. Sábio dirigente político, mestre da ciência militar soviética, o camarada Stálin é a expressão da verdade marxista-leninista de que a estratégia militar e a estratégia política têm o mesmo fundamento, o mesmo caráter. A estratégia stalinista, o seu plano de liquidação do inimigo, foi coroado do mais completo êxito.

Naturalmente, a realização de tão gigantesca empresa não dependeu somente daquilo que tiveram de fazer o povo soviético e seu guia, no curso da própria guerra. A vitória foi fruto da capacidade de previsão, do trabalho persistente de vários anos, da fidelidade aos princípios leninistas e ao Partido e da capacidade de sacrifícios de um povo quando luta por uma causa justa.

Toda a força do regime proletário e socialista, a capacidade dirigente e organizadora do Partido de Lênin e Stálin, as qualidades do povo soviético e do seu Exército e o caráter e a sabedoria dos seus líderes, foram a viga mestra da vitória alcançada. Os líderes soviéticos, com Lênin e Stálin à frente, fundaram o primeiro Estado de operários e camponeses do mundo, defenderam-no na guerra civil e dos assaltos dos bandos imperialistas. Edificaram o regime socialista, onde a exploração do homem pelo homem está abolida para sempre, tendo uma indústria de primeira ordem, uma agricultura coletivizada e homens capazes e dedicados que o levam pela senda do comunismo. Fortaleceram a sólida amizade das nacionalidades que compõem a URSS, assim como a unidade indestrutível dos operários, camponeses e intelectuais soviéticos. Organizaram o Exército Soviético, libertador de povos, educado no espírito do internacionalismo proletário, de fraternidade dos povos e de manutenção e defesa da paz mundial.

A União Soviética se transformara, portanto, numa grande potência, em uma força econômica, política e militar de primeiro plano, num dos Estados mais poderosos da terra. Foi assim que a guerra encontrou a União Soviética, foi com esse regime avançado que o camarada Stálin conduziu os povos para a vitória e dessa forma, tornou-se o líder amado de milhões e milhões de seres humanos que lutam pela independência nacional dos seus países e pela paz em todo o mundo.

A Luta Contra a Guerra e a Agressão Fascista

Mas de que forma o camarada Stálin orientou a política da União Soviética para conter o fascismo, impedir a guerra e esmagar seus fautores?

A política da União Soviética, dirigida pelo camarada Stálin, foi orientada para a luta contra o fascismo e o que ele representava, para a denúncia do perigo de guerra e da agressão, para a luta contra as bases sociais que engendram o fascismo e a guerra, para a frente única dos povos como meio capaz de derrotar os imperialistas fascistas. O fascismo era uma ameaça à paz, um sintoma de debilidade do capitalismo para governar pelo antigo método do parlamentarismo e da democracia burguesa. Em política interior era a repressão e o terrorismo mais brutal como forma de governo da burguesia, e em política exterior era a preparação de guerra, o expansionismo imperialista mais rapace, sob a máscara do nacionalismo. Toda guerra iniciada pelos agressores constitui um perigo para os países amantes da paz. Tal era a análise do camarada Stálin sobre o caráter do fascismo, tais eram os seus ensinamentos, profundos e plenos de atualidade.

A crise econômica de 1929 a 1932 havia abalado o mundo capitalista e originara febris preparativos de guerra numa série de países capitalistas, especialmente na Alemanha, onde Hitler havia chegado ao poder em 1933. A Manchúria e a China, a Abissínia e a Espanha, a Áustria e a Tchecoslováquia, iam sendo tragadas, uma a uma, na voragem da agressão. Os agentes fascistas tornavam-se cada vez mais audaciosos. Suas provocações se multiplicavam, não escondendo seus planos de domínio mundial. A União Soviética tomava medidas cada vez mais enérgicas para sua defesa. Esmagou a conspiração trotsquista—bukarinista que, a serviço dos fascistas alemães e japoneses, pretendia desmembrá-la. Obrigou os imperialistas japoneses a morderem o pó da derrota e a recuarem, quando quiseram invadir as fronteiras soviéticas em 1938 e 1939. E propunha a frente única dos povos para resistir aos fascistas, pactos e acordos capazes de defender a segurança e a paz para os povos, sua independência e integridade. Assim, a União Soviética empregou todos os esforços para evitar que os fascistas entendessem a agressão e fizessem uma guerra destruidora e sangrenta como resultou ser a segunda guerra mundial.

Mas apesar disso, da firmeza da política stalinista e dos anseios de paz dos povos, sob a capa do anti-comunismo e do anti-sovietismo, as potências fascistas agressoras prosseguiam no seu criminoso caminho de envolver a humanidade no incêndio da guerra. Isto acontecia não porque a Alemanha, o Japão e a Itália fossem mais fortes que a Inglaterra, a França e os Estados Unidos, sem falar na União Soviética. O camarada Stálin explicava que a agressão continuava pela ausência de uma frente única dos estados "democráticos" contra as potências fascistas. Com medo do povo, esses estados empurravam na prática as potência fascistas para novas agressões, particularmente para o ataque contra a União Soviética.

Por isso o camarada Stálin definiu genialmente a política da União Soviética, nesse período, de forma a desmascarar os agressores e os que faziam o seu jogo e ao mesmo tempo demonstrando que o país do socialismo defenderia de qualquer maneira a causa da paz. Afirmava então Stálin:

"Não tememos ameaças e estamos preparados para responder aos provocadores de guerra, golpe por golpe. Aqueles que desejam a paz e buscam relações comerciais conosco, terão sempre nosso apoio. Mas aqueles que tentarem atacar nosso país receberão uma esmagadora resposta que há de ensiná-los a não meter seu focinho de porco no nosso jardim soviético".
Além do mais, o camarada Stálin advertia que o perigoso jogo político realizado pelos adeptos da "não intervenção" podia terminar num sério fracasso para eles.

