A crise do capital e o novo tipo de golpe

Para romper o círculo de fogo que o imperialismo nos impõe, é necessária a unidade das forças democráticas, como a heroica ANL indicou na luta contra o fascismo em 1935.

Fortaleza contra o golpismo e pela democracia

A denúncia dos fascistas é um fato importante que constrange os golpistas momentaneamente.

O legado de Hugo Chavez para Venezuela, América Latina e o Mundo

Amor, trabalho e estudo; e luta e compromisso, poderiam sintetizar o legado do comandante-presidente Hugo Chávez.

A literatura de cordel de Antônio Queiroz de França a serviço da revolução

O poeta cordelista cearense Antônio Queiroz de França é um trabalhador das palavras a serviço da Revolução.

China: O mito do “Socialismo de Mercado”

“A análise concreta da situação concreta é a alma viva, a essência do marxismo” Lênin.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Saber, conhecimento e currículo: questões de classe

A busca pela sobrevivência levou o homem a viver em sociedade e assim começou sua relação com o grupo e também os problemas destas relações.

Sua história surge em decorrência da sua vivência com a sociedade. Com sua evolução, o homem transformou a natureza através do trabalho e também passou a ser escravo dele.

As diferenças surgiram em sociedades que precisavam se organizar para garantir sua sobrevivência. E estas sociedades se fundaram em bases injustas.

O saber, a cultura e o excedente da produção ficaram e ficam para a classe dominante, que de forma escamoteada se utiliza destes, como artifícios para negar às classes menos favorecidas o caminho da sua emancipação e seu desenvolvimento.

A criança, considerada parte irrelevante deste processo, somente no século XVIII é que passa a ser integrada ao contexto do conhecimento.

A escola, sempre tendo papel de simples repassador de conhecimento acadêmico não se importa se este ensino apenas será a porta de entrada para a sua exclusão social.

Para a classe dominante, o proletário fracassou por sua própria culpa, por falta de vontade ou de sorte. A intenção da inclusão das classes dominadas na escola se dá apenas em decorrência dos futuros empregados saberem ler as instruções de suas máquinas.

E o problema de um currículo voltado para satisfazer os interesses das classes dominantes não para na escola. A universidade também é palco deste alijamento do conhecimento para as classes dominadas.

Com tempo escasso para aplicação dos currículos, colocam-se milhares de alunos inaptos num selvagem mercado de trabalho.

Com a política do ‘mero ensinar’ e ‘mero aprender’ chegamos ao absurdo de formarmos professores sem o profundo conhecimento do que ele mesmo ensina.

Muitas vezes é chamado a atuar em outro campo como se ele fosse detentor de estrondosa versatilidade, caindo no erro de sempre, por acreditar que ensinar é somente repassar o conhecimento, e não emancipar o educando.

Na maioria das vezes aceita determinadas tarefas (mesmo sabendo que não irá realizar um bom trabalho) apenas por uma questão de sobrevivência.

Formam-se sem nem mesmo entenderem o que leram, sendo repassadores da cultura ‘quem não cola, não sai da escola’, não sabem nem mesmo redigirem um texto.

A escola tem o papel fundamental de ser a transformadora desta cultura, será nela que o educando receberá, desde as series iniciais, toda a estrutura para conseguir reproduzir ao longo de sua trajetória o que realmente é importante para a sua formação.

Os professores com uma formação engajada deverão incentivar os seus alunos a despertar o verdadeiro senso crítico, ensinando que quando aprendemos em grupo podemos auxiliar uns aos outros, que planejando somos capazes de atender às necessidades do educando, ensinando que o respeito à cultura nos mostra que não somos diferentes uns dos outros, mas que fazemos parte da mesma classe de oprimidos.

Ensinar que ser cidadão não é apenas votar de dois em dois anos, que ser cidadão é também ser solidário e buscar sua emancipação.

Amazonia Ramos

Fonte: Jornal Inverta

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Barbárie apodera-se de prisões brasileiras: mais de 130 mortos

A crueldade pareceu apoderar-se definitivamente das prisões brasileiras, onde nas duas primeiras semanas deste ano foram assassinados mais de 130 detentos, a maior parte deles degolados ou carbonizados.

