A crise do capital e o novo tipo de golpe

Para romper o círculo de fogo que o imperialismo nos impõe, é necessária a unidade das forças democráticas, como a heroica ANL indicou na luta contra o fascismo em 1935.

Fortaleza contra o golpismo e pela democracia

A denúncia dos fascistas é um fato importante que constrange os golpistas momentaneamente.

O legado de Hugo Chavez para Venezuela, América Latina e o Mundo

Amor, trabalho e estudo; e luta e compromisso, poderiam sintetizar o legado do comandante-presidente Hugo Chávez.

A literatura de cordel de Antônio Queiroz de França a serviço da revolução

O poeta cordelista cearense Antônio Queiroz de França é um trabalhador das palavras a serviço da Revolução.

China: O mito do “Socialismo de Mercado”

“A análise concreta da situação concreta é a alma viva, a essência do marxismo” Lênin.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Viva o 5 de Julho de 1922, 1924 e 1935!

Há 94 anos, em 1922, ano do centenário da proclamação da Independência, ano da Fundação do Partido Comunista no Brasil, ano da Semana de Arte Moderna, um episódio singular marcou definitivamente a história do nosso país, “Os 18 do Forte”.


Assim ficou conhecido o levante tenentista, contra a crueldade e injustiça das oligarquias.

A luta se iniciou no Forte de Copacabana com 301 amotinados, durante todo dia 5 o Forte foi duramente bombardeado pelas tropas legalistas, apenas 17 militares permaneceram na luta, e mudando de tática resolveram abandonar o forte e partir para as ruas para o confronto direto, contaram então com a adesão de um civil, o Engenheiro Otávio Corrêa.

Dos 18 heróis que se bateram em combate, apenas dois sobreviveram, Siqueira Campos e Eduardo Gomes, mas embora tenham dado suas vidas por um ideal não morreram em vão, pois desta luta inicial outras batalhas seguiriam.

Em 5 de julho de 1924, exatamente dois anos depois do levante do Forte de Copacabana, estoura outra rebelião tenentista, desta vez em São Paulo, alastrando-se para Mato Grosso, Sergipe, Amazonas e Rio Grande do Sul. Em São Paulo com o apoio popular e do Exército é preso Abílio Noronha, comandante da 2ª Região Militar. O governador do estado fugiu ao saber do levante.

As forças revolucionárias resistem durante 22 dias de intenso bombardeio, mas após o cerco da cidade em 27 de julho tem fim a revolução. As tropas paulistas seguem então para o Paraná, na região de Foz do Iguaçú.

No Rio Grande do Sul acontecem levantes em 28 e 29 de Outubro. Sob o comando do Capitão Luis Carlos Prestes é tomada a cidade de Santo Ângelo, e lançado por este um manifesto contra o capitalismo estrangeiro.

Após dominarem a cidade por 3 dias os combatentes decidem seguir  ao encontro das tropas paulistas.

Inicia-se aí a Coluna Prestes com cerca de 1 500 homens, seguindo pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste, retorna a partir de Minas Gerais, refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia, em fevereiro de 1927. Sem jamais ser vencida. A Coluna Invícta (venceu todas as batalhas), enfrenta as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais dos Estados e tropas de jagunços.

É uma marcha heróica de mais de 25 mil km, contra a opressão do regime oligárquico e a entrega de nosso país ao capital estrangeiro.

Em 1935 resgatando os idéias de luta do 5 de julho de 1922 e de 1924, Prestes através da Aliança Nacional Libertadora ( ANL) lança o Manifesto de 5 de Julho, conclamando as massas à luta contra o Imperialismo e pela revolução Proletária. Colocada na ilegalidade a ANL foi proibida de realizar qualquer atividade pública pela Lei de Segurança Nacional, a partir de então, a proposta de tomada do poder defendida pelos setores de oposição e, em particular, pelos comunistas começou a ganhar força dentro da ANL, culminando no motim iniciado em Natal, no dia 23 de novembro no 21° Batalhão de Caçadores. Foi instalado um Governo Popular Revolucionário, sob a liderança de José Praxedes de Andrade, sapateiro, membro da direção regional do PCB. Três dias depois do início do levante, civis e militares do Recife também iniciaram um movimento visando a derrubada do governo.

Na madrugada do dia seguinte, os levantes chegaram ao Distrito Federal, onde foram deflagrados ataques ao 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha; ao 2º Regimento de Infantaria e ao Batalhão de Comunicações, na Vila Militar; e à Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos. Assim como no Recife, a mobilização no Rio de Janeiro foi rapidamente sufocada.

Hoje, procuramos honrar as melhores tradições revolucionárias daqueles que lutaram pelo nosso povo, o PCML  ( Partido Comunista Marxista Leninista), a Juventude 5 de Julho e os Comitês de Luta Contra o Neoliberalismo,  que ainda é uma pequena centelha, mas que tem a consciência da missão histórica que se coloca diante de todo povo brasileiro neste momento de intenso combate pelas forças reacionárias  ao povo e aos que ousam resistir a este sistema que vive uma profunda crise, que nos condena a fome, a miséria e a violência, sabemos que somente através do estudo e da organização conseguiremos vencer, convocamos a  todos que sentem a indignação pulsando em seu peito e a mente clamando por justiça a se juntarem a nós nesta luta que não é somente nossa, é de todos aqueles que a iniciaram e dos que a continuarão aqui e em todo mundo, para libertarmo-nos do jugo capitalista e alcançarmos em fim nossa verdadeira liberdade, nada temos a perder só a conquistar.