Essa posição infundia nos antifascistas de todo o mundo a certeza de que a URSS era a mais consequente lutadora contra o fascismo e a guerra. Estimulados por ela, as grandes massas que lutavam para derrotar o fascismo, compreendiam que na pessoa de Stálin possuíam um guia seguro e de que a vitória, sob sua direção, seria infalível.

Preparativos para a Defesa da Pátria

Acompanhando com toda a atenção o desenvolvimento da situação internacional e da guerra e seguindo uma política de paz, firme e justa, vendo o perigo crescer contra as fronteiras da Pátria socialista, o governo soviético, tendo à frente o camarada Stálin, repelia a agressão dos governantes reacionários da Finlândia e conclui a com esse país um acordo garantindo a defesa da terra soviética, de uma cidade tão importante como Leningrado. Quase ao mesmo tempo fez voltar pacificamente ao seio dos povos soviéticos os povos ucraniano, bielo-russo, letão, estoniano, lituano e moldávio, que haviam sido arrancados à força da União Soviética pelos intervencionistas estrangeiros depois da primeira guerra mundial. Desse modo, a União Soviética fortalecia-se e alargava as barreiras contra as quais iriam quebrar-se as hordas de Hitler.

Os povos do mundo podiam ver e comprovar a sabedoria política, do grande estadista soviético, do dirigente de novo tipo, que esclarecia e mobilizava as massas contra a guerra imperialista e pela liquidação do fascismo e que não mantinha ilusões sobre o fascismo.

Mas não daríamos uma idéia sequer longínqua da grandiosa importância da tarefa que coube ao camarada Stálin realizar sem recordar pelo menos sucintamente a situação política e militar que precedeu a felonia da Alemanha contra a URSS. O Eixo fascista estava em pleno apogeu. A Europa achava-se praticamente sob o tacão de Hitler. Com exceção da Inglaterra, que se mantinha em guerra contra a Alemanha, as outras nações ou haviam caído sob o seu peso ou mantinham uma neutralidade do seu interesse ou uma posição de apoio efetivo aos fascistas alemães. Os hitleristas jactavam-se de que o mundo pertenceria à raça de senhores que eram os alemães arianos. O pânico apoderava-se de certas forças chamadas democráticas que assim serviam melhor aos desígnios dos novos conquistadores. Criara-se o mito da invencibilidade dos exércitos fascistas germânicos que efetuaram quase um passeio pela Europa, graças à traição dos governos da burguesia, que preferiam vender a pátria a permitir a sua defesa pelas forças do proletariado e das massas populares dirigidas pelos comunistas. A máquina militar alemã, com a experiência de dois anos e uma mobilização completa para a guerra, com a indústria da Europa continental à sua disposição, com um poderio jamais visto, com vitórias relâmpagos sobre exércitos tão tradicionais como o da França, pretendia também levar a cabo sua "Blitzkrieg" contra a União Soviética no prazo de 6 semanas.

A 22 de junho de 1941, Hitler desfechou o ataque de surpresa contra a pátria do socialismo, com 170 divisões aguerridas. O exército alemão e as forças dos seus satélites queriam obrigar o povo soviético a render-se rapidamente. Todas as nações amantes da liberdade, todos os povos oprimidos pelo fascismo, todos os trabalhadores do mundo que odeiam o fascismo colocaram imediatamente suas esperanças na pátria socialista. Todos podíamos compreender que se jogava naqueles instantes a sorte do socialismo e com ela a de toda a humanidade avançada. E qual era a resposta do camarada Stálin, como falava ele a seu glorioso povo e aos povos do mundo?

O camarada Stálin dizia profeticamente:

"A guerra contra a Alemanha fascista não deve considerar-se uma guerra corrente. Não é somente uma guerra entre dois exércitos. É ao mesmo tempo a grande guerra de todo o povo soviético contra as tropas fascistas alemãs. Nossa guerra pela liberdade da Pátria se fundirá com a luta dos povos da Europa e da América por sua independência e pelas liberdades democráticas. Será uma frente unida dos povos que lutam pela liberdade e contra o subjugamento e a ameaça de subjugamento pelos exércitos fascistas de Hitler".

Desde o seu início a segunda guerra mundial tomara a fisionomia de uma guerra dos povos contra o fascismo, pela independência e pela liberdade dos povos. A participação da União Soviética nessa guerra só podia acentuar seu caráter libertador. Os hitleristas não passavam dos mais ferozes e cruéis imperialistas já conhecidos pela humanidade, um bando de assassinos que sob as ordens dos barões feudais e grandes capitalistas alemães queriam avassalar o mundo e impor aos povos uma ideologia racista e anti-democrática, hedionda e bárbara. Os hitleristas faziam uma guerra de extermínio contra povos e nações que não pertenciam à raça alemã e que se opunham aos seus desígnios miseráveis.

