Governo Temer: circo, pão e pau

Diante dessa situação, a luta de resistência deve ser a base para a constituição de um programa de emergência unitário e um movimento de caráter revolucionário, antineoliberal, antifascista e pelo socialismo.

Desmonte da Petrobrás compromete desenvolvimento do Ceará

O desmonte da maior empresa brasileira – a Petrobrás – caminha a passos largos, com a mesma desfaçatez do golpe que tinha como objetivo realizá-lo.

CIA sempre esteve de olho no petróleo brasileiro

Relatórios disponibilizados pela CIA desde o final do ano passado permitem traçar um histórico do monitoramento a respeito da exploração do petróleo brasileiro.

Carta de Snowden: Denúncia é um ato de resistência

Última carta publicada pelo ex-agente secreto estadunidense.

China: O mito do “Socialismo de Mercado”

“A análise concreta da situação concreta é a alma viva, a essência do marxismo” Lênin.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Combinando devidamente a linha de classe com a Linha de Massas

 Combinar adequadamente a linha de classe com a linha de massa significa incorporar corretamente os requisitos da linha de classe e da linha de massa para fortalecer as fileiras revolucionárias e conduzir a revolução e a construção.

Implementar a linha de classe significa manter os princípios operários na revolução e construção e resolver todos os problemas do ponto de vista da classe trabalhadora. A República Popular Democrática da Coreia (RPDC) defende o caráter de classe e o caráter revolucionário da classe trabalhadora ao impulsionar a revolução e a construção, promovendo a causa do socialismo vitoriosamente, sem qualquer desvio ou deflexão.

Implementar a linha de massa significa salvaguardar os interesses dos amplos setores do povo e resolver todos os problemas que surgem na revolução e na construção, ativamente alistando a inesgotável força criativa e sabedoria do povo com confiança neles.

Em política, a (RPDC) personifica perfeitamente o princípio da ideia Juche de que as massas são mestres da revolução e da construção do socialismo e têm também a força para promove-las. Ao fazê-las, ele dá pleno jogo ao entusiasmo revolucionário do povo e da iniciativa criativa, e, confiando neste, impulsiona a revolução e construção do socialismo.

FONTE: Naenara

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Paramilitarismo: obstáculo para a paz

O comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo [FARC-EP], Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, expressou através de uma entrevista radiofônica que o paramilitarismo e a violência por parte do Exército colombiano fazem muito dano ao processo de paz.

Londoño chamou a dar um basta à violência como uma maneira de fazer política em Colômbia, pois isto põe em xeque o acordo de paz.

Durante a entrevista, o líder das FARC-EP também fez referência àqueles acontecimentos que no passado recente tanto mal fizeram aos desejos de alcançar a paz em Colômbia; exemplo disso, os assassinatos de líderes sociais, acontecimentos que ao final não representavam nenhuma mudança substancial para a sociedade colombiana.

O chefe do grupo insurgente falou dos dissidentes e esclareceu que de nenhuma maneira atuaram contra eles [a dissidência]. Ademais, sublinhou o fato de haver cumprido com o processo de desarme. “As Nações Unidas têm feito o registro das armas”.

A comissão de conciliação da Câmara de Representantes aprovou na terça-feira passada a Jurisdição Especial para a Paz [JEP], base do acordo de paz que se leva adiante entre o Governo da Colômbia e as FARC-EP.

A JEP se encarregará de definir juridicamente as condutas graves nas quais participaram atores do conflito armado, tudo isto sob as normas do Código Penal Colombiano, do Direito Internacional em matéria de Direitos Humanos [DIDH], do Direito Internacional Humanitário [DIH] e do Direito Penal Internacional [DPI].

FONTE: FARC-EP

Venezuela: Onde arranjar a verdade?

Encontrar onde radica a verdade e a razão na Venezuela é uma dor de cabeça para aquele que se encontrar no exterior e é bombardeado sistemáticamente com uma grande dose de desinformação.

No próprio Século XXI, quando as tecnologias da informação batem à porta em qualquer canto do mundo, a grande mídia consegue ocultar a realidade à grande maioria, neste caso, a vítima é a Venezuela e a maioria de seu povo é o vilão.
Um exemplo para ilustrar. Os grandes poderes dizem que o presidente Nicolás Maduro, deu um golpe de estado, que ele se autogolpeou.

Segundo analistas, o golpe de estado na Venezuela não o deu Maduro, mas sim o vem dando a nova Assembléia Nacional desde a sua instalação em 5 de janeiro de 2016, quando seu presidente, Henry Ramos Allup, afirmou que apenas em seis meses tiraria ao mandatário do governo.

Há pouco a economista e acadêmica venezuelana Pasqualina Curcio, abordou dum jeito muito especial a situação que vive esta nação latino-americana, olhando as coisas 'ao avesso'. Temos cá alguns dos 22 aspectos da realidade, vistos em reverso: Entre 1958 e 1998, durante 40 anos, realizaram-se 24 processos eleitorais, uma média de uma eleição a cada 2 anos. Depois de 1999, durante 18 anos, realizaram-se 25 eleições, incluindo referendos revocatórios e constitucionais, em média quase de duas eleições anuais.

Foram realizadas 3 eleições nos últimos 4 anos, desde 2013. Segundo os fatores que atualmente fazem oposição ao governo nacional, a partir de 1999 os venezuelanos estiveram submetidos a um regime ditatorial, cada vez mais tirano, sobretudo depois de 2013. Das mais de mil emissoras de rádio e televisão daquelas autorizadas pelo governo para operar no espectro eletromagnético, 67 por cento são privadas, 28 por cento estão em mãos das comunidades e 5 por cento são de propriedade estatal.

Dos 108 jornais que existem 97 são privados e 11 públicos. Da população venezuelana 67 por cento tem acesso à internet. Segundo os fatores políticos que fazem oposição ao governo nacional, na Venezuela não há liberdade de expressão.

O presidente da República, em pleno exercício de suas funções, no âmbito do período presidencial de seis anos, face atos de violência de parte de fatores locais, que procuram a desestabilização econômica, social e política, convocou a um diálogo pela paz aos setores da oposição.

A oposição não acude ao chamado; prefere promover atos de violência nas ruas. O presidente é um tirano e ditador, os democratas são os da oposição.

Todas as organizações políticas (os partidos) encontram-se em processo de renovação. Convocatória realizada por um dos cinco poderes públicos, o Conselho Nacional Eleitoral. Todos foram ao chamado de renovação.

Estão próximas as eleições regionais e municipais. Enquanto isso, dirigentes e seguidores dos fatores locais de oposição, bradam: Estamos sob uma ditadura!

Na Venezuela são violados todos os direitos humanos; será preciso aplicar-lhe a Carta Democrática Interamericana. É o que afirmava em Washington Luis Almagro, secretário geral da Organização de Estados Americanos.

Em simultâneo, na Genebra, a Organização de Nações Unidas aprovava de maneira abrumadora o Teste Periódico Universal apresentado por Venezuela. Exame que tem como objeto fiscalizar a situação de direitos humanos em cada um dos 193 países membros desta organização.

A ultradireita, que faz oposição ao governo nacional, financia e promove ações de violência e terrorismo: bloqueia ruas, avenidas e as principais estradas; atenta contra escolas e imóveis de saúde; em um ato fascista, terrorista e demencial usando mercenários para assediar e incendiar o Hospital Materno Infantil 'Hugo Chávez Frias' de El Valle, onde foram evacuados 58 recém-nascidos e mulhers asfixiados pela fumaça. Segundo estes fatores políticos de oposição, a responsabilidade é do governo nacional por controlar a situação, espalhar aos mercenários e por evacuar as crianças e mulheres.

Há escassez de alguns alimentos, medicamentos e produtos de higiene. As empresas encarregadas de sua produção, importação e distribuição, as grandes transnacionais, receberam de parte do governo nacional, as divisas à, taxa preferencial; receberam a matéria prima a preço subsidiado; mas lhe incrementou o preço aos produtos em quase 4.000 por cento em menos de um ano (2016).

O povo venezuelano faz longas filas para adquirir estes produtos. Os bens seguem sem aparecer nas prateleiras. Na Venezuela isto não é ineficiência da empresa privada, é um fracasso do modelo socialista.

Apesar de que aumentou seu preço 3.700 por cento (passou de 19 bolívares em março de 2016 a 700 bolívares em dezembro), cifra muito superior à inflação anual, centenas de clientes fazem longas filas para em a farinha precocida de milho para a torta de milho (o pão dos venezuelanos).

Os donos das empresas, ao reparar que todos seus clientes faziam longas filas para adquirir sua marca, responderam diminuindo 80 por cento a produção da farinha.

Escuta-se nos programas de opinião das rádios, sobretudo aquelas com uma linha editorial manifiestamente contrária ao governo nacional: 'Estamos na pior crise econômica, requeremos ajuda humanitária, ficamos a morrer de fome, não há comida, exigimos que se abrir o canal humanitário'. E a seguir se escuta: 'E agora publicidade... Convidamo-los a visitar o Restaurant X, ali poderão degustar variedades em carnes e pescados, sobremesas deliciosas, na rua tal e qual; leve a família toda neste fim de semana'...