Viva o 5 de Julho de 1922 e os 18 do Forte!
Viva o 5 de Julho de 1924 e a Coluna Prestes!
Viva o 5 de Julho de 1935 e a Luta antiimperialista!
Viva a Revolução Comunista no Brasil! 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

'BOI ZEBÚ E AS FORMIGAS'

"Um boi zebu certa vez
Moiadinho de suó,
Querem saber o que ele fez
Temendo o calor do só
Entendeu de demorá
E uns minuto cuchilá
Na sombra de um juazêro
Que havia dentro da mata
E firmou as quatro pata
Em riba de um formiguêro.

Já se sabe que a formiga
Cumpre a sua obrigação,
Uma com outra não briga
Veve em perfeita união
Paciente trabaiando
Suas foia carregando
Um grande inzempro revela
Naquele seu vai e vem
E não mexe com mais ninguém
Se ninguém mexe com ela.

Por isso com a chegada
Daquele grande animá
Todas ficaro zangada,
Começou a se açanhá
E foro se reunindo
Nas pernas do boi subindo,
Constantemente a subi,
Mas tão devagá andava
Que no começo não dava
Pra de nada senti.

Mas porém como a formiga
Em todo canto se soca,
Dos casco até a barriga
Começou a frivioca
E no corpo se espaiado
O zebu foi se zangando
E os cascos no chão batia
Ma porém não miorava,
Quanto mais coice ele dava
Mais formiga aparecia.

Com essa formigaria
Tudo picando sem dó,
O lombo do boi ardia
Mais do que na luz do só
E ele zangado as patada,
Mais força incorporava,
O zebu não tava bem,
Quando ele matava cem,
Chegava mais de quinhenta.

Com a feição de guerrêra
Uma formiga animada
Gritou para as companhêra:
Vamo minhas camarada
Acaba com os capricho
Deste ignorante bicho
Com a nossa força comum
Defendendo o formiguêro
Nós somos muitos miêro
E este zebu é só um.

Tanta formiga chegou
Que a terra ali ficou cheia
Formiga de toda cô
Preta, amarela e vermêa
No boi zebu se espaiando
Cutucando e pinicando
Aqui e ali tinha um moio
E ele com grande fadiga
Pruquê já tinha formiga
Até por dentro dos óio.

Com o lombo todo ardendo
Daquele grande aperreio
zebu saiu correndo
Fungando e berrando feio
E as formiga inocente
Mostraro pra toda gente
Esta lição de morá
Contra a farta de respeito
Cada um tem seu direito
Até nas leis da natura.

As formiga a defendê
Sua casa, o formiguêro,
Botando o boi pra corrê
Da sombra do juazêro,
Mostraro nessa lição
Quanto pode a união;

Neste meu poema novo
O boi zebu qué dizê
Que é os mandão do podê,
E as formiga é o povo."

Patativa do Assaré, do livro 'Ispinho e Fulô' .

NOTA DE REPÚDIO DAS SERVIDORAS E SERVIDORES DA FUNAI CONTRA A INDICAÇÃO DO GENERAL DA RESERVA ROBERTO PETERNELLI (PSC) À PRESIDÊNCIA DO ÓRGÃO INDIGENISTA

Nós, servidoras e servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), manifestamos nossa profunda indignação à indicação que vem sendo noticiada do General da Reserva Roberto Peternelli (PSC) para o cargo de presidente do órgão indigenista.

Filiado ao Partido Social Cristão (PSC), integrante da bancada evangélica no Congresso Nacional, o General Peternelli, cuja indicação se dá a partir da articulação de parlamentares anti-indígenas, exalta publicamente nas redes sociais o período da ditadura civil-militar que perdurou no Brasil entre os anos de 1964 e 1985.

Nesse período, conforme o Relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), pelo menos 8.350 indígenas foram mortos em decorrência da ação direta ou da omissão de agentes governamentais. O Relatório afirma que o número real de indígenas mortos no período deve ser exponencialmente maior, tendo em vista que apenas uma parcela muito restrita dos povos indígenas afetados foi analisada e que há casos em que a quantidade de mortos é alta o bastante para desencorajar estimativas. Além disso, há evidências da existência de presídios clandestinos destinados à tortura e prisão de diversos povos indígenas à época.

Durante a ditadura os governos militares implementaram um projeto de desenvolvimento integracionista que não considerava o direito dos povos indígenas à manutenção de seus modos de vida e territórios tradicionais. Como exemplos emblemáticos dessa atuação podemos citar a construção das rodovias Transamazônica, Manaus - Boa Vista e Perimetral Norte e das usinas hidrelétricas de Tucuruí e Balbina, que impactaram profundamente a vida dos povos indígenas daquelas regiões.

Os servidores do órgão indigenista que ousaram resistir a esse projeto autoritário e violento e lutar pelos direitos dos povos indígenas sofreram demissões, ameaças e perseguições de variadas formas.

O General Peternelli representa também os interesses da bancada evangélica que, junto à bancada ruralista, tem se mostrado contrária aos direitos dos povos indígenas e favorável à PEC 215.

Ainda mais sério é o fato de que essa decisão se dá no contexto em que o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), instância oficial de diálogo entre o Estado Brasileiro e os Povos Indígenas, está sendo ignorado, sob ameaça de extinção.

Nós, servidoras e servidores da Funai, não vamos permitir nenhum retrocesso nos direitos dos povos indígenas e no âmbito da política indigenista. Anunciamos estado de mobilização permanente e convidamos os movimentos indígena, indigenista e todos os apoiadores a se unirem a nós em defesa dos direitos dos povos indígenas e do fortalecimento da Funai.