O traiçoeiro ataque dos fascistas deu-lhes vantagens iniciais. A despeito de perdas imensas ocasionadas pela resistência do Exército e do povo soviético, lograram avançar para o interior do território da URSS. O camarada Stálin jamais duvidou da vitória e chamou o povo soviético a formar guerrilhas, a lutar até a morte contra os bárbaros invasores alemães. Demonstrando que a história nunca, em tempo algum, havia registrado a existência de exércitos invencíveis, o camarada Stálin sabia o quanto havia de falso e de aventureiro nos planos alemães, pois distanciava seus exércitos de suas bases e levava-os a lutar em um país cujo povo havia se erguido para defender sua pátria. Ridicularizava ao mesmo tempo os intelectuais pequeno-burgueses assustados e os cabecilhas fascistas, afirmando que o leão não é tão feroz como o pintam, que Hitler se parecia a Napoleão como o gato a um leão. O camarada Stálin infundia dessa maneira confiança aos combatentes do heróico exército soviético, que tinha sobre seus ombros a tarefa histórica e sagrada de sepultar as jactanciosas pretensões de Hitler e dos imperialistas alemães.

A Superioridade do Exército Soviético

O fortalecimento e a consolidação da unidade, da coalizão anti-fascista, eram preocupações centrais do camarada Stálin. Não se cansava de mostrar, pelo desenvolvimento da própria guerra, que os recursos e as vantagens políticas das Nações Unidas, recém-organizadas, eram superiores aos do hitlerismo. As diferenças do sistema não impediam, como de fato não impediram, que elas, colaborassem para a derrota militar do Eixo fascista e que a justa e correta utilização desses recursos e vantagens indispensáveis para esse esmagamento, também seriam, no seu entender, realizadas com êxito pelos demais dirigentes da coalizão na luta pela libertação dos povos da tirania germano-fascista.

O camarada Stálin observava que os hitleristas fundamentavam os seus cálculos para derrotar a União Soviética em tempo recorde, em três condições.

A primeira era isolar a União Soviética, formar uma união da Alemanha, dos Estados Unidos e da Grã Bretanha. Esperavam, para isso, amedrontar mais uma vez os círculos governantes dessas potências com o fantasma da revolução, do bolchevismo. Para concluir esse plano Hitler enviou o seu lugar tenente Hess a Londres, de pára-quedas. Mas essa tentativa falhou redondamente, porque a União Soviética encontrou aliados cada vez mais firmes nos povos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos.

A segunda condição sobre a qual baseava suas pretensões o sanguinário tirano nazista era a suposta falta de solidez da retaguarda soviética, que, segundo os velhos inimigos da URSS, os raivosos agentes do imperialismo de todos os tempos, viria a baixo, com qualquer golpe sério ou revés infringido ao exército soviético. O camarada Stálin responde que tais golpes, longe de terem conseguido a ruptura da retaguarda soviética, converteram-se num sólido campo armado, consolidaram ainda mais a amizade dos operários e camponeses da URSS e de toda a família dos povos soviéticos, que apoiavam, apóiam e apoiarão de forma inabalável as forças armadas defensoras da pátria socialista.

A terceira fonte de especulação da estratégia hitlerista residia na falsa lenda de que o Exército Vermelho e a Marinha Vermelha eram débeis, e que seriam postos em fuga e dispersados logo aos primeiros ataques e golpes dos invasores fascistas. Mas ficou provado que isso não passava de um sonho dos inebriados chefetes fascistas. Forjado pela Revolução de Outubro, organizado por Lênin e Stálin, destinado a defender as conquistas da revolução e a pátria dos trabalhadores, o exército soviético possuía uma tempera especial, engendrada pela idéia da defesa da Pátria e de libertação dos povos oprimidos, coisa que não conhecia nem podia conhecer o exército fascista, criado para oprimir, pilhar e saquear seu próprio povo e os demais povos.

Apesar de ter de enfrentar tal exército, as forças armadas soviéticas revelaram a capacidade de combate, dos seus soldados e comandantes, seu heroísmo, a supremacia, de suas armas, a alta classe da estratégia stalinista. Aos brados de "Por Stálin!" "Pela Pátria!", os soldados soviéticos cobriam de glória a história de seu povo.

Logo aos primeiros embates, o mito da invencibilidade dos exércitos nazistas caiu por terra, a guerra relâmpago passou para a categoria das mentiras da propaganda nazista e ninguém mais nela acreditou. As vantagens da surpresa do ataque eram temporárias e foram logo superadas. Após a vitória dos exércitos soviéticos na batalha de Moscou, o camarada Stálin dizia:

"Agora a sorte da guerra não será decidida por um elemento provisório como a surpresa, senão por fatores de ação permanente: a solidez da retaguarda, a moral do exército, a quantidade e qualidade das divisões, o armamento do exército, a capacidade dos comandos do mesmo".
Esta tese era uma enorme contribuição de Stálin para o desenvolvimento da ciência militar soviética e tornou-se decisiva para o resultado da guerra.

Depois da derrota de Moscou o inimigo já não tinha condições para compreender a ofensiva em todas as frentes. Sua superioridade em homens e materiais desaparecia e ele só podia conservar a iniciativa do ataque numa única direção. Mas essa possibilidade se devia também ao fato de que a União Soviética e o seu exército suportavam sozinhos o peso principal da luta, de que não havia uma segunda frente na Europa, pois nem a Inglaterra nem os Estados Unidos possuíam os seus exércitos no ocidente europeu, para aliviar a tremenda pressão exercida pela Alemanha e seus satélites contra o Exército Soviético.