'Caro amigo, cara amiga, vai de férias esta Semana Santa?, não deixe de passar pelo supermercado X, ali encontrará tudo o que você pecisar, variedade e bons preços para desfrutar de umas ótimas férias e descansar como você merece'.

Final da publicidade: 'Retornamos com o nosso convidado de hoje, especialista em economia, e seguimos conversando a respeito da necessidade urgente de abrir o canal humanitário na Venezuela pela falta de alimentos'.

A principal empresa do Estado venezuelano, Petróleos da Venezuela, provê 95 por cento das divisas do país; o outro quatro por cento corresponde a outras empresas do Estado. As empresas privadas geram a porcentagem restante. Na Venezuela, as empresas privadas são eficientes e bem-sucedidas, as do Estado são ineficientes.

A produção nacional per cápita na Venezuela nos últimos quatro anos é, na média, nove por cento maior a dos últimos 30 anos. A taxa de desemprego, a historicamente mais baixa em 30 anos, 6,6 por cento. A Venezuela está na pior crise e caos econômicos.

As principais indústrias do setor farmacêutico, as que importam, produzem e distribuem mais de 90 por cento dos medicamentos e materiais médicos cirúrgicos na Venezuela receberam de parte do governo nacional e a taxa preferencial mil 660 milhões de dólares em 2008 para importar os bens.

Em 2015 receberam 7,8 bilhões (mais que em 2008). Em 2008 não havia escassez de remédios, em 2015 sim. O responsável da ausência dos remédios é o governo.

A República cancelou mais de seis bilhões de dólares por conceito de compromissos de dívida externa durante os últimos quatro anos. O fez de maneira completa e pontual. Venezuela é qualificada como o país com maior índice de risco financeiro no mundo.

Possivelmente o Estado venezuelano é muito arriscado porque conta com a principal reserva de petróleo a nível mundial, a segunda de gás, a de água doce, diamantes, ouro e mais outros recursos. Tal condição deve implicar muito risco para alguns bancos.

Em abril de 2002 os golpistas que dissolveram todos os poderes públicos mediante um decreto que constitui a maior ofensa à Constituição Nacional, bradavam emocionados: Liberdade e democracia!'.

Segundo o avesso de Curcio, os que bradavam 'Liberdade e democracia!', naquela data no Salão Ayacucho do palácio de Miraflores, são os que aprovam hoje o suposto abandono do cargo do presidente da República. São os que hoje bradam 'Fora o ditador!', se referindo ao presidente constitucionalmente eleito com a maioria dos votos do povo venezuelano. Perante os olhos de alguns, sublinha, eles são os democratas.

A acadêmica interpreta o sentir da maioria, 'os venezuelanos patriotas, povo de paz, insistimos que é ao avesso'.

Luis Beatón

FONTE: Prensa Latina

Brasil: o que o golpe levou

Depois de se completar um ano em que setores diferentes da sociedade coincidiram em batizar como Dia da Infâmia: o julgamento político contra Dilma Roussef, o Brasil padece das nefastas consequências do golpe parlamentar judicial ou impeachment perpetrado contra a ex-presidenta constitucional.

Em 17 de abril de 2016, e alegando as ra-zões mais inverossímeis, 363 deputados federais apoiaram a decisão de começar um julgamento político, com o objetivo de fazer demitir a presidenta, eleita por mais de 54 milhões de brasileiros, sem que existissem fundamentos para sustentar o delito de responsabilidade ao qual era acusada.

Um dos últimos legisladores a votar contra a admissibilidade do pedido de impeachment, significou então a revista Anfíbia, qualificou o processo como uma votação indireta dirigida por um ladrão, (Eduardo) Cunha e um traidor, (Michel) Temer, com o propósito de anular o voto popular de 5 de outubro de 2014.

«Tratou-se de um julgamento de acusações políticas, sem bases legais, o qual viola o preceito constitucional», resumiu por seu lado o teólogo da libertação, Leonardo Boff, quem questionou, também, a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF), «por permitir o ato que nos envergonhou nacional e internacionalmente».

Certamente, a ação realizada na câmara baixa e cujo principal promotor, o ex-presidente do Parlamento, Eduardo Cunha, quem foi punido por corrupção e evasão fiscal e condenado a mais de 15 anos, deu cabo da segunda presidência de Dilma e colocou no governo seu vice-presidente (decorativo, segundo manifestou Cunha), Michel Temer.

«Fora da democracia existirá o caos e a incerteza permanentes», significou a esse respeito o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os acontecimentos, desde então, dão-lhe a razão.

Temer formou uma equipe de governo sem mulheres nem negros, com vários de seus integrantes investigados pela operação Lava Jato (alguns como o presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, PMDB, no poder, Romero Juca, não completaram nem sequer o mês como ministros) e que com a promessa de encaminhar a economia aplicou um programa neoliberal, rejeitado quatro vezes nas urnas.

Dessa forma, foi aprovado aquilo qualificado pelos analistas como o maior golpe aos direitos sociais inscritos na Constituição de 1988: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 55), que limita as despesas públicas governamentais por 20 anos, ajustando seu crescimento à taxa de inflação do período anterior.

«A PEC da maldade para uns, e para outros a PEC do fim do mundo, afetará de forma destrutiva as estruturas de proteção conformadas pelo Estado brasileiro nos últimos anos, aumentado as desigualdades», alertou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Segundo a entidade, como consequência do novo regime fiscal deixarão de ser investidos em programas sociais quase 868 bilhões de reais (mais de US$ 270 bilhões), entretanto no setor da saúde a perda será de 743 bi-lhões de reais (quase US$ 232 bilhões).

À chamada PEC do fim do mundo seguiram duas propostas semelhantes, também impulsionadas por Temer e que geraram, igualmente, ampla recusa popular: as reformas do sistema de pensões e para a flexibilização da legislação de trabalho, ambas serão apresentadas na câmara de deputados.

Isso, sem esquecer a promulgação rápida da lei que amplia a subcontratação (terceirização) de todas as atividades e que, segundo o critério dos sindicatos, além de promover o emprego — como alega o governo — o encarece, ainda que neste momento a taxa de desemprego mostre como nunca níveis elevados.

Contrário às promessas de recuperação do emprego, Temer enfrenta hoje o mais alto índice histórico de desemprego, com 13,5 mi-lhões de desempregados.

«No trimestre dezembro 2016-fevereiro 2017 o número de desempregados atingiu 11,7% (mais de 1,4 milhões de pessoas) respeito ao mês de setembro-novembro do ano passado e 30,6% (mais de 3,2 milhões de cidadãos sem trabalho) em relação ao ano 2015», disse o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A economia tampouco dá mostra claras de recuperação, pois finalizando março de 2017, o mercado financeiro reviu novamente as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano 2017, colocando-o em um fraco 0,47%. 

Não é sem motivo, e segundo uma sondagem da CUT/Vox Populi, cujos resultados foram revelados semana passada, apenas 5% dos brasileiros qualifica de positiva a gestão de Temer, no entanto 68% valoriza negativamente o desempenho do Executivo e 28% de regular.

Em uma palestra ministrada, em 13 de abril, na universidade estadunidense de Princeton, Dilma Rousseff, denunciou o caráter neoliberal, elitista, tecnocrata e antidemocrático do golpe que interrompeu sua presidência constitucional e deixou claro que este resultou ser a consequência do aumento das desigualdades no Brasil.

«Existe uma imobilidade absoluta perante tudo o que acontece, porque aqueles que efetuaram o golpe agora não sabem o quê fazer», significou.

Moisés Péres Mok

Fonte: Granma Internacional

Por que se fala de guerra cultural?

Os Estados Unidos têm uma vasta experiência na prática da guerra cultural contra todo projeto alternativo a sua hegemonia no ambiente internacional. A CIA e a guer-ra fria cultural, de Frances Stonor Saunders, constitui um livro imprescindível – a pesquisa mais completa sobre o tema – para compreender esta realidade. Este livro demonstra como, nos anos da Guerra Fria, o programa de guerra psicológica e cultural da CIA contra o bloco socialista foi sua joia mais prezada.

«Uma característica importante – assinala Stonor – das ações empreendidas pela agência para mobilizar a cultura como arma da guerra fria era a sistemática organização de uma rede de ‘grupos’ privados e ‘amigos’, dentro de um oficioso consórcio. Tratava-se de uma coalizão de tipo empresarial de fundações filantrópicas, empresas e outras instituições e indivíduos que trabalhavam lado a lado com a CIA, como fachada e como via de financiamento de seus programas secretos na Europa ocidental».

A guerra cultural é aquela que promove o imperialismo cultural, especialmente os Estados Unidos como potência líder do sistema capitalista, pelo domínio humano no terreno afetivo e cognitivo, com a intenção de impor seus valores a determinados grupos e nações. É um conceito que, entendido como sistema, integra ou se relaciona com elementos de outros termos que foram de maior uso, como o de guerra política, guerra psicológica, guerra de quarta geração, smart power, golpe leve, guerra não convencional e subversão política ideológica.