'O cenário foi de barbárie. Eram corpos decapitados. Muita destruição', são as impressões do secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino da Silva, depois do massacre ocorrido na penitenciaría de Alcazuz, a maior do estado e onde ontem foram ultimados 26 reclusos.

Especialistas periciais confirmaram a apreciação de Da Silva e ratificaram que a totalidade dos mortos foram decapitados ou carbonizados. Em todos os casos, acrescentaram os peritos, os cadáveres tinham marcas de objetos cortantes e, aparentemente, nenhum tinha marcas de disparos.

A prisão de Alcazuz foi palco durante 14 horas de uma revolta que começou no sábado pela tarde e só pôde ser sufocada ontem, depois que forças da Polícia Militar, incluídas tropas de choque e do Batalhão de Operações Especiais, conseguiram ingressar na área dos distúrbios de forma tranquila.

Este foi o maior massacre registrado na história do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte e, de acordo com o Secretário de Segurança Pública e Defesa Social Caio César Bezerra, o embate se produziu quando presos de um pavilhão invadiram outro de uma facção rival para massacrar seus rivais.

Situada no município de Nísia Floresta, a 25 quilômetros de Natal, a capital estadual, a prisão de Alcazuz tem capacidade para abrigar 620 presos, mas nos momentos da rebelião estavam ali 1.150, segundo dados da Secretaria de Justiça e Cidadania citados pelo portal de notícias UOL.

Na paranaense Penitenciaria Estadual de Piraquara, localizada na região metropolitana de Curitiba, 28 presos fugiram e dois foram mortos ontem nos confrontos com os policiais que tentavam deter a rebelião.

O secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, declarou aos meios de imprensa que pelo modo como se desenvolveu a ação e o apoio recebido pelos réus do exterior, 'está claro que foi orquestrada pelo crime organizado e pode ter relação com a onda de crimes que tem lugar nas prisões do norte do país'.

Ao redor das três da madrugada, houve um tumulto entre os presos, evidentemente com o propósito de desviar a atenção dos agentes penitenciários, e quase três horas depois ocorreram dois fortes estrondos que derrubaram parte do muro da prisão e cerca de 15 homens fortemente armados cobriram a evasão, relatou.

Por outra parte, soube-se também que serviços de inteligência de Recife, a capital de Pernambuco, descobriram um plano e fuga em massa d do presídio Frei Damião de Bozzano, uma das três unidades que integram o Complexo Penitenciário de Curado.

No decorrer deste ano, as revoltas nos presídios do Brasil causaram a morte de pelo menos 134 presos, mais de 1/3 de todos os assassinatos registrados no passado ano nas penitenciárias (372).

Aos 28 homicídios reportados neste domingo somaram-se os dois ocorridos na sexta-feira na prisão de Tupi Paulista, no estado de São Paulo. Antes tinham sido massacrados 67 presos no Amazonas, 33 em Roraima e dois na Paraíba e Alagoas.

Fonte: Prensa Latina

domingo, 15 de janeiro de 2017

FARC-EP: Desmentimos falsas acusações que nos vinculam com máfias Brasileiras

Diversos meios de comunicação do Brasil e agências internacionais de imprensa vêm difundindo profusamente um suposto informe da Promotoria de Manaus, capital do estado do Amazonas, aparecido em 2014, que trata de vincular as FARC-EP com organizações mafiosas vinculadas ao narcotráfico.

Baseados nessa mentira, agora pretendem responsabilizar a nossa organização guerrilheira com o espantoso massacre de 56 pessoas, ocorrido entre os dias 1º e 2 de janeiro no complexo carcerário Anisio Jobim, da cidade de Manaus.

Deve ser grande a ignorância ou enorme a má-fé do correspondente da Agência de Notícias EFE, em Manaus, quem, sem contrastar fontes, se atreve a insinuar responsabilidade das FARC-EP em fato que rechaçamos e condenamos porque ferem a consciência dos povos civilizados do mundo.

Não custa nada recordar que desde 2012 iniciamos diálogos com o governo colombiano, em busca de uma solução política ao conflito social e armado do qual padece nosso país desde há mais de 60 anos, os quais concluíram positivamente com a firma do Acordo Final de Paz, em novembro de 2016. Agora entramos na etapa de implementação do pactuado.