Era impossível disfarçar ou esconder que a ausência da 2.ª frente na Europa permitia aos exércitos alemães, italianos, romenos, húngaros, finlandeses, espanhóis que atacavam a União Soviética, colocar em perigo o futuro da guerra. Essa era uma questão militar e política de alta relevância, decisiva. Por isso o camarada Stálin tanto se empenhou para que os aliados abrissem a 2.ª frente, pois esse seria não somente o cumprimento de solenes compromissos tomados pela Inglaterra e pelos Estados Unidos, como seria o meio mais rápido e eficiente de acabar com a guerra, pela derrota completa dos nazistas alemães, que não poderiam suportar por muito tempo a luta em duas frentes. Com os exemplos da primeira guerra mundial, o camarada Stálin mostrava que militarmente essa medida seria, como foi, a única capaz de colocar fora de combate sem mais delongas o inimigo comum. E como questão política, o camarada Stálin colocava perante os povos a necessidade de se mobilizarem para pressionar os círculos governantes anglo-americanos que a olhos vistos nada faziam para concretizar a 2.ª frente. Churchill tudo fez no sentido de evitar a abertura da 2.ª frente, na Europa Ocidental. Já conta com o traidor Tito para invadir os Bálcãs, e assim antepor-se ao avanço dos exércitos soviéticos, segundo revelou o processo contra os espiões Raek e Prankov. Stálin previra que apesar de tudo a 2.ª frente seria aberta e que a Alemanha se veria sob o fogo cruzado das forças da coalizão anti-fascista, até cair de joelhos e render-se incondicionalmente.

Hitler continuava seu sonho de ocupar Moscou. Desta vez, atacando pelo Sul, pensava alcançar a capital soviética pela retaguarda, liquidar a resistência soviética e então colocar o país socialista fora de combate. Stálin, prevendo o plano fascista, deu ordens para a defesa de Stalingrado.

A vitória soviética de Stalingrado, orgulho da causa anti-hitlerista, marca a viragem política e militar do curso da guerra.

Numa guerra sem paralelos na história, dizia o camarada Stálin:

"Stalingrado foi a maior batalha da história da guerra e nela os valentes soldados, combatentes e chefes do heróico Exército Soviético, assentaram os sólidos alicerces para a vitória sobre os exércitos fascistas alemães".

Nessa batalha a ciência militar soviética, a direção militar stalinista, demonstraram sua superioridade sobre a estratégia e a tática alemãs. A respeito destas, dizia o camarada Stálin:

"sua estratégia é deficiente, pois, como regra geral, subestima as possibilidades e as forças do adversário e sobreestima suas próprias forças. Sua tática é uma tática "clichê", já que trata de enclausurar os acontecimentos da frente em tal ou qual artigo do regulamento''.

Mais tarde, em fevereiro de 1946, na resposta ao coronel Razin, do Exército Soviético, a respeito de Clausewitz e da ciência e da ideologia militares da Alemanha, o camarada Stálin aconselhava:

"Estamos obrigados, do ponto de vista dos interesses de nossa causa e da ciência militar de nosso tempo, a fazer a crítica não somente de Clausewitz, senão também de Moltk e Schliefen, Ludendorff, Keitel e outros representantes da ideologia militar da Alemanha. Nos últimos trinta anos a Alemanha impôs ao mundo por duas vezes uma guerra sangrenta e em ambas as vezes acabou vencida".

Ressaltava Stálin que esse fato não era casual, que isso significava que a ideologia militar alemã não havia resistido à prova, que era necessário acabar com o respeito imerecido às autoridades militares alemães e que para isso era preciso fazer a crítica desses ideólogos, especialmente por parte dos vencedores da Alemanha, os militares e chefes soviéticos. E acrescentava:

"No que se refere em particular a Clausewitz, ele, claro está, envelheceu como especialista de autoridade militar. Clausewitz foi em suma um representante do período manufatureiro da guerra. Mas agora estamos no período da guerra de maquinárias. É indiscutível que o período da maquinaria exige novos ideólogos militares. Seria ridículo agora aceitar as lições de Clausewitz".

A batalha de Stalingrado e a crítica que faz da ideologia militar alemã, de sua estratégia e táticas, nos dão por inteiro o retrato do camarada Stálin como chefe militar, como gênio da arte da guerra. No trabalho sobre "A estratégia e a tática dos comunistas russos" o camarada Stálin já havia ensinado que

"a arte da condução da guerra nas condições atuais consiste em dominar todas as formas da guerra e todos os avanços da ciência nesse terreno, em empregá-los sensatamente, como combiná-los inteligentemente ou utilizar uma ou outra destas formas de acordo com a situação".

Inspirados e orientados por Stálin, os exércitos soviéticos realizaram esse histórico feito militar, com a bravura e a tenacidade que causaram a admiração de todos os povos do mundo. Em Stalingrado o inimigo foi cercado e aniquilado completamente. Dizem os técnicos militares que Stalingrado é um novo Cannes, de maiores proporções e muito mais completo, porque reduziu à impotência mais de 300.000 homens do inimigo e destruiu um arsenal de guerra espantoso, com repercussões políticas de enorme significação.

Vitórias Diplomáticas e Militares Stalinistas

A situação militar modificava-se. As forças armadas soviéticas passaram à ofensiva não só no inverno como no verão. A última tentativa de ofensiva alemã no saliente de Kursk foi desbaratada. A Alemanha marchava para a catástrofe. Das terras soviéticas foram varridos os invasores nazistas. A Romênia, a Bulgária, a Hungria e a Finlândia depuseram as armas. A Iugoslávia havia recebido a ajuda decisiva dos exércitos soviéticos. A Polônia e a Tchecoslováquia foram libertadas. As nações satélites juntaram-se para combater a própria Alemanha ao lado da URSS Isto indicava, de modo indubitável, que a União Soviética sozinha e sem a assistência militar dos seus aliados, tinha todas as condições de esmagar o hitlerismo, ocupar a Alemanha e libertar toda a Europa continental.