General Peternelli, não passará!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

CIA na América Latina: dos golpes a tortura e assassinatos preventivos

Observações feitas pelo jornalista venezuelano José Vicente Rangel são geralmente vistas como bem informadas e acuradas. Para o programa de televisão Los Conficenciales (Fontes de Confiança) ele relatou recentemente a respeito do trabalho do pessoal suplementar para as estações da CIA na América Latina. De acordo com Rangel, pelo menos 500 reforçamentos chegaram as embaixadas americana, e outros U.S. tipos de quartél-general na América Latina, para ajudar operativos que já lá estavam, a aumentar suas atividades subversivas e de espionagem.

Esses agentes estão a focalizar países como a Venezuela, Bolivia, Argentina, , Brasil, Ecuador, e Cuba. Entretanto, isso não significa que outros países estariam resguardados do policiamento imperial. De qualquer modo, por muito loiais que esses governos sejam em seguir o rastro das diretivas políticas americanas, as agências de inteligência dos Estados Unidos estão sistemáticamente fortalecendo o seu pessoal secreto no México, na Guatemala, Colômbia, República Dominicana, Perú, Chile, e outros países. Na América Latina os serviços presidenciais e governamentais estão sendo deliberadamente infiltrados, assim também como a liderança das forças armadas, dos serviços secretos nacionais, e das agências de contra-espionagem. Os americanos estão forjando alianças para criar uma tropa de vanguarda, e cúmplices, para ajudá-los a opor-se a quaisquer potenciais inimigos deles no continente, especialmente então nos «regimes populares»

As posições operacionais dos serviços de inteligência U.S. na América Latina abriram muitos ramos novos e são agora capazes de levar a frente operações de destabilização. Em recente anos, tais tentativas foram feitas na Venezuela, Bolívia, Equador, e Argentina, onde os governos desses países estiveram resistindo aos planos americanos de total controle do continente abaixo do disfarce de uma criação de uma zona de comércio livre para todo o continente. Os esforços da CIA para forjar uma «revolução colorida» [lê-se golpe de estado] na Venezuela em 2002-2003 deu em nada : o Presidente Hugo Chavez não só sobreviveu mas conseguiu também ter sucesso em unir a América Latina. O seu sucessor, Nicolás Maduro, continua loial aos princípios da Revolução Bolivariana, enquanto rigorosamente resiste as tentativas dos Estados Unidos para underminar as suas realizações, isso sendo feito então através de conspirações econômicas e financeiras além de encorajar provocações vindas da oposição radical na Venezuela.

Uma estrategia similar está sendo usada pela CIA contra o governo de Cristina Fernandez de Kirchner na Argentina. Na Bolívia e no Equador estações da CIA estiveram tentando destabilizar o legitimamente eleito governo com a ajuda de forças policiais, dos quais muitos líderes tradicionalmente estiveram abaixo do domínio de instrutores americanos. O Presidente Rafael Correa do Equador por pouco escapou a morte quando rebeldes circundaram o edifício onde os seus guarda-costas o estavam protegendo do quando franco-atiradores treinados pela CIA estiveram por muitas horas atirando nas janelas do seu refúgio. Um bando de militantes da Europa, usados pela CIA para atos terroristas foram incumbidos com a tarefa de assassinar o Presidente Evo Morales da Bolívia. De acordo com investigadores, a estação da CIA na Irlanda e na Hungria montou os grupos.

A CIA na América Latina está claramente se preparando para exacerbar a situação. A vigilância eletrônica da NSA, agência nacional de segurança dos americanos, apesar das revelações de Edward Snowden, Julian Assange e outros, não só continuam como aumentam, e de muito, a sua intensidade. Os dados obtidos pela NSA está sendo distribuídos para específicos serviços da comunidade de inteligência americana, dependendo das suas áreas de especialização. A CIA é o maior consumidor desse material, o qual é usado para o planejamento de «revoluções coloridas» ou seja, golpes de estado, assim também como para chantagem, recrutamento, provocações, campanhas de propaganda subversiva, e coisas do gênero. Note-se que cada administração americana –de Bush a Obama – focusou na colheita de dados de espionagem, uma tarefa que tinha sido responsabilidade dos chamados «clean» empregados de várias agências, especialmente então do Departamento do Estado dos Estados Unidos. Isso foi motivado pela necessidade de aumentar a luta contra o terrorismo.

Num memorando assinado na época de Condoleezza Rice, mas aprovado pelos seus sucessores, U.S. diplomatas ficavam encarregados de colecionar dados a respeito de instalações militares, sistemas de comunicação usados nos países onde se encontravam, como os líderes eram protegidos, onde eles moravam e estacionavam os seus carros, quais os seus endereços de e-mails, números de telefone, etc. Um componente dessa tarefa é particularmente inquietante – os diplomatas ficaram também incumbidos de colher informação do estado de saúde de seus “alvos”, incluindo-se aqui dados a respeito da estabilidade mental de cada um. Menções também são feitas a respeito da necessidade de obter material visual, impressão digital e «material biológico». Esse último, de acordo com peritos do assunto, seriam úteis no planejamento de assassinatos com uso de tecnologia avançada. Brazil e Venezuela, assim como China e Rússia estão incluidos na lista de alta prioridade do Departamento de Estado americano para relatórios de inteligência de diplomatas na América Latina. Delegados e representantes dos países aqui mencionados devem ser seguidos continuamente, e isso não só na América Latina mas, por todo o mundo.