Devem ser as autoridades do irmão povo do Brasil quem investiguem as causas do sucedido, quem é ou quais são os responsáveis e se tomem as medidas necessárias para impedir repetição destes lamentáveis fatos. A esse mesmo povo do Brasil, aos familiares e amigos dos falecidos no massacre, nossa solidariedade e voz de alento em exigência para que se conheça toda a verdade. 

Secretariado do Estado-Maior Central das FARC-EP

sábado, 14 de janeiro de 2017

O Novo ‘Pearl Harbor’ E A Propaganda Do Terror. Recontando os Crimes que Mudaram o Curso da História

Em maio de 2014, o historiador suíço Daniele Ganser questionou em Journal of 9/11 Studies: “Os historiadores, hoje e nos próximos anos, enfrentam uma tarefa desafiante: devem escrever a história dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001. O que escreverem, será ensinado nas aulas de História. Mas o que escreverão? Que Osama bin laden enviou 19 muçulmanos a fim de executar um ataque de surpresa nos EUA? Ou escreverão que a administração de Bush foi responsável pelo ataque, seja arquitetando-o ou deliberadamente permitindo a fim de chocar a população dos EUA, criar um pretexto para aumentar os gastos militares, e atacar Afeganistão e Iraque?”.
Longe de esclarecimentos ao mesmo tempo que acarretam consequências catastróficas à humanidade, os ataques do 11 de Setembro (11/9) nos Estados Unidos mudaram o curso da história muito mais que pelo atrativo jornalístico capaz de transmitir, ao vivo e com requintes de Hollywood o choque à Torre Sul do complexo do World Trade Center em Nova Iorque – duas emissoras simplesmente anteciparam, uma delas em uma hora, a queda do terceiro edifício, o Word Trade Center 7 jamais atingido por nenhum avião, ambos os fatos quem chama profunda atenção e geram inúmeros questionamentos, até hoje não explicados.Procurado pela reportagem, o ativista e escritor norte-americano Kevin Ryan, um dos maiores investigadores das implicações do 11/9, autor de Another Nineteen: Investigating Legitimate 9/11 Suspects, membro-fundador da Scholars for 9/11 Truth & Justice, do 9/11 Working Group of Bloomington além de diretor do Architects and Engineers for 9/11 Truth e co-editor do Journal of 9/11 Studies desde 2006, questiona: “Ou o terrorismo foi facilitado dentro dos Estados Unidos, ou o governo inexplicavelmente fracassou ao responder quando a nação foi atacada”.Segundo a versão oficial, os maiores ataques em solo norte-americano da história foram arquitetados de uma caverna no Afeganistão pelo saudita de origem iemenita Osama bin Laden quem, treinado, financiado e armado nas fileiras de Washington durante a Guerra Fria, esteve às vésperas dos atentados sob tratamento de hemodiálise no Hospital Americano de Dubai, capital dos Emirados Árabes, amigavelmente visitado por agentes da CIA. Em poucos dias, como se tudo já estivesse de antemão preparado, as forças norte-americanas e da OTAN já encontravam-se organizadas para combater na propalada “Guerra ao Terror”.Declarada de uma catedral pelo então presidente dos Estados Unidos George W. Bush, citando salmos ao lado de um rabino, de um padre e de um pastor evangélico, nos 15 anos cumpridos em 7 de outubro (data da invasão ao Afeganistão, em 2001), esta arbitrária guerra, mais longa ocupação militar da história dos Estados Unidos que fere todas as leis internacionais e a própria Constituição norte-americana (a qual desautoriza guerras de agressão), e que desde o início recusa-se em levantar provas e realizar julgamentos, tem gerado centenas de milhares de refugiados em todo o mundo, além de ter assassinado mais de um milhão e meio de civis apenas no Afeganistão e no Iraque, Estados que jamais atacaram nem sequer apresentaram, em nenhum momento na história, ameaça à segurança dos Estados Unidos.Crimes por forças policiais ocorridos inclusive na Europa, como no caso do estudante brasileiro Jean Charles de Menezes de 27 anos, baleado pelas costas por ter sido “confundido” com um “suspeito” de práticas terroristas pela Polícia de Londres em 2005; um dentre milhões de crimes jamais investigados nesta maniqueísta guerra que rompeu a política externa norte-americana e as relações internacionais em quase 400 anos, desde a assinatura da Paz de Vestfália que, em 1648, colocou fim á Guerra dos Trinta Anos na Europa surgindo como marco no equilíbrio de forças internacional, ao garantir a soberania das nações. Sobre o Estado policialesco que se tornou também o Reino Unido desde que teve início a “Guerra ao Terror”, o ativista britânico pelos direitos humanos Peter Tatchell, com longa história de luta e vítima perseguições e detenções pela causa das minorias em seu país, conta que “o Reino Unido introduziu a detenção sem acusação ou julgamento de suspeitos de terrorismo”.