A 2.ª frente, em face dessa situação, foi finalmente aberta. Atacada em duas frentes, a Alemanha de Hitler não teve outro remédio senão render-se incondicionalmente, de acordo com as estipulações das forças aliadas. Vencendo a desesperada resistência inimiga, os gloriosos soldados soviéticos atravessaram o Oder, cercaram e tomaram de assalto a capital alemã. Em 8 de maio de 1945 Stálin anunciava ao mundo que a bandeira vitoriosa dos povos tremulava em Berlim, último reduto da Alemanha de Hitler.

Mas não devemos esquecer que o camarada Stálin, dirigindo os forças armadas soviéticas, orientava também a política externa soviética. Ele conduzia as forças aliadas para o contínuo reforçamento da cooperação militar e concomitantemente traçava as linhas mestras da conduta a ser seguida quanto à Alemanha e decisões relativas aos problemas econômicos e políticos da Europa libertada. Repetia que ao contrário de Hitler, que desejava destruir os outros povos e seus estados, o povo soviético e seu exército não queriam destruir o povo alemão nem o seu Estado. Esses não podiam ser confundidos com Hitler, que era um fenômeno passageiro na vida do povo alemão, que como povo não podia nem devia ser destruído. O camarada Stálin havia aplicado esta sábia política quando transformou os antigos satélites da Alemanha em aliados para a luta contra o hitlerismo. Foram elaborados diversos tratados com os Estados Unidos e a Inglaterra, como o de Teerã, o de Ialta e o de Potsdam, que constituíram a diretiva política justa para vencer a guerra e tratar a Alemanha vencida e o fundamento para uma política de cooperação no após guerra das forças aliadas vitoriosas, com o objetivo de assegurar a paz para todos os povos. Firmou com a Polônia, antes da tomada de Berlim, um tratado de amizade e cooperação, modelo para as relações entre os povos no após guerra e que representava um substancial reforçamento da frente única das Nações Unidas.

Consequente na guerra anti-fascista, fiel aos compromissos assumidos, aliada leal e desinteressada, 3 meses após a derrota da Alemanha, a União Soviética entrou na guerra contra o Japão militarista e feudal, velho agressor do povo soviético e contínua ameaça à sua segurança e independência. Em poucos dias de ofensiva do Exército Soviético contra as melhores e mais numerosas forças do Exército japonês do Kuantung na Manchúria, a resistência do Japão foi quebrada e ele teve de capitular incondicionalmente.

Nossa Dívida a Stálin

A segunda guerra mundial terminou portanto com a destruição militar e política dos agressores, o que levou o camarada Stálin a anunciar que a União Soviética podia considerar-se livre da ameaça da invasão alemã no ocidente e da invasão japonesa no oriente. "Chegou a paz largamente esperada para os povos de todo o mundo"? proclamava o camarada Stálin.

A causa da humanidade civilizada, do socialismo, da independência dos povos, foi assim vitoriosa. Essa vitória de importância histórica mundial, nós a devemos à União Soviética e ao seu povo que imolou mais de 16 milhões de vidas preciosas em favor da libertação da humanidade. Nos a devemos ao regime socialista soviético e ao Partido Bolchevique, que inspirou e vanguardeou, na base do verdadeiro patriotismo, desse patriotismo que não conhece ódios de raças e nações e sim a amizade e a fraternidade entre os povos, as façanhas heróicas dos seus combatentes e guerrilheiros. Nós a devemos à vitalidade da economia soviética, de sua indústria socialista e de seu regime kolkosiano, que abasteceram, com uma técnica de primeira ordem, de armas e alimentos, as forças armadas soviéticas. Nós a devemos à firme e indestrutível unidade do povo soviético, ao regime socialista, que desenvolve o bem estar material e cultural da grande família de nações que dele formam parte voluntária e que cimentava cada vez mais a sua unidade política. Nós a devemos à alta classe dos seus comandantes, quadros militares educados e forjados na grande escola do patriotismo soviético, do Partido de Lênin e de Stálin, na ciência militar mais avançada de nossos dias, a ciência militar soviética. E sobretudo, nós devemos a vitória ao gênio do camarada Stálin, que foi seu artífice principal, que é a maior encarnação viva das qualidades do povo soviético, do regime socialista e do seu Partido, e o herdeiro e continuador do grande Lênin.

Confiando no povo e apoiando-se nele, dirigindo um Partido tão poderoso como o Partido Bolchevique, tendo construído um Estado de  novo tipo, superior em todos os aspectos a todos os outros estados conhecidos, comandando um exército da qualidade e combatividade do Exército Soviético, dominando a teoria marxista-leninista e a arte militar soviética e desenvolvendo-as de maneira genial, como um grande mestre, a obra do camarada Stálin na grande guerra contra o fascismo, tornou-se imorredoura.

O povo brasileiro que esteve tão ameaçado, naquela fase negra, de perder completamente sua independência e sua soberania, que soube patrioticamente colocar-se ao lado da União Soviética e das demais nações que lutavam pela sua liberdade, que participou com uma Força Expedicionária das batalhas do Sul da Europa, que sacrificou mais de um milhar de filhos para salvaguardar sua honra nacional, jamais esquecerá o papel da União Soviética na guerra e a figura do seu genial comandante.

As esperanças do nosso povo oprimido também foram justificadas. E ontem como hoje podemos dizer com orgulho: Glória a Stálin, artífice da vitória contra o fascismo, campeão da luta pela paz mundial!