Entretanto a maior caça é feita contra os cidadãos da Rússia. Para aumentar sua efetividade os serviços de inteligência americanos usam um amplo arsenal de provocações e duplicidade. O piloto Konstantin Yaroshenko, que foi cusado do tráfico de drogas, foi emaranhado num desses tipos de armadilha. De acordo com agências de notícias, uma empregada do pessoal da embaixada U.S. na Colômbia deu um secreto instrumento de gravação para um cidadão local que era um agente da DEA operando abaixo do nome de «Santiago». Depois de vários encontros entre o agente e o piloto, que resultou num vídeo e numa áudio gravação de suas conversas, os mesmos foram redigidos e apresentados a Cortes dos Estados Unidos, ainda que uma significante parte do seu conteúdo tivesse sido apagada, o que deu então um impacto direto no veredito. Cidadãos do Brasil, Argentina, Venezuela, Nicaragua e muitos outros países foram vitimados por esse tipo de operações, sendo que as implicações são sempre as mesmas : A América Latina não conseguiria evadir-se de cooperação com a CIA!

De qualquer maneira, a agência tem um dossier na América Latina que levanta espanto até em governos que são loiais a Washington. Uma augorenta indicação das tácticas estilo-Gestapo da CIA foi a criação da base militar U.S. de Guantânamo, em Cuba, com um campo para prisioneiros suspeitos de atividades terroristas, ou de instigação dos Talibãs. Em dezembro de 2005, Condoleezza Rice declarou-se como defendendo a idéia desse campo, sublinhando o facto de que dessa maneira a CIA  «tinha impedido ataques terroristas e salvado vidas inocentes na Europa, assim como nos Estados Unidos, e outros países. » A respeito da revelação das prisões secretas Rice arrogantemente disse que «era para todos esses governos e seus cidadãos se decidirem contra ou a favor a trabalhar com os Estados Unidos para impedir ataques terroristas contra seu próprio país.

Em dezembro de 2014, o U.S. Comité de Seleção do Senado para inteligência publicou um relatório de 500 páginas quanto ao uso de tortura pela CIA para extrair confissões de indivíduos suspeitos de terrorismo. A versão completa tinha quase que 7.000 páginas e incluia muitos detalhes das «melhoradas técnicas de interrogação» usadas pela CIA. A sua desvendação foi considerada como muito perigosa por que essa poderia deslanchar retaliação. O documento original foi redigido e retiraram-se os nomes das prisões secretas na Europa e na Ásia, assim como os nomes dos chefes da CIA que deram seu consentimento a tortura de prisioneiros, assim como o nome do pessoal que as administraram. Eles tiveram especialmente muito cuidado em apagar as informações a respeito das «tácticas avançadas de interrogação» usadas em Guantânamo.

O Secretário do Estado John Kerry também tentou tirar outros fatos do documento dizendo que a publicação iria por em perigo vidas de diplomatas americanos no exterior. Só a intervenção de organizações dos direitos humanos conseguiu impedir isso. Agora a Human Rights Watch, a American Civil Liberteis Union, e outras organizações, estão tentando obter os nomes dos que criaram essas prisões e introduziram o uso de tortura. Entretanto, esses seus esforços estão sendo impedidos pela direção John Brennan da CIA. A mesma desculpa é oferecida – a publicidade poria em perigo a vida dos empregados.


É importante para John Brennan poder manter seus empregados experientes depois das grandes reformas da CIA, projetadas por ele. Informações surgiram na mídia a respeito da natureza da planejada reorganização: em vez de ter departamentos especializados nas agências, e um serviço separado para análises do material de inteligência, centros de fusão serão criados. Esses centros de fusão deveriam ser responsáveis por regiões específicas e por ameaças sistemáticas a segurança dos Estados Unidos. Na perspectiva de John Brennan tem-se que principalmente dado ao facto de que a CIA durante muito tempo esteve concentrada nas guerras no Afeganistão e Iraque, assim também como nas operações do Norte da África e outras regiões remotas, incluindo-se aqui a Ucrânia, essas ameaças estariam agora vindo da América Latina.

Alianças estão sendo solidificadas no continente, e a formação e consolidação de organizações regionais como CELAC, UNASUR, MERCOSUR, ALBA e outras, enfraqueceram a posição dos Estados Unidos no continente. Washington vê as entradas sendo feitas pela China e Rússia [massivas ofertas de financiamentos, empréstimos e desenvolvimento da infraestrutura sem exigências de cortes no desenvolvimento social] e isso não só em comércio e economia como também quanto a tecnologia e exploração espacial. A construção do Canal da Nicaragua com a assistência da China, Rússia e Brasil é um símbolo do desgaste geopolítico dos Estados Unidos.

Tendo-se em conta a natural arrogância dos mesmos, fracassos dessa magnitude são difíceis de serem engolidos, o que poderia explicar maquinações de revange através de simultaneamente destabilizar os governos populares e incitar guerra civíl na Venezuela. As novas tropas chegando nas estações da CIA nas embaixadas americanas, e outros lugares, já estão mergulhando nos seus novos afazeres.
Nil Nikandrov

Fonte Global Research

sábado, 25 de junho de 2016

O Sistema de Ensino Neoliberal

A educação brasileira, de caráter público e obrigatório, já traz em si uma contradição, por ser pública não é gratuita, é paga através dos impostos cobrados diretamente sobre os trabalhadores, cria-se a falsa ideia de idade escolar impondo aos pais e responsáveis a obrigação de submeter sua prole à instituição educacional, independente das condições das mesmas, tanto físicas quanto profissionais. A contradição se desenvolve porque os adultos que procuram as escolas, não as procuram por serem públicas ou obrigatórias, porém, por necessidade de sua própria vida, que vai precisar em determinada ocasião de educação instrucional. Os impostos são cobrados a todos e livre da idade escolar ele, o trabalhador, se qualificará na mesma instituição de crianças de 4 a 14 anos. A balela burguesa começa aí. 