Não é a arte e a literatura – embora a arte e a literatura sejam usadas como instrumentos ou como alvos da guerra cultural – o objetivo principal da estratégia de guerra cultural do imperialismo contra um país em especial. O terreno em que se desenvolve a guerra cultural é, sobretudo, o de modos de vidas, os comportamentos, as percepções sobre a realidade, os so-nhos, as expectativas, as preferências, as maneiras de entender a felicidade, os costumes e tudo aquilo que tem uma expressão na vida cotidiana das pessoas. Conseguir uma homogeneização ao estilo estadunidense nesta área, sempre esteve dentro das máximas aspirações da classe dominante nos Estados Unidos, especialmente, a partir de que sua elite compreendeu a diferença entre dominação e hegemonia e que esta última não podia ser garantida apenas através de instrumentos coercitivos, mas era imprescindível a manufatura do consenso.

A guerra cultural desenvolvida historicamente até nossos dias por Washington, não é uma vã elucubração, mas se sustenta em fatos concretos e verificados, operações abertas e encobertas das agências do governo dos EUA, declara-ções dos líderes dessa nação e documentos reitores de sua política externa, tanto no plano diplomático como militar.

Zbigniew Brzezinski, um dos principais ideólogos imperiais, que foi assessor para Assuntos de Segurança Nacional do ex-presidente Carter, em sua obra, O Grande Tabuleiro Mundial, expressava:

«A dominação cultural foi uma faceta infra-valorizada do poder global estadunidense. Pense-se o que se pense acerca de seus valores estéticos, a cultura de massas estadunidense exerce uma atração magnética, especialmente sobre a juventude do planeta. Pode que essa atração se derive da qualidade hedonista do estilo de vida que projeta, mas sua atração global é inegável. Os programas de televisão e os filmes estadunidenses representam aproximadamente as três quartas partes do mercado global. A música popular estadunidense é igualmente dominante, entretanto as novidades, os hábitos alimentares e, inclusive, as vestes estadunidenses são cada vez mais imitados em todo o mundo. A língua da Internet é o inglês e uma esmagadora proporção das conversações globais através de computadores se originam também nos Estados Unidos, o que influencia os conteúdos da conversação global».

Este é o mesmo Brzezinski que em 1979, em um memorando enviado a Carter, recomendava o seguinte curso de política a seguir com Cuba: «O diretor da Agência Internacional das Comunicações, em coordenação com o Departamento de Estado e o Conselho de Segurança Nacional, devem incrementar a influência da cultura estadunidense sobre o povo cubano, mediante a promoção de viagens culturais e permitindo a realização de coordenações para a distribuição de filmes estadunidenses na Ilha».

Não há muito tempo foi divulgado um documento de extraordinária importância para compreender as estratégias atuais do imperialismo estadunidense, na área da guerra cultural. Trata-se do Livro Branco do comando de operações especiais do Exército dos Estados Unidos, de março de 2015 sob o título: Apoio das Forças de Operações Especiais à Guer-ra Política.

O que expõe em essência este Livro Branco é que os Estados Unidos devem retomar a ideia de George F. Kennan – antigo especialista estadunidense no tema soviético e arquiteto da política de «contenção face ao comunismo», no Departamento de Estado –, acerca da necessidade de superar a limitante do conceito que estabelece uma diferença básica entre guerra e paz, em um ambiente internacional onde existe um «perpétuo ritmo de luta dentro e fora da guerra». Isto é, que a guerra é permanente, embora adote múltiplas facetas e não possa limitar-se ao uso dos recursos militares. De fato, o documento expressa que se pode fazer guerra sem tê-la declarado e inclusive fazer a guerra ao tempo que se declara a paz.

«A guerra política é uma estratégia apropriada para atingir os objetivos nacionais estadunidenses, mediante a redução da visibilidade no ambiente geopolítico internacional e sem comprometer uma grande quantidade de forças militares», destaca o documento desde suas primeiras páginas. «O objetivo final da Guerra Política – continua mais adiante – é ganhar a “Guerra de Ideias, que não é associada com as hostilidades”. A Guerra Política requer da cooperação dos serviços armados, diplomacia agressiva, guerra econômica e as agências subversivas na área, na promoção de tais políticas, medidas ou ações necessárias para irromper ou fabricar moral».

Este Livro Branco é apenas um entre muitos estudos e recomendações de doutrinas e estratégias militares elaboradas em Washington, que a cada dia designam um papel mais principal aos componentes culturais e ideológicos em suas estratégias hegemônicas.

A GUERRA CULTURAL CONTRA CUBA

A guerra cultural contra Cuba não começou em 17 de dezembro de 2014, pois desde o próprio triunfo revolucionário Cuba enfrentou tanto os impactos da onda colonizadora da indústria hegemônica global quanto projetos específicos de guerra cultural projetados, financiados e implementados pelo imperialismo estadunidense, suas agências e aliados internacionais, com o objetivo de subverter o socialismo cubano.

Sobre isso assinalou Ricardo Alarcón: «A agressão cultural contra Cuba (...) Não só existe ainda, mas não para de aumentar. Conserva uma dimensão encoberta, clandestina, dirigida pela CIA, mas, também, desde os inícios da última década do século passado, tem outra dimensão pública, descaradamente aberta. O caso cubano é, por estas razões, absolutamente único, excepcional».

«È também porque o que nos fazem na área cultural foi sempre parte integrante de um esquema agressivo mais amplo, que incluiu uma cruel e permanente guer-ra econômica e a agressão militar, o terrorismo e outros atos criminais, cujo propósito, (...) detalhado em uma infame lei ianque, é pôr fim à nossa independência».

Um componente fundamental da guerra cultural dos diversos governos dos Estados Unidos contra a Revolução Cubana, foi a guerra psicológica e midiática.

O livro Psywar on Cuba. The Declassified History of US Anti Castro Propaganda (Guerra Psicológica em Cuba. A História desclassificada da Propaganda Estadunidense Anti-Castro), de Jon Eliston, publicado em 1999, revela como Washington praticou contra Cuba, durante décadas, a agressão psicológica e propagandística e que ela incluía livros, jornais, charges, filmes, panfletos e programas de rádio e televisão.

Outra área predileta da guerra cultural foi a história. Manipula-se e tergiversa nosso passado, atacam-se os alicerces mais sensíveis e simbólicos, precisamente porque se pretende varrer com o exemplo da Revolução Cubana desde sua própria raiz.

Que são a Rádio e a TV Martí, estruturas criadas para a guerra cultural em seu sentido mais amplo contra o projeto revolucionário cubano?

Existe uma grande diferença entre a diplomacia pública que desenvolvem muitos países na arena internacional e as ações que historicamente praticaram os diversos governos estadunidenses. Por trás deste vocábulo «inofensivo», escondeu-se toda uma maquinaria de difusão de valores políticos e culturais dos Estados Unidos, que para nada leva em conta o respeito à soberania das nações e a diversidade cultural dos povos. Não se trata apenas de influência, mas de ingerência encoberta e aberta nos assuntos internos de outros estados.

À hora de avaliar os desafios que enfrentamos, às vezes, se adotam posições triunfalistas, de uma visão reducionista da cultura, entendida estritamente como arte e literatura. Claro que entre Cuba e os Estados Unidos existiram influências e confluências culturais durante mais de dois séculos, graças às quais ambos os povos nos enriquecemos espiritualmente, mas os desafios fundamentais se dão na área dos estilos de vida, na cultura política e nos hábitos sociais.

Perante essa realidade, não há melhor antídoto que o patriotismo, a cubanidade – não cubanidade castrada – o antiimperialismo, o anticolonialismo e que, junto ao fomento de referentes culturais sólidos, consigamos um sujeito crítico, de profunda formação humanista, capaz de discernir por si mesmo entre a avalancha de produtos culturais com os que interage, onde está o realmente valioso. Esse sujeito crítico só é possível forjá-lo desde as idades mais precoces, através do treino no debate e no confronto de ideias, com a participação ativa da família, a comunidade, a escola, a mídia e as organizações políticas e de massa. Com certeza, todas as ações que desenvolvamos na área cultural devem ser acompanhadas de fatos e realizações concretas, de fazer as coisas bem em todos os setores e que os resultados desse trabalho se manifestem na vida cotidiana de nosso povo.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Trabalhadores e Trabalhadoras à Greve Geral dia 28 de Abril!

 O Brasil vive um caos, direitos que a classe trabalhadora conquistou através de muitas lutas estão sendo cortados, empresas e riquezas nacionais estão sendo entregadas para a mão dos grandes capitalistas internacionais. Para o povo além da humilhação do desemprego e do aumento do custo de vida, a repressão esmaga todos os setores que se opõem as medidas antipopulares do atual governo ilegítimo.

Esse cenário tem como origem a maior crise do sistema capitalista das últimas décadas, crise que tem como fundo as orgias financeiras da burguesia, e que a responsabilidade da mesma caiu sob os ombros da classe trabalhadora. E foi justamente para justificar que os trabalhadores (as) paguem essa crise que os ricos derrubaram a presidenta honesta Dilma Rousseff que obteve 54 milhões de votos, sem que essa cometesse nenhum crime, pois as medidas desses golpistas jamais passariam pelo crivo do voto popular, restando para essas elites somente uma solução, um processo de impeachment fraudulento que culminou num golpe de Estado. E em que pontos se sustenta esse golpe que não é somente contra um determiando partido político, ou contra uma Presidenta, mas fundamentalmente contra o povo brasileiro?