Pedro Pomar

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O Ator fascista (I)

É duvidoso que nesta quadra da história possamos utilizar a tão decantada liberdade de expressão liberal para apontar o dedo e trazer a público a identidade de um juiz fascista, expor a sua forma de atuação, que possamos apresentar as suas credenciais ideológicas aos seus reais empregadores, o povo, apresentando o quilate de sua alta traição funcional. Mas é preciso desenhar o seu perfil para que possamos reconhecê-lo quando o avistemos.

O juiz fascista não hesita em usar a força de qualquer tipo, simbólica ou persecutória bruta, típica dos brucutus. O seu é o reino do medo aos agentes públicos, e não o do respeito por eles. Como califa de falso potentado, mente para si superpoderes e auto atribui todas as virtudes, da inteligência à pertença dominante em todas as esferas da ética. Para regozijo, todos os sabujos estão de plantão para a genuflexão continuada e falsos aplausos incontidos, tecendo loas ao parlapatão-bugre mal entrado nos salões aristocráticos. Ele próprio é sabujo-mor de cortes menores da aristocracia trançada pelo velho príncipe.

Na realidade, é servo que se crê senhor, pois piamente supõe ter sido admitido à nobreza de salões cujo círculo fechado é controlado pelo decaído príncipe cuja imagem reflete o odor das putrefações naturais de toda uma vida sob o signo do engodo habitado nos esgotos da empulhação, pública e privada.

O juiz fascista não conta com auxiliares, mas apenas asseclas, ou talvez até mesmo capangas, sempre e quando isto seja entendido de forma respeitosa aos homens que sem ofício ganham a vida com o que há. O juiz fascista desconhece o sentido e a inteligência da lei, mas apenas a usa, e se algum dia jurou cumpri-la, eis que já vai muito longe, para muito além de suas capacidades mnemônicas. O juiz fascista desconsidera os mais caros princípios do estágio civilizacional do Ocidente, vale dizer, o devido processo legal, a presunção da inocência e a irretroatividade das leis, e até mesmo o in dubio pro reo.

Nada disto importa para uma mente obcecada em utilizar os instrumentos da justiça pública para realizar os fins de um determinado coletivo político. Efetivamente, o juiz fascista constituído pelas forças políticas de um Estado democrático de direito é um traidor de sua pátria, e de grande porte, pois é pago regiamente pelo povo e, não obstante, utiliza o cargo para vilipendiar e subverter as instituições que deveriam guardar o conjunto das liberdades e os direitos das gentes. O juiz fascista manda às favas tudo quanto não seja a ideologia elitista em que foi educado, mantendo mínimo tempero legal necessário para obter legitimação pública.

O juiz fascista não realiza o direito, senão que a sua preocupação é concretizar a sua variável ideológica, e ao fazê-lo corrói a legislação democrática por dentro, pois por pior e viciados que possam ser os processos políticos de sua elaboração. Mesmo assim, indubitavelmente as normas oriundas do legislativo pertencem a um padrão conceitual democrático superior em comparação com qualquer pura e arbitrária criação de um juiz.

O juiz fascista não aplica a legislação, senão que utiliza os seus próprios sentimentos, paixões e convicções como parâmetro para articular um discurso de justiça no qual não crê e tampouco procura realizar, mas que é útil para legitimar-se em sua função. Tangencia e infravalora os princípios públicos em detrimento dos seus rumos ideológicos e o dos seus pares, de seus companheiros de viagem e interesses.

Retirado do blog "Cartas e Reflexões Proféticas"

domingo, 16 de outubro de 2016

“Santa” Madre Teresa de Calcutá: uma fanática marionete da classe dominante

De fato, o negócio de produzir santos está prosperando nestes dias (em três anos Francisco canonizou 29 santos). O papa Francisco também foi cuidadoso para cobrir com um verniz a hierarquia da Igreja Católica e seu cemitério de santos com um brilho de justiça social. Francisco tentou pintar a sua mais recente santa como uma amiga dos pobres, uma mulher  “que fez ouvir sua voz diante dos poderosos deste mundo para que pudessem reconhecer sua culpabilidade pelo crime da pobreza que eles criaram”. A verdade, porém, está muito distante das bajulações de Francisco a esta “santa das sarjetas”.

Uma entusiasta da pobreza e do sofrimento

Madre Teresa nasceu em Skopje, numa família albanesa com o nome de Anjezë Gonxhe Bojaxhiu. Ainda muito jovem assumiu seus votos religiosos e mudou-se para a Índia para se unir à obra missionária da Igreja Católica. Aparentemente amargurada pela miséria que enfrentavam as massas indianas, criou em 1950 sua própria casa de caridade, as Missionárias da Caridade, e começou a dar tratamento médico aos moribundos pobres de Calcutá. Rapidamente começou a ser venerada como uma amiga misericordiosa dos desfavorecidos, com a ajuda do jornalista reacionário da BBC Malcolm Muggeridge, quem fez muito para proclamar seus milagres. Entretanto, ela não era uma amiga dos pobres, mas sim uma apologista da pobreza. Ela dizia: “Eu creio que é muito bonito para os pobres aceitarem seu destino para compartilhá-lo com a paixão de Cristo. Acredito que se ajuda muito ao mundo com o sofrimento dos pobres”. Suas “clínicas” fizeram muito para promover esse sofrimento. Prestigiadas revistas médicas, como The Lancet, informaram que, apesar do generoso financiamento da Fundação Teresa, estes centros eram (e são) caracterizados por sua precariedade, pela negligência às normas de higiene básicas, pela superlotação, pelo desconhecimento dos protocolos médicos modernos e por recursos humanos de baixa qualificação.
Estas enfermarias carentes não estavam destinadas a curar aos pobres. Muitos entraram nestes centros com problemas menores e saíram mortos. Estes eram lugares onde os pobres eram trazidos para morrer, incapazes de pagar por algo mais  do que é oferecido pelo podre capitalismo indiano. Eles também recebiam (pobres infelizes!) sua respectiva dose de proselitismo católico. Mas estas clínicas nem sequer aliviavam a dor dos moribundos. Para a madre Teresa a dor era uma recompensa celestial, “o mais belo presente para uma pessoa é que ela possa participar nos sofrimentos de Cristo”. Na verdade, era um “formoso”,“belo” presente! Uma vez ela disse a um angustiado paciente com câncer: “Você sabe que esta terrível dor é o beijo de Jesus?”. Mas a mesma Teresa não praticava o que ela pregava. Ela recebia seu tratamento médico em caras clínicas privadas da Califórnia e de Roma.