“A fraseologia burguesa sobre a família e a educação, sobre os afetuosos vínculos entre a criança e os pais, torna-se tanto mais repugnante quanto mais a grande indústria rompe todos os laços familiares dos proletários e transforma suas crianças em simples instrumento de trabalho.” (Marx e Engels - Manifesto do Partido Comunista).

  São, portanto, o darwinismo social que no mercado liberal capitalista ditam as normas para a competição, onde os fortes sobrevivem à custa da escravidão ou da morte dos mais fracos. Na medida em que a lei de acumulação capitalista se desenvolve criando um vasto exército industrial de reserva, produzindo um pequeno grupo que expropria as riquezas da sociedade, a instituição escolar reflete a situação social e iludem-se aqueles que acreditam na mudança social por intermédio do conhecimento e da cultura, sem nenhuma prática revolucionária.

A estes se dá o nome de reformistas e revisionistas, quando sabemos que toda a ideologia atual por eles utilizada nas escolas como “cidadania”, “democracia universal”, “educação para o trabalho”, “gerência da qualidade total do ensino”, etc.

“O desenvolvimento de uma concepção de mundo que se contraponha ao neoliberalismo, na escola, põe-se com maior importância ainda quando se sabe que os jovens estão diuturnamente se alimentando dessa ideologia nos demais espaços que eles frequentam. Mas, também na escola, a influência sobre eles não se restringe à sala de aula, e mesmo aí, não se limita ao que o professor diz. Isso leva à consideração da segunda forma pela qual a ideologia de mercado que perpassa a gestão da qualidade total, envolve os alunos, ou seja, pela força material das práticas escolares em geral.”

“... se pode esperar contribuir para desarticular a ideologia do mercado – política econômica neoliberal - incrustada no dia-a-dia da sociedade e, em partícula, no sistema de ensino.  A superação a ser empreendida a esse respeito guarda paralelo com a destruição que precisa ser feita do fetichismo da mercadoria no mundo das relações sociais.” (V. Henrique Paro – 1986).

Portanto, o modo de produção capitalista se desenvolveu e criando uma infra-estrutura econômica e erguendo-se uma superestrutura jurídica-político-ideológica na qual as instituições, entre elas o Estado e, inclusive, o sistema de ensino público e obrigatório; desta forma a liberdade e a justiça nas sociedades contemporâneas, hegemonizadas pelo imperialismo, só pode ocorrer com a derrubada do Estado capitalista que é o único responsável pela grande massa de miseráveis, esfomeados, prostitutas, assim como todas as mazelas e torturas do trabalho, como também o número imenso de analfabetos e analfabetos funcionais que enchem as escolas neoliberais imperialistas gerando toda sorte de atos de barbárie social.

Ana Maria de Moura

Fonte Jornal Inverta

Ministro da Saúde de Temer é investigado por corrupção, peculato e outros crimes

Ricardo Barros, tesoureiro-geral do PP, sofre ações por sua gestão como prefeito de Maringá (PR). Em sua posse na Saúde, deu indícios de que o programa Mais Médicos poderá estar com dias contados

Escolhido para ser o ministro da Saúde de Michel Temer,  o engenheiro civil e tesoureiro de seu partido, o PP, Ricardo Barros já foi eleito deputado federal cinco vezes, ocupou a pasta da Indústria e Comércio do Paraná, e foi prefeito de Maringá. Ele também foi o relator do Orçamento de 2016 na Câmara e chegou a propor um corte de R$ 10 bilhões no Bolsa Família. O deputado declarou na época ter ficado decepcionado por seu projeto não ter sido aprovado.

Mais decepcionado devem ter ficado os cidadãos de Maringá durante a passagem do deputado pelo Poder Executivo. Quando prefeito, em 1990 foi condenado na 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do estado pela juíza Astrid Maranhão de Carvalho Ruthes, por fraude na venda de coletores e compactadores de lixo que não serviam mais para a prefeitura e seriam vendidos.

Para avaliar o preço de venda dos equipamentos, o então prefeito criou uma comissão. Só que um dos três integrantes da comissão acabou sendo o comprador. Ou seja: o bem público foi vendido por um preço escolhido pelo comprador. A  juíza Astrid Maranhão classificou a operação comandada pelo já deputado como um “ardil” e ainda o obrigou o a ressarcir os cofres públicos em mais de R$ 1 milhão. O deputado, engenheiro, que agora é ministro da Saúde, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que  negou recurso em fevereiro de 2014. O processo foi devolvido para a segunda instância do Tribunal de Justiça, conforme cópia de documentos no final do texto. 

Em 2011, Barros se licenciou do seu mandato de deputado federal para assumir o cargo de secretário da Indústria e Comércio do Paraná. Após denúncias de irregularidades na sua gestão, porém, pediu licença do governo do estado. Na época, gravações feitas pelo Ministério Público mostraram Barros sugerindo ao então secretário municipal de Saneamento de Maringá, Leopoldo Fiewski, que arranjasse um encontro para realização de acordo entre as duas empresas que participavam de um processo de licitação para publicidade da cidade. O contrato era de R$ 7,5 milhões.

Ricardo Barros, que também é o tesoureiro-geral do PP, é investigado desde 9 de novembro no Inquérito 4.157 por corrupção, peculato e crime contra a Lei de Licitações. Agora com foro privilegiado, Barros não poderá ser investigado.


Fonte: Rede Brasil Atual

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Bebês negros eram usados como iscas para caçar jacarés nos EUA

Durante a escravidão e até meados do século vinte, bebés negros foram usados como isca de jacaré no Norte e Centro da Florida nos Estados Unidos de América.