O Golpe de Estado consolidado em agosto de 2016, trouxe à tona a plataforma “Ponte Para o Futuro” do presidente ilegítimo Michel Temer, apoiado pelos grandes bancos, pelo imperialismo dos EUA e pelas forças mais retrógradas do país, verdadeiros vendedores e traidores da pátria brasileira. Essa plataforma se consiste na entrega de riquezas nacionais como o Pré-Sal (maior reserva de petróleo do mundo) as empresas estrangeiras, o congelamento de investimentos públicos por 20 anos em áreas fundamentais como a saúde e a educação, além da reforma do ensino médio tirando da grade escolar a obrigatoriedade de disciplinas como História, Filosofia, Artes e Educação Física, promovendo a cruel reforma da previdência colocando como idade mínima de 65 anos para se aposentar. Todas essas medidas visam baratear a mão de obra, e explorar o trabalhador até o seu limite físico, aumentando a pobreza do povo na mesma medida que transfere riqueza para os bancos e para os países mais ricos.

Além disso soma-se o reallity show da Lava Jato em que mídia golpista (principalmente a Rede Globo) em conjunto com o sistema judiciário comprometido com as oligarquias e com o imperialismo, dissolve a soberania nacional, os projetos de desenvolvimento da economia e quebra a indústria brasileira visando reforçar a hegemonia dos EUA sob as economias não só do Brasil, mas de toda a América Latina sob o disfarce da “caça aos corruptos” e da culpa dos governos de Lula e Dilma por toda a corrupção no Brasil desde Pedro Álvares Cabral. Blocos que visavam fortalecer as economias do Terceiro Mundo como o BRICS e o Mercosul são destroçados, estando o Brasil a um passo de entregar até mesmo bases militares para os EUA. Em síntese para as elites o Brasil não tem seu direito de ser um país soberano, mas deve ser condenado a ser um eterno capacho dos países mais ricos do capitalismo.

Assim o Golpe de Estado representado sob a figura ilegítima de Michel Temer passa fundamentalmente por fornecer um Circo que aliene os trabalhadores e justifique o golpe (a Operação Lava-Jato), Pão para os poderosos através do aumento da exploração dos trabalhadores (as), e uma política fascista de extermínio das juventudes que estão confinadas nas periferias e nas favelas, como a jovem Mária Eduarda de apenas de 13 anos fuzilada pela PM, ou dos 5 jovens em Costa Barros que foram fuzilados com 111 tiros quando iam festejar o primeiro emprego de um deles, ambos não foram atitudes isoladas, se o circo é para os incautos e para os paneleiros da camisa da CBF que vão empobrecendo enquanto aplaudem o leão que os engole, e o pão é para os ricos que lucram com mais exploração dos trabalhadores, o pau é para a classe trabalhadora, que sofre o golpe de Estado na pele com mais exploração, repressão e genocídio por parte do Estado.

Tranquilidade para os ricos e para os seus representantes, terror para o povo trabalhador e pobre, e se a classe dominante precisa recuperar o que perdeu na crise quem deve pagar são os que trabalham, a exemplo do sucateamento da vida dos servidores públicos, com salários atrasados e falta de condições de trabalho.

Com isso não há outra solução para a classe trabalhadora que não seja se organizar coletivamente para combater essa plataforma que visa esmagar o povo, é necessário que o povo se organize onde viva, nos bairros, nas favelas, nas associações de moradores, nas igrejas, nos estádios de futebol, nas escolas, nos locais onde produzam cultura. Essa é a proposta dos Comitês de Luta Contra o Neoliberalismo (CLCN), tornar cada reduto onde haja povo uma fortaleza de resistência e organização popular para que os trabalhadores com suas próprias forças decidam seu destino, construam seu futuro com justiça social e soberania popular, um futuro socialista. Os Comitês de Luta Contra o Neoliberalismo e pelo Socialismo tem essa proposta.

Convocamos toda classe trabalhadora a estar nas ruas no dia 28 de Abril construindo a Greve Geral contra as medidas antipopulares do governo golpista de Temer, e contra o Golpe de Estado que visa esmagar as conquistas populares, e lutar para restituir a democracia no país. Cada pequeno gesto é importante para construir a Greve Geral, derrubar o governo ilegítimo de Temer e devolver o mandato da Presidenta honesta Dilma Rousseff, com um plano de emergência que combata a pobreza, o desemprego e anule as medidas dos golpistas, promova uma Constituinte Soberana e abra o processo para alavancar as forças populares.

Converse com vizinhos, parentes, amigos, discuta na sua igreja, escola ou ambiente de trabalho a necessidade da Greve Geral e da luta contra o Golpe! 

 À Greve Geral do Dia 28 de Abril!
Abaixo o Golpe de Estado Neoliberal!
Pela anulação do impeachment e a devolução do mandato de Dilma Rousseff!
Por uma Constituinte Soberana!


Movimento Nacional de Lutas Pelo Socialismo
Juventude 5 de Julho

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Dilma Rousseff: O fantasma do golpe continua rondando o Brasil

O fantasma do golpe de Estado continua hoje rondando o Brasil, afirmou aqui a ex-presidenta Dilma Rousseff, quem advertiu que forças reacionárias poderiam tentar impedir uma vitória eleitoral do ex-mandatário Luis Inácio Lula da Silva.

Em entrevista ao jornal La Jornada, Dilma disse que se as eleições de 2018 respeitarem o marco constitucional, Lula ganhará a presidência.

Tampouco descartou que por meios neogolpistas se invalide o processo eleitoral e se desrespeite o voto popular. O fantasma do golpe de Estado continua rondando Brasil, alertou.

Dilma está de visita na capital mexicana onde, junto com o ex-candidato presidencial Cuauhtémoc Cárdenas, dissertará sobre o tema da democracia na América Latina.

O Brasil está vivendo um processo acelerado para impor um Estado de exceção, com medidas específicas que corroem a democracia, avaliou diante da alta impopularidade do governo de Michel Temer. As pessoas estão-se dando conta da verdade, acrescentou.

Comentou ainda que no seu país o golpe ocorreu para 'desmantelar as políticas sociais e de desenvolvimento e para encaminhar o país, política, social e economicamente para o neoliberalismo. Eliminaram-se as políticas sociais, vendeu-se o patrimônio público, desmantelaram-se algumas empresas estatais'.

'Por exemplo, o Congresso ilegítimo aprovou uma emenda que congela durante 20 anos a despesa em saúde e educação. É uma medida que evidencia seu caráter eminentemente autoritário e, mais que isso, inconstitucional', indicou.

'Por outra parte, eles já começaram a vender o patrimônio nacional, os recursos petroleiros, as terras, a quem quer que venha, inclusive aos capitais estrangeiros', considerou.

Segundo a ex-mandatária, na medida em que se aproximam as eleições de 2018 a situação nacional torna-se mais contraditória, com um desgaste grande do governo e o aumento da popularidade e aprovação para a candidatura de Lula.

Além disso, sublinhou-, decorre toda esta avalanche de acusações e julgamentos por corrupção que já atingiram oito ministros, 24 senadores, 39 deputados federais, três governadores e um juiz do tribunal da conta pública.

Apontou que o golpe de Estado no Brasil rompeu a relação interregional. 'Não estão inteiros nem a União das Nações Sul-americanas, nem o Mercado Comum do Sul nem a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos, os três organismos que cresceram bastante nesse período'.

FONTE: Prensa Latina

Cerca de 20 milhões de pessoas correm risco de fome

O diretor geral da FAO, José Graziano de Silva, advertiu hoje que umas 20 milhões de pessoas no Sudão do Sul, na Somalia, no norte da Nigéria e no Iêmen correm risco de morrer por causa da fome.

Ao fazer a abertura do 165 período de sessões da Organização de Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da Silva alertou que se algo não for feito a tempo em seis meses ocorrerá uma catástrofe humana nessas cinco nações.

Situação que como disse, 'a fome não só mata à gente' senão que também contribui à 'instabilidade social' e igualmente 'perpetua o ciclo de pobreza e dependência da ajuda que perdura durante décadas.

Antes, o diretor do organismo internacional da ONU chamou a atenção aos membros do Conselho e aos representantes dos países membros da FAO, que erradicar a pobreza extrema e conseguir fome zero como objetivos da Agenda 2030, requer atuar em muitas frentes.

Mencionou entre eles lutar contra a mudança climática, gerenciar os recursos naturais de uma maneira sustentável e aumentar a resistência dos pobres agricultores familiares e comunidades rurais frente aos conflitos e as crises prolongadas.

Da Silva comentou uma recente visita realizada por ele à Bacia do Lago Chade no princípio deste mês, onde os agricultores familiares e comunidades pobres rurais vivem em extrema pobreza e lutam contra os efeitos da mudança climática, as secas relacionadas, a falta de investimento público e de oportunidades para os jovens.