Já nos epicentros da chamada luta contra o terrorismo, “do ponto de vista da proteção de civis ambas as operações têm sido um desastre”, afirma o finlandês Timo Kivimäki, professor de Relações Internacionais e diretor de Pesquisa da Universidade de Bath (Reino Unido), especialista em terrorismo global, um dos poucos acadêmicos sóbrios ao pensar o assunto que também traz, nesta reportagem, análises de como superar o terrorismo global. Mas os atentados do 11/9 mudaram o destino da humanidade, sobretudo, pelo estado permanente de medo nos quatro cantos do planeta que, inevitavelmente, alimenta desde o início a “Guerra ao Terror” apoiada em tão forte quanto precário apelo moralista e religioso: intolerância contra toda e qualquer diferença, especialmente islamitas de origem árabe estigmatizados pela mídia, incluindo a indústria cinematográfica norte-americana. Através disso, direitos civis têm sido feridos sem precedentes em todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos com a introdução da Doutrina Bush seguida, em grande medida, por Barack Obama hoje – em determinados casos até ampliada, como a vigilância doméstica e global que se apoia, pateticamente, no discurso de segurança nacional. Profundo estado de tensão internacional levado às últimas consequências, sentido na vida cotidiana dos sete bilhões de habitantes da Terra hoje das mais diversas maneiras e nos mais diversos locais, públicos ou não.
“O medo funciona. O povo amedrontado faz qualquer coisa. Para que sintam medo é preciso criar uma aura de ameaça eterna. Os terroristas [do governo dos Estados Unidos] nos manipulam: sobem o alerta para laranja, depois para vermelho, e voltam para laranja. Eles misturam mensagens, e você enlouquece. É como treinar um cão: se você disser ‘sente e role’ ao mesmo tempo, ele não saberá o que fazer. O povo norte-americano vem sendo tratado assim! Estimulam o medo do povo. É impossível que alguém consiga viver assim, sempre no limite. O alerta não cairá para verde ou azul, nunca chegará lá!”, afirmou Jim McDermott, ex-congressista e psiquiatra norte-americano, no documentário Fahrenheit 9/11, do cineasta Michael Moore.
Com a imposição do medo por certos governos, grandes guerras e invasões foram perpetradas ao longo da história e abriram caminho para a imposição de políticas de linha dura, blindando a corrupção desenfreada das classes dominantes. No caso específico dos Estados Unidos no início deste século, “os crimes do 11/9 foram pretexto para guerras de agressão já previstas, empreendidas para consolidar o poder através da pilhagem de recursos naturais”, afirma Ryan. Durante os anos de Obama, quem chegou à Casa Branca sob discurso pacifista e defesa dos direitos humanos, houve acirramento da agressividade das forças militares no Oriente Médio, e nenhuma investigação sobre as implicações do 11/9.
Particularmente sobre a mídia corporativa internacional, desde o início optou pelo sensacionalismo e pela geração de histeria, favorecendo o discurso do governo local e sem nenhuma motivação investigativa. “Na sociedade de hoje, a mídia não é uma ferramenta para informar o público. É de entretenimento e propaganda. As pessoas não são entretidas por questões que desafiam seriamente as principais instituições de suas vidas”, pontua Ryan. “Quando os meios de comunicação predominantes relatam as questões não respondidas do 11/9, geralmente são muito limitados. Nunca vemos reportagens sobre os testemunhos do bombeiro nas explosões secundárias nos edifícios do World Trade Center [relatando explosivos contidos dentro da Torre, desde o subsolo até os andares superiores], nem investigação sobre os exercícios militares que obstruíam as respostas de defesa aérea naquele dia. Não ouvimos nada sobre como setenta por cento das questões das famílias das vítimas do 11/9 permanecem sem resposta diante da versão oficial”.