Os caçadores de jacarés roubavam os filhos quando as mães, muitas delas escravas estavam ocupadas com seus afazeres diários. Algumas seriam crianças de um ano de vida ou menos. Outras crianças eram roubadas à noite mediante ataques brutais contra seus pais, de seguida amarravam uma corda em volta do pescoço e ao redor de seu torso junto de uma árvore no pântano ou eixavam-nas em gaiolas como se fossem galinhas.

Como as crianças choravam e gritavam os jacarés apareciam rápido para devora-las, em questões de minutos os jacarés estavam sobre elas. O caçador que se mantinha distante não dava conta da presença do jacaré, já que a caça era realizada a noite, então somente quando o animal atacava a criança e tentava arrasta-la no pântano para devorar ou quando começava a come-la viva é que os caçadores conseguiam se aperceber da presença do mesmo através dos movimentos e esticar da corda. Somente nesta altura que eles partiam em direção ao bebe e matavam o animal.

A revista Time, em 1923, relatou que os caçadores da cidade de Chipley, Flórida, praticavam tais atos, mas a cidade negou-o como “uma mentira boba, falsa e absurda.”
A prática tem sido documentada em pelo menos em três filmes: “Alligator Bait” (1900) e “O ‘Gator eo pickaninny” (1900). E a história de dois meninos negros que serviam de isca de jacaré foi contada em “Fúria Untamed” (1947).
Na verdade, o termo “isca de jacaré” era comum em todo o Sul dos estados unidos, pelo menos, da década de 1860 até ao ano de 1960 foi um insulto racial e uma ameaça que os brancos usavam para “domesticar” as crianças negras resilientes.

Mas na década de 1940 no Harlem, em New York “, isca de jacaré” aplicada aos negros de qualquer idade – particularmente aqueles que eram da Flórida.

Finalmente, em termos de iconografia, a partir de, pelo menos, a década de 1890 até os anos 1960, as crianças negras eram frequentemente retratado como isca de jacaré nos brinquedos para as crianças brancas, saboneteiras, escovas de dentes, cinzeiros e, especialmente, em cartões postais enviados através do correio dos EUA.

Fonte Racismo Ambiental

Críticas do FMI e Despolitização da Sociedade Brasileira

Em sua revista deste mês de junho, o próprio Fundo Monetário Internacional criticou, não tão abertamente, as políticas neoliberais através de alguns de seus principais economistas, Jonathan D. Ostry, Prakash Loungani, and Davide Furceri. “Ao invés de produzir crescimento, algumas políticas neoliberais têm aumentado a desigualdade, por sua vez colocando em risco a expansão duradoura”, observam eles.

É interessante notar que o propalado neoliberalismo foi aplicado exatamente por governos autoritários e profundamente corruptos – casos de América Latina sob ditadura militar, Estados Unidos sob os Bush e Reagan, e Reino Unido nos anos de Margaret Tatcher, conhecida como Dama de Ferro. Tal fato pode causar surpresa inicial, mas não nenhuma contradição dada a natureza excludente do modelo econômico em questão.

Nas palavras da jornalista canadense Naomi Klein, “se olharmos para a história dos primeiros lugares onde o neoliberalismo foi imposto, ele foi imposto exatamente no oposto [do que nos é dito]: foi necessária uma derrubada da democracia para que ele se desenvolvesse”.

Por outro lado, políticas sociais são aplicadas exatamente como socorro às crises profundas geradas pela maximização do livre-mercado. Casos emblemáticos são o New Deal norte-americano do presidente Franklin Delano Roosevelt, pós-Grande Depressãoiniciada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929, e os Estados de Bem-Estar Social europeus pós-Segunda Guerra Mundial.

Os países nórdicos, berço da social-democracia, sempre foram exemplos neste sentido, nos dias de hoje abrindo-se ao Consenso de Washington ao diminuir a influência estatal, e, como sempre ocorreu na história, tornar as economias mais vulneráveis.

Enquanto tal modelo gera horror em setores reacionários pautados pela mídia predominante defensora dos interesses das grandes corporações que a sustentam, que chegam a ponto (não raras vezes) de qualificá-lo de “comunismo diabólico”, por outro lado a intervenção estatal de Bush filho em 208, maior da história destinada ao socorro aos bancos criminosos, exatamente os geradores da depressão econômica de então (não sanada até hoje), o qual ultrapassou 1,8 trilhão de dólares, e dois anos depois o plano de salvação de Barack Obama à indústria automobilística acima da casa dos 60 bilhões de dólares, acomodam os espíritos mais conservadores das sociedades.

Vale apontar que no atual festival da despolitização tupiniquim que tirou da Presidência uma das únicas políticas sem acusação nem sequer sendo investigada por corrupção, para colocar no poder, nas palavras de Noam Chomsky (intelectual mais respeitado do mundo) “uma corja de ladrões” sob forte influência e aplausos midiáticos, as classes média e alta brasileiras têm apoiado agora e historicamente o model neoliberal, com a típica raiva caçadoras de bruxas anti-comunistas presente na ridícula votação pelo impedimento da presidente Dilma Rousseff (assim observado por todos os meios de comunicação mundiais), e nestas semanas subsequentes.

Apontado neste sentido, da excessiva ignorância baseada na ditadura do mercado que relega todo o aparato do Estado e a própria sociedade à lógica do lucro (que é ilógica) e da profunda despolitização, baseadas em desenfreada competitividade, no ódio às diferenças e nos preconceitos étnicos, regionais, sociais, sexistas e de gênero, é a cara perfeita da sociedade brasileira, de seu estilo e de sua estatura moral e intelectual, este público ataque gospel-reacionário da jurista Janaína Paschoal na Faculdade de Direito da USP, no início de abril capaz de gerar desconforto até em seus colegas e alunos reacionários – portanto, nada dotados de grande senso do ridículo e de consideráveis capacidades intelectuais.