Além disso apontou que os meios de vida estão devastados pelos conflitos e pelos grupos armados e advertiu sobre a urgência de que essas pessoas recebam apoio, tarefa que se encontra bloqueada a FAO e seus sócios na região.

A distribuição de sementes de cereais, comida e vacinas e a provisão de transferências de dinheiro são algumas das contribuições da agência de ONU, junto à iniciativa da reposição dos rebanhos dos pastores.

Se não fazemos isto, disse da Silva, se acaba a esperança para essa pessoas, e apontou que eles 'têm que voltar a seus postos de trabalho, e a FAO tem a intenção de lhes ajudar ao fazer'.

Anunciou em tal sentido que se estuda a possibilidade de abrir um novo escritório subregional para o qual teve já uma reunião com representantes dos quatro países que expressaram interesse em a acolher.

As prioridades da FAO para o período 2018-2019 é tema da agenda deste Conselho, cujas sessões se estenderão até a sexta-feira, e da Silva adiantou em sua intervenção as 10 áreas prioritárias para a FAO aumentar sua capacidade técnica.

FONTE: Prensa Latina

A força de 'os de abaixo'

O ciclo pós neoliberal latino-americano, que inaugurou nosso século XXI com suas particulares expressões nacional-populares e progressistas, não poderia ser explicado sem a presença ativa de um amplo e vigoroso arco de movimentos sociais, que souberam resistir, primeiro, às ditaduras militares da década de 1980, e depois à tecnocracia neoliberal dos anos 1990 -devota da globalização hegemónica- que veio a ocupar o lugar deixado pelos comandos castrenses, só para atingir idênticos objetivos por outros meios.

Era o tempo da democracia de baixa intensidade, como a designou o intelectual argentino Guillermo O'Donnell: as formas eleitorais impunham-se ao conteúdo político emancipador, em uma região que se perfilava já como a mais desigual do planeta.

Com aguda ironia, o mexicano Carlos Monsiváis observava que o neoliberalismo finisecular fazia do livre mercado 'o totem que preside a eternidade do capitalismo, na inevitável versão selvagem', e agregava: 'o mercado livre aspira à faixa de culto de índole religiosa, no lugar exato onde esteve a revolução. E os convertidos ao credo financeiro exercem o ódio à discrepância antes associado com o estalinismo. Dos vencedores é a ira que a si mesma se sacraliza'.

Os vencedores, efetivamente, desataram uma ofensiva política, econômica e cultural que inocula a desesperança em amplos setores das sociedades latino-americanas, proclamou a derrota da revolução, proscreveu as alternativas e ofereceu um eterno presente de consumo e cultura de massas como consolo para as utopias rompidas. Foi uma guerra de terra arrasada no campo da ideologia e a batalha de ideias. Nessas condições, que futuro lhes esperava a nossos povos? Os movimentos sociais ofereceram uma resposta: era preciso reconstruir os tecidos rasgados a força de baionetas e desaparecimentos, e optar pela autêntica intensidade democrática desde a ação coletiva. Frente ao dito do fim da história, com o que Fukuyama cumprimentou o triunfo do capitalismo e a imposição da democracia de mercado como modelo único, na América Latina se começou a escrever uma contra história:

Desde finais dos anos 1980, e até meados da primeira década do século XXI, as sublevações populares e indígenas sucederam-se na Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina e Brasil, e criaram as condições que permitiram a ascensão ao poder de lideranças políticas que fraturaram a hegemonia neoliberal, em uma região que, até então, parecia irremediavelmente condenada a permanecer sob a égide do imperialismo estadunidense e do capitalismo selvagem.

Hoje, em uma conjuntura na que as derrotas eleitorais de alguns desses governos propõem incertezas sobre o futuro do ciclo nacional-popular e progressista, as manifestações em massa que por estes dias sacodem a Argentina e Brasil, em rejeição das políticas de ajuste dos presidentes Mauricio Macri e Michel Temer, enviam uma mensagem esperançada.

Uma vez mais, como em tantas outras ocasiões em nossa história, são as organizações políticas e sociais, os trabalhadores e estudantes, os cidadãos indignados, os lutadores e lutadoras de nossa América os que, com a energia soterrada dos de abaixo, nos mostram que sim é possível confrontar a restauração neoliberal porque ainda existe a força social suficiente para se rebelar e disputar o campo político a umas direitas que não têm mais projeto que a destruição das conquistas e avanços destes anos.

FONTE: Prensa Latina

sábado, 22 de abril de 2017

III Guerra Mundial como Estratégia Imperialista

Prenunciam-se novas tragédias no Oriente Médio, mais golpes na América Latina e escalada da tensão nas relações EUA-Rússia. Antigo plano de Washington é invadir sete países: Iraque, Síria, Somália, Líbia, Sudão, Irã e Iêmen. Nada muda com Trump, como sempre esteve claro que ocorreria. Nada mudou com os maiores lobistas da política norte-americana: os sionistas que felicitam Tio Sam agora, por mais um crime de guerra contra a Síria. A III Guerra Mundial está na agenda do dia, e não eclodirá por mero acidente

Donald Trump não se importa com o fato de que a comunidade internacional tenha condenado os ataques norte-americanos com 59 mísseis à base aérea síria da cidade de Homs que, na última sexta-feira (7), deixaram como saldo nove mortos, incluindo quatro crianças: a ofensiva foi unilaterais, isto é, não recebeu prévia autorização da ONU nem do Congresso dos Estados Unidos. O presidente norte-americano tampouco dá a mínima importância ao fato de que não haja nenhuma prova de que os ataques com armas químicas no último dia 4, ali mesmo, tenham partido do governo sírio conforme acusação irredutível da Casa Branca.

Pois a administração de Trump vai além do ataque inconstitucional e contra as leis internacionais: um dia dia depois dos ataques, anunciou embargo econômico à Síria. Eis que o filme iraquiano de invenção de armazenamento de armas químicas e de unilateral embargo repete-se, tragicamente. Repete-se tragicamente na Síria hoje, com o ataque de dezenas de mísseis à base aérea na cidade de Homs, as mesmas manipulações envolvendo o “combate ao terror” no Afeganistão, na Líbia e, especialmente, no Iraque quando, em 2003, os Estados Unidos contrariaram a ONU e todas as evidências (até afirmações de Saddam Hussein quem, em determinados momentos, colaborou com inspetores da ONU) e invadiram o país sob pretexto de que o governo local armazenava armas químicas e biológicas. O Império mais terrorista da história, irregenerável e sem limites.

Assim como George Bush, que se denominava “o presidente da guerra”, Trump aumentou em 54 bilhões de dólares os gastos militares para este ano fiscal, que alcançará 658 bilhões de dólares no final de 2017, enquanto corta drástica e raivosamente investimentos sociais como nas áreas de saúde, educação e assistência social.
Pouco depois do anúncio do aumento em defesa, em 4 de abril o novo inquilino da Casa Branca cortou o financiamento dos Estados Unidos junto ao Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), em favor da redução das desigualdades sociais em todo o mundo, especialmente dos setores mais vulneráveis como mulheres e crianças.
Palhaço Assassino na Casa Branca