Madre Teresa, pertencendo à extrema direita da hierarquia católica, se opôs ao aborto, ao casamento homossexual e ao divórcio. No discurso pronunciado depois de receber o prêmio Nobel da Paz, referiu-se ao aborto como “a maior ameaça à paz mundial”, frase que ficou célebre. Ao que parece, a única vez que ela realmente se preocupava com a vida era quando esta estava no ventre. Depois disso, as pessoas eram incentivadas a morrer na miséria e no sofrimento. Ao receber um prêmio da Organização Mundial da Saúde, referiu-se à AIDS como uma “justa retribuição pela inapropriada conduta sexual”.

Amiga de assassinos e ditadores

A filosofia de madre Teresa, que pedia aos pobres aceitarem passivamente seu destino, era extremamente útil para que os ricos e os poderosos mantivessem os oprimidos nas cadeias.

O que poderia ser melhor que ensinar aos explorados a abraçar sua sorte com a esperança de uma vida melhor no porvir, sem questionar a injustiça terrena e sem demandar um tratamento adequado quando adoeciam, mas somente procurar caridade em centros de cuidados com precárias condições e superlotados? Em 1983, a fábrica da multinacional estadunidense Union Carbide, na Índia, explodiu, causando terríveis mortes e feridas em muitos outros. Esta explosão foi claramente provocada pela política da empresa de não gastar dinheiro em medidas de segurança. O comentário de madre Teresa foi: “Isto pode ter sido um acidente, é como o fogo que pode começar em qualquer lugar. É por isso que é importante perdoar. O perdão nos oferece um coração limpo e nos tornamos cem vezes melhores depois de dá-lo”.

Assim, em vez de  se organizarem para lutar contra a Union Carbide, as vítimas deste terrível crime do capitalismo deviam, simplesmente, aceitar sua sorte.

Não surpreende que madre Teresa se fez amiga de um dos ditadores mais selvagens do mundo e recebeu doações luxuosas de todo o tipo de mafiosos e oligarcas. Em 1981, viajou ao Haiti para ser agraciada com a “Legião de Honra” pelo corrupto e brutal ditador Jean-Claude “Baby Doc” Duvalier. Durante sua visita, Teresa reafirmou que “nunca havia visto pessoas pobres tão familiarizadas com seu chefe de Estado”. Este chefe de Estado, tão familiar a seu povo, seria derrubado cinco anos depois numa insurreição popular. Ela também recebeu doações, títulos e aclamações de pessoas como Ronald Reagan, que nessa época agia em cumplicidade com os assassinatos de sacerdotes católicos socialistas em El Salvador ou com a junta militar da Guatemala. Quando Teresa visitou a Guatemala em 1979, a ditadura estava realizando uma campanha selvagem contra as guerrilhas comunistas e de genocídio contra a população indígena. Quando foi perguntada sobre sua visita, seu único comentário foi que “tudo parecia tranquilo nos lugares que fomos. Eu não me envolvo com este tipo de política”.

Teresa também recebeu enormes doações de mafiosos e ladrões como o arquiconservador e especulador financeiro, assessor de Nixon, Charles Keating, envolvido em um grande escândalo de fraude. Teresa intercedeu a seu favor perante o juiz da Califórnia que o julgava, referindo-se a este vigarista como “amável e generoso diante do pobre e de Deus”, pregando ao juiz sobre as virtudes do perdão. O fiscal do caso decidiu enviar a Teresa uma carta pedindo a devolução do dinheiro doado por Keating, mas foi em vão. De fato, a caridade de madre Teresa era notoriamente opaca. Os pedidos dos jornalistas para acessar aos livros contábeis da organização são constantemente negados. Alguém pode se perguntar aonde vai parar o dinheiro desta caridade (a décima mais rica da Índia). Seguramente, não na melhoria de suas horríveis clínicas.

A hierarquia da igreja e a classe dominante

Por que os apologistas da pobreza e da exploração, como madre Teresa, são canonizados, enquanto os verdadeiros cristãos lutadores por justiça e igualdade, como Hugo Chávez, contra quem a Igreja Católica mantinha um conflito permanente e conspirava , ou o arcebispo Oscar Romero (assassinado por mercenários de Ronald Reagan), ou Jean-Bertrand Aristide (cujo governo o Vaticano não reconheceu) são menosprezados ou rejeitados pelas autoridades da igreja? A intenção por parte de Francisco de pintar madre Teresa, uma fundamentalista sádica, como uma defensora da justiça social é cínica e hipócrita. Mas, novamente, o próprio Francisco possui um passado obscuro ao combater os sacerdotes de esquerda da Teologia da Libertação e de cumplicidade com a abjeta ditadura de Videla, na Argentina. A demagogia de Francisco somente reflete a pressão efervescente que vem de baixo, à medida que o prestígio e a reputação católica ficam expostos diante da atual onda de radicalização e pelo fermento revolucionário, e se perde a fé nas corruptas autoridades da igreja.