Famosas internacionalmente pela essência corrupta, pela fortíssima discriminação, pela agressividade e pela incapacidade organizacional que, no país do carnaval e do futebol decadente, dia a dia se superam, que se creem sábias ao mesmo tempo que, na ausência de autonomia reflexiva, são capazes de caírem no engodo de personagens como Temer, Sarney, Calheiros, Eduardo Cunha e da mesma mídia sabidamente manipuladora e historicamente golpista, bem como devota das própria retórica de “liberdade” baseada na lei do mercado, as mentalidades elitistas brasileiras (que não escolhem classe social) podem ter a condição de prostração intelectual e de falência moral refletida com perfeição nas palavras de Johann Wolfgang von Goethe: “Ninguém está mais desesperadamente escravizado, que aquele que falsamente acredita ser livre”.

E em não raros casos, certamente, é ainda mais sofrível ter-se consciência da escravidão econômica, social e política passivamente por medo, por interesse ou por uma patética combinação de ambos. Para os setores reacionários nacionais, imbecilizados pela grande mídia oligárquica pertencente a cinco famílias e financiada diretamente por Washington (fato comprovado documentalmente por WikiLeaks), pode o FMI e todas as evidências, atuais e históricas, apontar contrariamente a suas ideias pré-concebidas que tudo será em vão e tudo seguirá como está. A história mostra isso, e hoje e só esperar para ver.

Edu Montesanti

Fonte Global Research

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O Governo Temer, os ruralistas e a resistência dos indígenas

A população indígena brasileira tem motivos para se preocupar com o governo interino encabeçado por Michel Temer e sua quadrilha. As demandas históricas dos povos originários não recebem a devida atenção das autoridades nem visibilidade da imprensa e suas causas são, frequentemente, relegadas a um segundo plano na esfera do Estado. O resultado: perseguição crescente às suas comunidades, assassinatos, abandono ou descaso em relação à infraestrutura básica e perda de território.

Entre os principais inimigos dos índios se destaca a bancada ruralista no Congresso, que aprovou na comissão especial a PEC 215, que trata as terras tradicionais como propriedades rurais. Com o fim do conceito de “tradicionalidade”, abre-se caminho para o avanço de empresas em áreas já homologadas. Esta proposta, além disso, transfere da União para o Congresso a competência pelas demarcações. Isso para não falar na própria CPI da Funai e do Incra, outra pauta apoiada pelos ruralistas.

É bom ressaltar que o novo ministro da “Justiça”, Alexandre de Moraes (o mesmo que classificou os protestos dos movimentos sociais contra o impeachment como “atos de guerrilha”), declarou que irá rever as “demarcações de terras indígenas que foram feitas, se não na correria, no apagar das luzes” do governo Dilma (como a TI Dourados-Amambaí Peguá I, no Mato Grosso do Sul, onde vivem os guarani kaiowá, o grupo que mais sofre com assassinatos em todo o Brasil, numa área em que 390 moradores perderam a vida por conflitos armados entre 2003 e 2014). Um comentário sem dúvida pouco alentador, mas que na verdade reflete a intenção do próprio Michel Temer, que chegou a aludir “extraoficialmente” algo no mesmo sentido (antes do afastamento, Dilma acelerou o processo de demarcação de terras indígenas, tendo a Funai, ulteriormente, delimitado nove áreas, a presidência homologado quatro e o Ministério da Justiça, declarado doze).

É verdade que o histórico de Rousseff neste caso também não é dos melhores. Sua gestão foi a que menos reconheceu terras indígenas desde a redemocratização do país (ainda assim, a presidente afastada homologou em torno de um milhão de hectares). Durante sua administração, a Funai foi enxugada: o orçamento da fundação, que era de R$ 174 milhões em 2013, passou para R$ 154 milhões em 2014 e chegou a R$145 milhões em 2015. Além disso, o número de seus funcionários permanentes diminuiu, a instituição operando atualmente com apenas 36% da sua capacidade total de servidores. Os índios, por sua vez, não conseguiram colocar, nesse período, nenhum representante no Parlamento. Com Temer, porém, a avaliação dos povos originários é que a situação vai piorar.

Afinal, a hostilidade dos ruralistas é grande. E há exemplos que mostram nitidamente isto. Um deles é o deputado federal Luís Carlos Heinze, do PP do Rio Grande do Sul, que recentemente fez um chamamento em vídeo a colegas da “Associação de Pequenos Agricultores de Ilhéus, Una e Buerarema”, incitando à violência contra os tupinambá de Olivença (Bahia). Em sua saudação, afirma que ele e seu grupo estão “trabalhando para desmontar a farsa da questão indígena” e que “agora, com o novo ministro da Justiça”, se empenharão para “mudar a direção da Funai”. Segundo o político gaúcho, o país está sob nova direção. Isso significa que sua bancada, na atual conjuntura, irá se esforçar para desmanchar muitos decretos e portarias. Este é o mesmo deputado que, poucos anos atrás, disse que os índios e outras minorias são “tudo que não presta” e que, por estas e outras razões, em 2014, recebeu da ONG britânica Survival, o título de “Racista do ano”. A agressividade dos ruralistas, assim, deve ser ressaltada quando se trata de uma questão tão delicada.