Procurada em uma conversa particular com este autor logo que Trump vencera as eleições presidenciais em novembro do ano passado, a líder da Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão (RAWA, na sigla em inglês) que se identifica apenas como Friba para sua segurança, já que a RAWA atua na clandestinidade, demonstrava desconfiança total em relação ao presidente eleito nos EUA pois, segundo a ativista afegã pelos direitos humanos, “o presidente dos Estados Unidos tem pouco ou nenhum efeito sobre a política externa do país, especialmente nos países que ocupa hoje. A administração Obama não era diferente de George Bush, e Trump não será diferente de ambos os presidentes”.
Friba, quem garante que a Operação Liberdade Duradoura dos Estados Unidos no Afeganistão “causa um 11 de Setembro todos os dias” em seu país, ressaltou diversas vezes na conversa particular que Trump seria, assim como todos os inquilinos da Casa Branca, mero instrumento de um sistema imperialista. “Nenhum presidente dos Estados Unidos tem autoridade real, mas todas as políticas são estabelecidas pelas grandes corporações, pela CIA, pelo Pentágono e pelos chefes do Exército. O presidente é apenas um boneco em suas mãos. Não é uma questão de escolha de Trump nem de qualquer outro presidente dos Estados Unidos suspender a guerra”.
À época Friba não apenas previa que Trump aumentaria a intensidade da guerra em seu pais, como também na própria Síria, no Iraque e na Líbia. “O Afeganistão não verá nenhuma mudança positiva, e o sírios, iraquianos e líbios sofrerão ainda mais”. Pois não tardou sequer uma semana para que a voz afegã, conhecedora como poucas das “intervenções humanitárias” dos Estados Unidos, se mostrasse, desgraçadamente, certeira.
Desde que chegou à Casa Branca, aquele que se apresentava, entre profundas contradições nos ditos e feitos, como futuro dialogador internacional, em três meses de governo já apresenta média de ataques por drones e contra civis no Oriente Médio que supera as de George W. Bush e Barack Obama.
Logo em seu primeiro final de semana, Trump mostrou a que veio através de dois ataques com drones no Iêmen, que matou dez pessoas: um atingiu três pessoas em uma moto, e o outro atingiu sete pessoas que se moviam dentro de um carro. Uma semana depois da posse, Trump lamentou a morte de um Seal da Marinha dos Estados Unidos em um ataque ordenado pessoalmente por ele no sul do Iêmen. Trump não mencionou as 30 pessoas, incluindo ao menos dez mulheres e crianças, mortas pelos bombardeiros de seu Exército. O ataque causou graves danos a um centro de saúde, a uma escola e a uma mesquita.
Uma semana após a posse, Trump lamentou a morte de um Seal da Marinha dos Estados Unidos em uma invasão ordenada por ele no sul do Iêmen. Trump não mencionou as 30 pessoas, incluindo pelo menos 10 mulheres e crianças mortas pelos bombardeiros dos EUA. O ataque causou estragos graves um centro de saúde, em uma escola e em uma mesquita.
“Quase mil mortes de não combatentes já foram registradas devido a ações da coalizão em todo o Iraque e na Síria em março – um registro recorde”, de acordo com aAirwars, organização não-governamental que monitora vítimas civis de ataques aéreos no Oriente Médio.
Apenas na segunda quinzena de março contabilizaram-se nada menos que 300 mortes de civis no Oriente Médio, vítimas dos bombardeios norte-americanos. Na Síria foram 100: ao menos 47 pessoas morreram em uma mesquita em Aleppo; 20 mortes vítimas de bombardeios sobre casas, uma escola e um hospital em Tabqah; e pelo menos 33 mortos em uma escola que abrigava 50 famílias deslocadas pelos combates, perto de Raqqa. Em Mosul, foram 200 “baixas civis” (eufemismo para assassinato), vítimas do “efeito colateral” (crime de guerra) das “bombas inteligentes” (enriquecedoras da indústria bélica em nome dos interesses econômicos e estratégicos) dos Estados Unidos.
Segundo relatório da Anistia Internacional, as forças da coalizão têm se utilizado de fósforo branco em Mosul, arma química que rasga o corpo do individuo vivo, e queima até os ossos. A revista norte-americana relatou recentemente que o próprio Comando Central dos EUA confirmou o uso de urânio empobrecido contra o Estado Islamita no Iraque, “indiscutivelmente crime de guerra” segundo a renomada jurista estadunidense, Marjorie Cohn.
Abu Ayman, residente em Mosul, disse à Reuters que viu várias casas demolidas e os corpos de seus moradores cortados, espalhados. “Corri para a casa do meu vizinho e, com outros cidadãos, conseguimos resgatar três pessoas, mas pelo menos outras 27 na mesma casa foram mortas incluindo mulheres e crianças de parentes que haviam fugido de outros distritos”, disse ele. “Nós tiramos alguns do meio dos escombros usando martelos e pás para remover detritos. Não podíamos fazer nada para ajudar os outros, pois estavam completamente enterrados sob o telhado desmoronado”. Um outro morador de Mosul disse: “Agora, parece que a coalizão está matando mais pessoas do que o Estado Islamita”.
‘Combate ao Terror’: Diálogo de Surdos