Jesus Cristo expulsou os mercadores do templo – mas eles logo escorregaram pela porta dos fundos. Já há séculos, a hierarquia da Igreja Católica foi deliberadamente aliada da classe dominante, dando uma justificativa ideológica à miséria das massas e aos privilégios das elites – recebendo uma generosa retribuição em troca de seus serviços. Ao longo da sociedade escravista, o feudalismo, o colonialismo e o capitalismo moderno, os mestres foram mudando, mas o objetivo segue sendo o mesmo: assegurar a submissão dos pobres perante a injustiça e a exploração. E madre Teresa foi uma das marionetes mais servis aos ricos e aos poderosos – ela foi uma agente dos mercadores no templo. Jesus Cristo disse que é mais fácil que um camelo passe por uma agulha que um rico entre no reino dos céus. Só podemos imaginar que o mesmo se aplique tanto aos vendedores ambulantes como para os que defendem os ricos. Os marxistas não acreditam no céu, mas se existisse estaríamos seguros de que madre Teresa não seria admitida nele.

Arturo Rodríguez

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A nova bomba nuclear dos Estados-Unidos foi autorizada

A B61-12, a nova bomba nuclear dos Estados Unidos destinada a substituir a B-61 instalada na Itália e outros países europeus, foi “oficialmente autorizada” pela National Nuclear Security Administration (NNSA, a agência oficial do Departamento de Energia, sigla em inglês), dedicada a “reforçar a segurança nacional através da aplicação militar da ciência nuclear”.

Depois de quatro anos de projetos e experimentações, a NNSA deu luz verde à fase de execução de engenharia que prepara a produção em série. Os muitos componentes da B61-12 estão sendo produzidos e testados nos laboratórios nacionais de Los Alamos e Albuquerque (Novo México), e Livermore (Califórnia), e produzidos (utilizando em parte os da B-61) em uma série de plantas no Missouri, Texas, na Carolina do Sul, Tennessee. Acresce-se a isto a cauda de guia de precisão, fornecida pela Boeing.

A bomba B61-12, cujo custo previsto é de 8 a 12 bilhões de dólares para 400 a 500 bombas, começarão a ser fabricadas em série no ano fiscal de 2020, que se inicia em 1º de outubro de 2019. A partir daí a bomba B-61 começará a ser substituída.

Segundo estimativas da Federação de Cientistas Americanos (FAS, na sigla em inglês), os Estados Unidos mantêm hoje 70 bombas nucleares B-61 na Itália (50 em Aviano e 20 em Ghedi-Torre), 50 na Turquia, 20 respectivamente na Alemanha, Bélgica e Holanda, num total de 180. Ninguém sabe, porém, com exatidão quantas são efetivamente: existem em Aviano 18 bunkers em condições de estocar mais 70. Nessa base e em Ghedi já foram efetuadas modificações, como mostram fotos de satélites publicadas pela FAS. Semelhantes preparativos estão em curso em outras bases na Europa e Turquia.

A NNSA confirma oficialmente que a B61-12, definida como “elemento fundamental da tríade nuclear dos EUA” (terrestre, naval e aérea), substituirá as atuais bombas B61-3, B61-4, B61-7 e B61-10. Confirma, portanto, tudo o que já tínhamos documentado. A bomba B61-12 não é uma simples versão modernizada da precedente, mas uma nova arma: há uma ogiva nuclear com quatro opções de potência, com uma potência média comparável a quatro bombas de Hiroxima; um sistema de guia que permite lançá-la com distância do objetivo; e capacidade de penetrar no terreno para destruir o bunker dos centros de comando em um ataque nuclear de surpresa.

A nova bomba, que os EUA se preparam para instalar na Itália e em outros países europeus no quadro da escalada contra a Rússia, são armas que reduzem o limiar nuclear, ou seja, tornam mais provável o lançamento de um ataque nuclear. A 31ª Fighter Wing, a esquadrilha de caças-bombardeiros USA F-16 instalada em Aviano, está pronta para um ataque nuclear 24 horas por dia. Mesmo pilotos italianos, demonstra a FAS, estão sendo treinados para um ataque nuclear sob o comando dos EUA com os caças-bombardeiros Tornado istalados em Ghedi.

A aeronáutica italiana está aguardando a chegada dos caças F-35 nos quais, anuncia a Força Aérea dos EUA, “será integrada a bomba B61-12”. A primeira esquadrilha de F-35, instalada na base Hill no Utah, foi oficialmente declarada “combat ready” (prontidão para o combate). A Força Aérea dos EUA disse não prever quando a esquadrilha de F-35 será “combat proven” (provada em combate), mas que “é provável sua instalação em ultramar no início de 2017”.

A ministra italiana da Defesa, Roberta Pinotti, espera que seja instalada na Itália, já “escolhida” pelos EUA para a instalação do Sistema Móvel Objetivo (MUOS, na sigla em inglês), que “outras nações queriam”. Com a B61-12, os F-35 e o MUOS sobre seu território, a Itália também será escolhida, pelo país atacado, como alvo prioritário de uma represália nuclear.

Manlio Dinucci