Os crimes do 11/9 também têm servido para que o governo dos Estados Unidos, sem aval judicial nem sequer provas, mantenha preso pelo tempo que a Casa Branca e a CIA determinarem, e torture das maneiras mais cruéis civis “suspeitos” de práticas terroristas. Sobre isto, o ex-agente da CIA John Kiriakou traz sérias revelações. “Fiquei em silêncio de 2002 até 2007. Decidi, finalmente, denunciar em dezembro de 2007 depois que o presidente George W. Bush mentiu duas vezes ao povo norte-americano. Ele disse, na primeira vez, que os Estados Unidos não torturavam ninguém”, conta Kiriakou, quem se demitiu da Agência de Inteligência e ficou dois anos preso por denunciar a administração de Bush.
E a realidade do Afeganistão, cuja ideia imposta ao inconsciente das sociedades ocidentais pela mídia predominante é que se trata de nação cujas vidas são de menos valor, é trazida do próprio país sul-asiático por duas importantes vozes que denunciam, em altíssono: “Vivemos um 11 de Setembro todos os dias no Afeganistão”. São elas: a líder da Associação das Mulheres Revolucionárias do Afeganistão (RAWA, na sigla em inglês), que se identifica apenas como Friba para sua segurança, e a ativista pelos direitos humanos, escritora e ex-parlamentar expulsa injustamente do cargo por denunciar membros narcotraficantes e acentuadamente misóginos colocados no poder pelos Estados Unidos, Malalaï Joya, quem, jurada de morte, vive escondida, nunca dorme duas noites na mesma casa e se movimenta pelo país apenas de táxi debaixo de uma burca, com 12 seguranças fortemente armados.
Realidade cruel que a mídia de desinformação global tem se recusado a apresentar – a não ser quando se trata de lançar mais gasolina sobre o fogo terrorista, com a velha pitada de petróleo árabe tornando-se, assim, perfeita propagandista do terror e dos interesses belicistas, econômicos e estratégicos do Império de turno.
Combate ao Terror, Crimes de Guerra e Narcotráfico
Em 3 de outubro de 2015, o hospital de Médicos sem Fronteiras na cidade afegã de Kunduz foi bombardeada “por engano” pelas forças norte-americanas, deixando como saldo 42 mortos e a destruição completa das instalações do centro de saúde. Tal “equívoco” tem sido uma constante diária no Afeganistão desde outubro de 2001. No país sul-asiático, o cenário é catastrófico: dia a dia inúmeras residências, escolas e hospitais destruídos deixando dezenas de milhares de inocentes mortos incluindo crianças, mulheres e idosos, além de um número ainda maior de inválidos.Kivimäki é enfático ao se referir à suposta luta do bem (Ocidente) contra o mal (muçulmanos e árabes em geral): “Não há nenhuma Guerra contra o Terror. Se houvesse, não usaria o terror como tática”. Na realidade, novas invasões ao Oriente Médio já estavam previstas nos porões de Washington bem antes dos atentados do 11/9: o Projeto para o Novo Século Norte-Americano, iniciado em meados da década de 1990 pelo então presidente Bill Clinton, foi reelaborado por futuros integrantes da equipe de governo de George H. Bush (filho) em 2000, ano das eleições presidenciais que dariam vitória justamente a Bush. No documento, os arquitetos dos crimes internacionais dos Estados Unidos, eufemisticamente chamados de “política externa”, alegam que apenas um novo Pearl Harbor seria capaz de motivar nova empreitada na região mais rica em petróleo do planeta, e assim impulsionar a já combalida economia do país à época. “Se olharmos para os países onde a proteção das grandes potências tem operado, podemos ver que mais da metade das mortes em conflitos do mundo é produzida ali”, acrescenta o analista.As invasões norte-americanas ao Afeganistão em 2001 e Iraque em 2003 ferem a Constituição dos Estados Unidos, a qual não autoriza guerra preventiva, isto é, sem que o país haja sido agredido antes. No plano externo, Washington e seus aliados têm passado por cima dos acordos internacionais