Friba foi procurada novamente após os ataques dos EUA à base aérea síria no último dia 7. “Sem guerra, a superpotência não pode durar muito tempo nem superar a crise financeira doméstica. É a guerra que gira as rodas do seu sistema econômico”, afirmou indignada a líder da RAWA. “Quem se senta na Casa Branca serve o 1% dos poderes corporativos, o que significa espalhar a guerra por todo o mundo para pilhar petróleo e matérias-primas de nações pobres, mantendo a hegemonia dos Estados Unidos e derrotando seus rivais”.
Marjorie Cohn também foi contactada por esta reportagem, a fim de comentar se violam ou não a Constituição dos Estados Unidos os últimos ataques com mísseis por parte dos “policiais do mundo”, como disse igualmente indignado o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no mesmo dia dos bombardeios à Síria. A Constituição norte-americana proíbe as guerras preventivas, ou seja, sem que os Estados Unidos tenham sido anteriormente atacados por algum Estado. Segundo Marjorie, a Constituição prevê o uso da força militar apenas no caso de “emergência nacional criada por ataque aos Estados Unidos, aos seus territórios ou a suas posses, ou a suas Forças Armadas”, o que ela aponta que não ocorreu neste caso.
Porém, a legista afirma que existe, legalmente, a possibilidade de que os Estados Unidos ataquem outro Estado sem ter sido previamente atingido através da Resolução de Poderes de Guerra (War Powers Resolution), que pode ser aplicada apenas nas seguintes situações: “Primeiro, após o Congresso ter declarado guerra, o que não aconteceu neste caso. Segundo, quando há ‘autorização estatutária específica’ através de uma Autorização para o Uso da Força Militar (Authorization for the Use of Military Force, AUMF) o que, novamente, não ocorreu”. Pois o presidente Trump justificou os ataques com mísseis à Síria, exatamente, sobre a AUMF.
Outra renomada jurista ouvida por esta reportagem, Azadeh Shahshahani, ativista pelos direitos humanos e diretora do Projeto de Segurança Nacional pelos Direitos dos Imigrantes da União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), lembra que “houve aplicação de AUMF no caso da guerra contra o Afeganistão, e uma resolução do Congresso no caso da guerra contra o Iraque. Continua sendo debatida a questão em relação a onde essas bases eram suficientes para se declarar guerra”. Azadeh diz concordar com Marjorie, em que “não existem justificativas para o ataque à Síria, e que Trump excedeu a autoridade”.
Quanto às leis internacionais, o presidente Trump passou por cima da Carta das Nações Unidas, tratado ratificado pelos próprios Estados Unidos que requer duas justificativas para uso da força militar contra um Estado soberano, sem o prévio consentimento deste, ou seja, uma declaração de guerra: que o país atacante, alegando autodefesa, tenha sido atacado antes em seu território, ou que tenha sido autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU. Como no caso das leis norte-americanas, nenhum destes elementos estiveram em vigor nos ataques perpetrados pelas forças norte-americanas à base aérea síria do último dia 7, já que a ONU não autorizou o ataque e o impedimento do suposto uso de armas químicas, alegação da administração de Trump, não configura auto-defesa.
As questões legais são apenas uma introdução ao diálogo de surdos imposto pelos poucos tomadores de decisão de Washington, quando o assunto é “Guerra ao Terror”. Conforme abordado em Global Research na reportagem Relações Rússia-EUA: Escalada das Tensões sob Risco de Guerra Nuclear , é fato comprovado que o Estado Islamita (EI, ou Daesh ou ainda ISIS) e a Al-Nusra, filiada à Al-Qaeda no Iraque, têm atacado com armas químicas fornecidas por Washington.
Quem tem confirmado essa informação, entre diversos meios de comunicação como o New York Times, são inspetores da ONU e o próprio Departamento de Estado dos Estados Unidos, quem reconhece que não existem “rebeldes moderados” na Síria. No que diz respeito ao governo sírio, jamais foi provada nenhuma acusação de Washington e seus aliados ao longo dos anos, nem neste caso específico da semana passada que Bashar al-Assad utilizou-se de armas químicas. “Não ataco com armas químicas sequer os terroristas, muito menos faria isso contra civis”, tem afirmado o presidente sírio.
O EI, assim como a Al-Qaeda e suas franquias, nada mais é que um dos tantos subproduto das invasões dos Estados Unidos no Oriente Médio, inconstitucionais e contrárias às leis internacionais: passou a existir no Iraque pós-invasão norte-americana em 2003, por jovens radicalizados pela invasão ocidental que acabaram se espalhando pela região.
Contudo, um breve histórico da ocupação norte-americana no Oriente Médio (ocultada por Washington e por seus porta-vozes da grande mídia internacional) traz a compreensão de que a denominada Guerra ao Terror foi arquitetada bem antes dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 (cuja versão oficial é insustentável), para ser infinita e servir como pretexto para a permanência das bases militares norte-americanas na região mais rica em petróleo do mundo. E como consequência, por que este diálogo supostamente em prol do combate ao terrorismo internacional, do jeito que está imposto pelas grandes potências e pela mídia, não leva a lugar nenhum enquanto apoiado na desinformação, na total inversão de papeis.
A versão oficial diz que a União Soviética invadiu primeiro o Afeganistão em 1980, e que posteriormente os Estados Unidos saíram em defesa do país centro-asiático. Porém, ao contrário do que dizem até hoje os livros de História e a narrativa da própria mídia predominante, a invasão da CIA ao Afeganistão precedeu à soviética. Nas palavras de Zbigniew Brzezinski, conselheiro de Segurança Nacional do então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter (1977-81), a intenção da Casa Branca era “dar à União Soviética o seu Vietnã, e atolá-la no Afeganistão” (vídeo de Brzezinski incentivando afegãos a combater inimigos em nome de Alá, em 1979).
“De acordo com a versão oficial, o apoio da CIA aos mujahideen (combatentes) começou em 1980, ou seja, depois da invasão do Afeganistão pelo exército soviético em 24 de dezembro de 1979. Mas a realidade, mantida em segredo até hoje, é completamente diferente: foi em 1979 quando o presidente Carter assinou a primeira diretriz para o apoio secreto da oposição contra o regime pró-soviético, em Cabul. E no mesmo dia eu escrevi uma nota, na qual expliquei ao presidente que esse apoio levaria, na minha opinião, a uma intervenção militar dos soviéticos”, afirmou Brzezinski em 1997 ao jornal francês Le Nouvel Observateur (entrevista reproduzida dias depois pela rede de notícias norte-americana CNN, para nunca mais se tocar no assunto).
A partir daquele momento, a USAID, conhecida ONG de fachada da CIA, passou a estabelecer as madrassas (escolas de guerra religiosa, ou a nova jihad, versão norte-americana) em solo afegão e paquistanês com livros didáticos made in Nebraska, ensinando a jihad violenta aos meninos, jovens e adultos locais.
Procurada para comentar também sobre as madrassas, Friba confirma as informações oficiais dos Estados Unidos, ao afirmar que “muitas dessas escolas e universidades operam abertamente e propagam o extremismo religioso ainda hoje, e recebem grandes fundos dos políticos. Tudo isso é aceito pelo establishment paquistanês”. O ISI (Inter-Services Intelligence), inteligência paquistanesa, opera em estreita parceria com a CIA desde a década de 1970. “O complexo de inteligência militar do Paquistão controla o nascimento e a nutrição dessas escolas islamitas para promover seus planos odiosos, tanto no Paquistão como no Afeganistão. O Paquistão tem promovido seus interesses no Afeganistão por décadas, através de fundamentalistas treinados e educados em suas madrassas; os talibans são, puramente, subprodutos dessasmadrassas”, acrescenta Friba.
O próprio sítio Council on Foreign Relations, famoso think tank dos “falcões (hawks) norte-americanos tais como o senador republicano John McCain (político norte-americano que mais recebe verbas do lobby armamentista), publicou em 2009:
“O relatório da Comissão do 11 de Setembro, divulgado em 2004, afirmou que algumas das escolas religiosas do Paquistão, ou madrassas, serviram como “incubadoras de extremismo violento. (…) Novas madrassas brotaram, financiadas e apoiadas pela Arábia Saudita e pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, onde os estudantes foram encorajados a se juntar à resistência afegã. O Taliban foi formado no início da década de 1990 por uma facção afegã de mujahideen, combatentes islamitas que tinham resistido à ocupação soviética do Afeganistão (1979-1988) com o apoio secreto da Agência Central de Inteligência dos EUA e sua contraparte paquistanesa, a Inteligência Inter-Serviços (ISI). Eles foram acompanhados por tribos pashto mais jovens que estudaram em madrassas paquistanesas, ou seminários; Taliban, no idioma pashto, significa ‘estudante’.”
documento intitulado USAID REPORT 1994 – Missão no Paquistão e Afeganistão, Projeto de Apoio à Educação, de 1994, afirma que, através de mais esta “ajuda humanitária” dos norte-americanos, criou-se os materiais didáticos que ensinam uma guerra religiosa que, hoje, Washington tanto condena. Como parte do “apoio à educação”, na realidade à resistência afegã à invasão soviética inculcando o fundamentalismo religioso, a USAID gastou 50 milhões milhões de dólares em um projeto de “alfabetização jihad (guerra religiosa)” entre 1986 e 1992.
Em 2002, o jornal norte-americano The Washington Post informou: “Até mesmo os talibans usaram os livros produzidos nos Estados Unidos”. Mais tarde, em julho de 2014, o mesmo Post lembrou: “Impresso em pashto e em dari, as duas principais línguas do Afeganistão, livros como O Alfabeto para a Alfabetização Jihad foram produzidos sob os auspícios da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), pela Universidade de Nebraska, e contrabandeados para o Afeganistão através de redes construídas pela CIA e a agência de inteligência militar do Paquistão, o ISI. (…) De acordo com pelo menos um estudioso norte-americano, esses antigos textos anti-soviéticos ainda estão em circulação. (…) A versão em pashto inclui ilustrações para crianças, tais como ‘T’ para ‘topak’, ou arma em pashto. Como você usa a palavra? ‘Meu tio tem uma arma’, diz a ilustração. ‘Ele faz jihad com a arma”.
Outras lições ensinam que Cabul pode ser governada apenas por muçulmanos, e que todos os russos e invasores são descrentes. ‘Nossa religião é o Islã. Muhammad é nosso líder. Todos os russos e infiéis são nossos inimigos’, relatou a Al-Jazeera em dezembro de 2014 sobre os livros didáticos jihadistas patrocinados pelos EUA. “Cabul é a capital do nosso querido país”, diz a ilustração da letra ‘K’. ‘Ninguém pode invadir nosso país. Só os afegãos muçulmanos podem governar este país'”.
De acordo com Dana Burde, autora e professora de Educação Internacional na Universidade de Nova Iorque em entrevista a WYSO.org em dezembro de 2014, um livro didático nos EUA para ensinar a guerra religiosa a alunos de primeiro grau em pashto, inclui: “Letra ‘M’ (M maiúsculo e pequeno m): (Mujahid): ‘Meu irmão é Mujahid [combatente]. afegão. Os muçulmanos são Mujahideen. Eu faço jihad com eles. Fazer jihad contra os infiéis é nosso dever'”.
Ainda segundo Burde, o governo dos EUA pagou e aprovou materiais curriculares para crianças pequenas que enfatizavam a guerra religiosa. Os livros foram reimpressos e permaneceram em larga circulação até meados dos anos 2000, quando o governo afegão pós-invasão introduziu versões revisadas. Mas Dana Burde comprou o livro que contém a passagem acima em um mercado em Peshawar, Paquistão, em fevereiro de 2013.
Desta maneira, foi o Império mais terrorista da história quem financiou, armou e treinou os jihadistas (prática nova na região, onde judeus e islamitas viveram secularmente em paz, muito mais que em relação aos próprios cristãos), entre eles Osama bin Laden e Saddam Hussein a fim de defender os interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos na região. Os combatentes afegãos, senhores da guerra chamados de mujahideen, foram recebidos na Casa Branca por ele, ele mesmo!, Ronald Reagan em 1985, quem então comparou os belicistas islamitas com os “pais fundadores dos Estados Unidos por seu comprometimento com a liberdade e com a paz” (imagem do sacrossanto encontro de Reagan com os senhores da guerra afegãos, em Reagan Archives; vídeo, aqui).
O capítulo V do Project for the New American Century, denominado Rebuilding America’s Defenses: Strategy, Forces and Resources for a New Century Rebuilding America’s Defenses e elaborado no final dos anos de 1990 pelos que comporiam a equipe de governo de George W. Bush (filho), previa que apenas um novo Pearl Harbor seria capaz de servir como justificativa para se concluir a empreitada norte-americana no Iraque, de derrubar Saddam Hussein, e reafirmar o domínio militar dos Estados Unidos na região. Para isso, o 11 de Setembro serviu perfeitamente. Como parte da criminosa “Guerra ao Terror”, vieram Afeganistão de novo, Iraque novamente, além de Líbia e Síria na lista imperialista de “intervenções humanitárias”.
Apenas de 1991 para cá, as “intervenções humanitárias” dos Estados Unidos ao Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria custaram dezenas de trilhões de dólares aos contribuintes norte-americanos e mais de cinco milhões de vítimas dos bombardeios, e também do embargo econômico imposto ao Iraque na década de 1990 que, apenas este, levou mais de 200 mil mulheres, crianças e idosos à morte, por fome e doenças facilmente tratáveis.
O que ocorre e os meios de comunicação de imbecilização das massas não permitem que seja compreendido, é que não há “conflito” no Oriente Médio. Há, sim, rivalidades, títeres, líderes sanguinários e organizações terroristas artificialmente produzidas pelas grandes potências com o fim de se expandir bases militares, e dominar a região mais rica em petróleo do planeta. E de quebra, em nome de um inexistente choque de civilizações e de valores, eliminar a religião que representa maior ameaça ao sistema capitalista: o Islã (o Evangelho de Jesus, tal como é, deveria ser parte desta ameaça se as respectivas confrarias religiosas não estivessem dominadas pelos escusos interesses e pelas garantias dos privilégios do poder, além de fortemente influenciadas pelos porões do poder que avançam secretamente em direção ao domínio global).
Em 2007, o General Wesley Clark afirmou na rede norte-americana de notícias Democracy Now! que o plano de Washington, logo após a queda das Torres Gêmeas, era invadir sete países em cinco anos: Iraque, Síria, Somália, Líbia, Sudão, Irã e Iêmen. Nada mudou com Trump. E sempre esteve claro que não mudaria.
Friba tem uma explicação bastante clara e simples para o diálogo de surdos entre matança indiscriminada: “Quem se senta na Casa Branca, seja quem for, serve à guerra em favor do 1% das classes dominantes em todo o mundo, a fim de manter a supremacia dos Estados Unidos”. Por isso, segundo a ativista afegã, as grandes potências ocidentais não têm o interesse de combater grupos terroristas do Oriente Médio, pelo contrário: “Criaram e deram as mãos a eles. Em nome da ‘Guerra ao Terror’, os Estados Unidos na verdade apoiam terroristas e usam o terrorismo como arma para derrotar seus rivais, tais como Rússia e China”.
III Guerra Mundial Iminente
 
Bem ao estilo baby Bush “estão ao nosso lado ou contra nós”, o mandatário norte-americano conclamou as “nações civilizadas” a se unir no ataque à Síria. Como nem poderia ser diferente, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu foi um dos primeiros a se pronunciar, entusiasmado, com a empreitada belicista de seu maior aliado: “O presidente Trump enviou hoje uma mensagem forte e clara de que o uso e a proliferação de armas químicas não será tolerada”, disse Netanyahu deixando passar desapercebido que o Estado de Israel constantemente, portador de bombas nucleares, constante e indiscriminadamente, ataca civis palestinos com fósforo branco e outras armas químicas.