Não se pode esquecer também do ataque do setor da mineração em diversas frentes. Uma delas, a nível parlamentar, através da PLS 654/2015, proposta por ninguém menos que o senador Romero Jucá, tem como objetivo simplificar o licenciamento ambiental, inclusive para as obras de mineração.

Não custa recordar o papel nefasto deste político ao longo dos anos. Em artigo no jornal O Globo, de 9 de abril de 2016, Arnaldo Bloch lembra a atuação de Jucá como presidente da Funai no governo Sarney. Segundo Bloch, este indivíduo “teve papel preponderante na mais devastadora política de destruição de terras indígenas desde o contato com a fronteira branca, em fins do século XIX”. Diz o colunista: “Nos anos 1980, o hoje senador pelo PMDB de Roraima estimulou uma corrida ao ouro que provocou uma invasão de mineradoras e garimpeiros ilegais. O número de exploradores chegou a ser cinco vezes o de ianomâmis. Só o reconhecimento, em 1992, dos 9,6 milhões de hectares, maior área demarcada do Brasil, de alta relevância para a proteção da biodiversidade amazônica, estancou a sangria”. Continua ele: “Jucá não sossegou. Foi ele quem apresentou o projeto de Lei 1610, de 1996, propondo o recorte das terras de olho no artigo 176 da Constituição, que libera a exploração com legislação específica… Hoje, mais de 50% da superfície ianomâmi está requisitada por mineradoras. A filha de Jucá, sócia majoritária da Boa Vista Mineração, teve 90.000 hectares requeridos. Com a tramitação da PEC 215, determinando a revisão das demarcações em aberto e das homologadas – ferindo a tal Constituição Cidadã que Michel Temer se orgulha tanto de ter integrado – imagine-se o que vem por aí”. É esse o homem que o presidente golpista escolheu para trabalhar a seu lado como ministro do Planejamento…

A invasão dos territórios nativos e das florestas é acompanhada pelo aumento do desmatamento. O assoreamento dos rios e a contaminação de solo e água por utilização de pesticidas são consequências deste fenômeno. A situação é alarmante. De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antonio Donato Nobre, em entrevista para o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), em relação à devastação da selva, só de corte raso, nos últimos 40 anos, se eliminou o equivalente a 184 milhões de campos de futebol. Ou seja, “foram destruídas 42 bilhões de árvores em 40 anos, cerca de 3 milhões de árvores por dia, 2.000 árvores por minuto”. Essa tendência tem provocado mudanças climáticas no país, com o aumento de temperatura, racionamento de água e secas agudas e prolongadas em diversas regiões. Por trás de tudo isso, os interesses do agronegócio e das grandes corporações…

A situação no momento, portanto, é grave. Como afirma um documento do CIMI, entre as reivindicações da bancada ruralista ao novo mandatário estão “a readmissão de formas de trabalho análogas à escravidão” e “o fim do licenciamento ambiental e a exploração desenfreada da biodiversidade brasileira”, além “da revisão das demarcações de terras indígenas e o tratamento das retomadas de terras tradicionais feitas pelos indígenas como casos de segurança nacional, com envio do Exército para áreas consideradas como de ‘risco’ de ocupações por estes povos”.

Os confrontos parecem inevitáveis. Nesse sentido, o governo Temer já pode contabilizar as primeiras vítimas indígenas. Em Caarapó (MS), no dia 14 de junho, um agente de saúde, o guarani kaiowá Cloudione Rodrigues Souza, perdeu a vida após ser baleado por fazendeiros locais, que também feriram outros seis índios (entre os quais, uma criança). Os atiradores dispararam contra um grupo de nativos, reunidos perto da aldeia Teikuê (dois dias antes, em torno de cem homens haviam iniciado o processo de ocupação das terras reivindicadas por eles, o que desagradou os produtores rurais da região, que tem a intenção de contestar judicialmente o relatório da Funai, que demarcou o território). Esta área possui 55,5 mil hectares e pode garantir a sobrevivência de quatro comunidades da região, com quase seis mil pessoas. Os índios, neste caso, viram de perto a brutalidade dos fazendeiros…

Os indígenas brasileiros, assim, não têm nada a comemorar com o governo golpista de Michel Temer. Pelo contrário. Mas eles certamente se manterão firmes e altivos em sua resistência histórica. Inclusive contra o usurpador de plantão e seus asseclas. É dever de todos nós apoiar a sua causa.

Luiz Bernardo Pericás

Fonte Blog da Boitempo

Plenária denuncia os perigos do neoliberalismo em Caucaia


No primeiro domingo de junho, (05/06) o Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo (Ceará) promoveu rico debate sobre os efeitos nefastos do neoliberalismo sobre os brasileiros, em especial sobre a população que mora na cidade de Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza. A atividade aconteceu na Biblioteca Comunitária Culturoteca e contou com a presença de estudantes, militantes sociais e trabalhadores. 

Na ocasião, para orientar os debates foi exibido o documentário “2001: Uma odisseia à Brasileira”, de Mariana Vitarelli. O filme diz como estava o Brasil em um momento histórico importante para o país e o mundo; o inicio da “Guerra ao Terror” após o ataque às Torres Gêmeas em 11-09. No Brasil, o modelo neoliberal desmantelava os serviços essenciais para o povo pobre, aprofundando o fosso entre ricos e pobres. A promessa de modernidade para o país se mostrou na verdade um pesadelo para trabalhadores.

Os debates que seguiram ao filme foram no sentido de denunciar a ameaça neoliberal através do governo golpista de Michel Temer. Em Caucaia, significará o aprofundamento das injustiças sociais. A miséria, a ausência de saneamento básico e assistência à saúde, além da violência crescente são sintomas desse mal que só nós podemos suplantar. 

CLCN