estipulados pelas Nações Unidas (ONU), a qual prevê guerra apenas como “ação em caso de Ameaça à paz, ruptura de paz e agressão” de um Estado contra outro em sua Carta, capítulo VII, ratificada por seus 193 países-membros, incluindo os próprios Estados Unidos.Sobre as alegações do então presidente Bush de que Saddam Hussein armazenava e produzia bombas de destruição em massa, jamais encontradas, além de ter tido ligações com os terroristas do 11/9, fato tampouco comprovado, a ONU vistoriou o Iraque por vários meses prévios à invasão norte-americana sem ter encontrado nada que motivasse intervenção militar, manifestando-se totalmente contrária à invasão em consonância com os países da região e de praticamente todas as partes do mundo.Para o analista finlandês, a brutalidade das forças militares ocidentais que carece de legitimidade e fere a Convenção de Genebra, ataca indiscriminadamente os direitos humanos, impõe seus valores e aumenta ataques aéreos visando apenas punição de supostos inimigos, sem considerar solidariedade internacional e o fortalecimento da ONU, gera efeito reverso aumentando atos terroristas e diminuindo a segurança dentro dos Estados Unidos e dos países aliados. “Apenas através de ações interativas de paz e de diálogo, esta espiral de escalada poderia ser encerrada”, adverte. E observa ainda: “Na imposição de justiça e equidade, estes países tornaram-se atores enquanto outros, especialmente os países em desenvolvimento e muçulmanos, os objetos de disciplina das coalizões militares, gerando ressentimento. As operações militares no Oriente Médio têm aumentado a violência, de maneira que a proteção voltou-se contra aqueles que se tem o objetivo de proteger. As maciças operações militares ocidentais que minaram os direitos soberanos de muitos países muçulmanos e que causaram uma série de fatalidades, deram origem à expansão do radicalismo anti-ocidental no Terceiro Mundo muçulmano. A lógica da escalada, do aprofundamento e da difusão do ódio de ambos os lados se impuseram, e novas formas de terrorismo surgiram”. Neste sentido, Tatchell aponta: “A Guerra ao Terror está a ponto de se transformar em uma guerra de terror, com as novas leis draconianas que afirmam defender a liberdade, na verdade a minando”.
Dentro do Reino Unido, maior aliado de Washington, Tatchell lembra que tem havido ataques e prisões muitas vezes violentos de muçulmanos totalmente inocentes, inclusive de muçulmanos universitários que pesquisavam a Al-Qaeda como parte dos estudos. “Tais excessos são contraproducentes, contribuem para uma maior radicalização da comunidade muçulmana”.
No Afeganistão, Joya aponta aos gastos militares bilionários de Washington em seu país como contraditórios, questionando o destino do dinheiro e observando que o Taliban, paradoxalmente, apenas se fortalece. “Se uma pequena parte desse dinheiro fosse gasta de verdade na mudança de vida do povo afegão, a situação poderia mudar”, pontua a ativista.
Mencionando que democracia não pode ser imposta por intervenção estrangeira segundo todas as evidências históricas e a do próprio Afeganistão hoje, Friba afirma que “a chave para a liberdade e para a democracia está em uma luta unida, organizada do nosso povo. Uma luta árdua que seja, mas não há outra maneira de sair deste atoleiro. Apenas as pessoas de um país podem decidir seu destino, e construir um sistema que lhes serve”. A isso, Joya acrescenta: “Não há dúvidas de que o Afeganistão precisa de ajuda internacional para voltar aos trilhos e se reconstruir, mas nós não queremos ocupação, os afegãos têm uma longa história de oposição à ocupação estrangeira”.
Enquanto afirma que a maioria dos afegãos considera que o governo dos Estados Unidos os traiu em nome de democracia e defesa dos direitos humanos, especialmente das mulheres historicamente oprimidas em seu país, Friba alerta: “As pessoas que amam a paz têm que enxergar a realidade do Afeganistão, e de todos os outros países que os Estados Unidos invadiram. O que eles veem como raras notícias da situação catastrófica nesses países, é a realidade cotidiana do povo. Elas precisam pressionar seus governos para que mudem a política de invasões e ocupação, e serem solidárias às vítimas dessas guerras, o que fortalecerá a luta pela liberdade e pela democracia nesses países. Elas devem saber que o imposto que pagam é usado por seus governos para tornar o Afeganistão e outros países em guerra um Inferno, que irá impactar diretamente suas vidas e tornar os países ocidentais inseguros, como o que testemunhamos hoje nas cidades europeias”.