Em defesa do ataque de Trump têm saído também o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, o presidente da França, François Hollande, a primeira-ministra britânica Theresa May, e os chefes de governo de Austrália e Turquia, Malcolm Turnbull e Recep Tayyip Erdoğan, respectivamente.
O presidente russo Vladimir Putin considerou o ataque “uma agressão contra um país soberano”, que atenta “contra as normas internacionais com uma desculpa fictícia”, declarou seu portavoz Dmitri Peskov.
“Por causa do ataque à base aérea da Síria, a interação da Rússia com os Estados Unidos pode ser interrompida.Acreditamos que este é um ato de agressão, não podemos olhá-la de outra forma. 59 bombas foram despejadas no aeroporto de Shayrat. Tudo o que Donald Trump disse sobre a Síria, perdeu o significado. O ato está feito, e eu não entendo mesmo qual a jogada ali.Mas vamos responder a isso”, disse Viktor Ozerov, presidente da Comissão de Defesa e Segurança do Conselho da Federação Russa, a Pravda.Ru nesta sexta-feira (7).
“A Rússia terá de mostrar alguma reação a isso, de alguma forma. O nível da escalada é extremamente elevada.Tendo lançado o ataque de mísseis sobre a Síria à noite, Trump mostrou que é um político irresponsável, que não tem experiência política nem cultura política. Isso pode levar a um agravamento muito sério das relações entre nossos dois países, às conseqüências mais imprevisíveis”. Opinião do especialista de Alexander Bedritsky, diretor do Tauride Information and Analytical Centre, a Pravda.Ru no mesmo dia.
O Irã também considerou que “estas medidas apenas fortalecem os terroristas na Síria e que, consequentemente, complica a situação no país na región” do Oriente Médio.
A Bolívia solicitou, junto da Rússia uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU imediatamente após o lançamento dos 59 mísseis norte-americanos contra a base de Shayrat. Na sessão extraordinária desta sexta-feira, o representante permanente da Bolívia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, Sacha Llorenti, afirmou que o ataque à Siria por parte dos Estados Unidos representa uma violação “escandalosa” da carta da organização, e “uma ameaça à paz e á segurança” internacional.
Representando uma guinada no “quintal” dos Estados Unidos, o governo boliviano tem sido seguido pelo da Venezuela – sem dúvida, seria seguido também pelos presidentes Fernando Lugo, Manuel Zelaya, Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, o que é altamente improvável que ocorra com os fantoches de Tio Sam: Horacio Cartes, Juan Orlando Hernández Alvarado, Michel Temer e Mauricio Macri. Tais posturas explicam perfeitamente os golpes à democracia travestidos de Primaveras sociais e limpeza ética por sistemas judiciários mal disfarçados, em uma região de suma importância às relações internacionais e cujos governos progressistas das últimas décadas têm (ou tinham) prezado pela soberania.
Al-Assad não atende aos interesses hegemônicos dos Estados Unidos, além de grande aliado de Rússia e Irã, o que explica o antigo desejo de neutralizá-lo enquanto fazem vistas grossas a, por exemplo, Arábia Saudita, regime entre os maiores violadores dos direitos humanos em todo o mundo – aliada histórica dos interesses de Washington na região. China Rússia e em si já são consideradas entraves para os almejos imperialistas de Tio Sam, de maneira que guerras a distância, ou proxy wars como se tem dito pelo mundo em inglês, são na concepção dos estrategistas de guerra norte-americanos uma maneira de desgastar China e Rússia, evitando o confronto direto com as temidas nações: no caso da segunda, possui as bombas mais sofisticadas do planeta e território geograficamente mais favorável no caso de uma invasão. Pois exatamente a Rússia tem, nos últimos anos, modificado as relações internacionais fazendo com que os EUA recuem em muitos casos, como no da própria Síria nos últimos anos, quando o regime de Obama esteve na iminência de intervir militarmente, e derrubar Assad. O Irã, desafeto regional dos EUA e de Israel, também é aliado sírio.
Trump não descarta o uso de armas nucleares, enquanto prossegue sua “Guerra contra o Terror”. Em entrevista á rede de notícias norte-americana MSNBC, ele se questionou: “Alguém nos atinge, de dentro do Estado Islamita: você não iria revidar o ataque com uma arma nuclear?”. Não sem razão, na virada do ano o Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos) dos EUA divulgou, em seu anual Doomsday Clock (Cronômetro do Dia do Juízo), o pior índice em 70 anos em relação aos riscos de ataques nucleares exatamente pela ocasião da eleição de Donald Trump , situação ainda mais dramática que os mais sombrios dias da Guerra Fria.
Provocar uma guerra generalizada é do interesse dos poucos tomadores de decisão global, também pela situação econômica mundial e porque veem seu poder diminuindo gradativamente: as relações internacionais são cada vez mais multipolares. As sociedades globais se fortalecem na era da revolução da informação, através de uma Internet cada vez mais vigiada. Para cercear fortemente as liberdades civis, qual a mais apropriada justificativa para os poderosos que o conflito permanente, e o medo constante?
Quando, há um ano e dois meses este autor estreava em Pravda Brasil afirmando que não apenas o mundo caminhava a passos assustadoramente largos rumo a uma III Guerra Mundial, mas que esta era a estratégia dos porões do poder imperialista globais identificados como a casta sionista e suas marionetes de Washington, um mar de leitores apontando histericamente o suposto exagero e muitos até indignados com a “blasfêmia” do autor, não poupado de xingamentos e acusações, foi testemunhado na publicação Israel Provoca Brasil com Vistas à III Guerra Mundial.
Logo que Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos prometendo cooperação internacional, especialmente com a Rússia, este autor repetia constantemente o engodo de Donald Trump em relação à cooperação internacional. Na realidade, estas observações se davam desde a circense campanha presidencial da melhor democracia que o dinheiro pode comprar (e cuja maior lobista é exatamente a AIPAC). Na reportagem intitulada Relações EUA-Rússia: Escalada das Tensões sob Risco de Ataques Nucleares, lê-se:

Embora seja muito elogiado pelas promessas de campanha de se aproximar da Rússia e reverter este sombrio cenário global, o presidente norte-americano recentemente eleito, Donald Trump, traz em seu histórico, no contexto de seus discursos, na equipe de governo que tem montado e na própria realidade politicamente histórica de seu país, sérias dúvidas se realmente seguirá por esse caminho.
A Guerra Civil síria é muito mais perigosa que qualquer momento da Guerra Fria, incluindo a famosa Crise de Mísseis de Cuba de 1962. Hoje, o potencial de conflito nas relações russo-americanas é maior do que na segunda metade do século passado.
A mencionada reportagem foi finalizada desta maneira: “Nada indica que Trump, por inaptidão ou falta de vontade política, mudará este cenário de III Guerra Mundial sob sério risco de ataques nucleares”.
A agenda imperialista é uma só: dividir para conquistar, jogar cidadão contra cidadão, nação contra nação, aterrorizar, cercear liberdades civis, aplicar golpes e políticas de linha-dura, exterminar indivíduos e dizimar povos que estejam em seu caminho (como os palestinos, os iraquianos, os sírios, os índios mapuche no Chile, únicos povos originários a resistir à metrópole em toda a história, sem serem jamais vencidos) e, desta maneira, ampliar seu domínio global.
Diante disso tudo, está claro que o maior erro do Kremlin ultimamente, em sua exitosa empreitada contra os terroristas na Síria em conjunto com o governo local, foi ter depositado confiança na administração de Trump desde a campanha presidencial. O presidente russo Vladimir Putin deveria ter se lembrado que a sobrevivência do sistema norte-americano depende da indústria armamentista, que o terrorismo internacional é peça-chave no tabuleiro imperialista a fim de fazer avançar sua agenda enquanto justificativa para suas política coercitivo-expansionista, e das sábias palavras de Che Guevara: “Não se pode confiar no Império, nem um tantinho assim”.
Talvez seja tarde demais para se tentar salvar a humanidade de mais uma catástrofe made in USA: o cenário de III Guerra Mundial já está há muito montado e um confronto direto entre as grandes potências parece, agora, irreversível; é tudo o que o agonizanteestablishment norte-americano-sionista precisa para tentar paralisar o avanço de um mundo multipolar, e salvar a combalida economia capitalista do norte econômico.

Edu Montesanti

FONTE: Global Research