Obama assumiu a Casa Branca em 2009 prometendo encerrar a ocupação no Afeganistão. Com o passar do tempo, contudo, foi se evidenciando que a promessa não seria cumprido até que, em 16 de maio de 2013, ficou claro que o presidente norte-americano não manteria fielmente a essência velada da “Guerra ao Terror, de perpetuar a ocupação em um país estratégico pela localização, próximo de rivais como China, Rússia e Irã, além da proximidade em relação a países com grandes reservas petrolíferas e pela grande riqueza afegã em recursos minerais que, segundo Friba, têm sido privatizados por “instituições imperialistas como FMI, Banco Mundial, OMS, com consequências devastadoras ao pobre povo afegão”. Pois em maio de 2013, Michael Sheehan, secretário-adjunto de Defesa para operações especiais e conflitos de baixa intensidade, prenunciou que “a guerra contra a Al-Qaeda e suas redes afiliadas poderia durar mais 20 anos”, durante uma audiência no Senado a fim de solicitar autorização para o uso da Força Militar.
“O governo dos Estados Unidos tem dado as mãos aos mais brutais inimigos do povo afegão, e instalado pessoas infames e corruptas em cargos-chave de seu regime-fantoche para avançar em seus interesses regionais no Afeganistão”, afirma Joya. E acrescenta: “As forças dos Estados Unidos e da OTAN não são sérias em sua luta contra o Taliban, contra quem joga o jogo de Tom e Jerry. Todos sabem que derrotar um pequeno grupo como o Taliban não é difícil para uma superpotência apoiada por diversas outras nações, mas os Estados Unidos precisam do Taliban como desculpa para ficar no Afeganistão por muito tempo, e transformar o país em sua base militar na região para combater potências asiáticas tais como China, Rússia, Irã, entre outros, e também prosseguir com suas estratégias econômicas e militares na região”.
Assim, o regime de Obama apenas tem aumentado os crimes de guerra no Afeganistão matando até mais civis que Bush, superando este, em muitas vezes, até na utilização dos devastadores drones, aviões não tripulados considerados ilegais por ferir a soberania das nações e matar sem prévia sentença judicial, além de colocar em maior risco a vida de civis inocentes conforme mostram claramente os fatos e o próprio relatório da comissão bipartidária norte-americana que, em 2014, incluiu diversos ex-agentes da inteligência e oficiais militares do país. “Os afegãos estão esmagados entre quatro inimigos: as forças dos Estados Unidos e da OTAN, os criminosos e senhores da guerra da Aliança do Norte no governo impostos pelos norte-americanos, o Taliban e um Estado Islamita recém-surgido”, diz Friba, garantindo também que o Afeganistão está pior agora que antes da invasão liderada pelos Estados Unidos.
De acordo com Joya, um dos grandes objetivos por trás da ocupação do Afeganistão é “restaurar o patrocínio do comércio da droga e exercer controle direto sobre as rotas dos 600 bilhões de dólares anuais da indústria global dela, traçada pela CIA. Há relatos de que até o Exército dos Estados Unidos está engajado no tráfico de drogas”. O Afeganistão produz 93% do ópio mundial, um aumento de 4.500% desde 2001 que coloca o país, novamente, como maior produtor mundial da planta, e maior exportador da droga. “A máfia da droga detém o poder afegão, apoiada pelo Ocidente”, denuncia Friba.
Dentro dos Estados Unidos, a prática de tortura por parte da CIA em Guantánamo contra “suspeitos” de envolvimento com terrorismo, segundo Kiriakou, não se trata de exceção como se tentou fazer crer quando tal fato se tornou inegável no final do mandato de Bush – quem tentou se eximir de responsabilidades. “Eu sabia que a CIA estava torturando seus prisioneiros, que a tortura era a política oficial da CIA e que o presidente havia aprovado, pessoalmente, a tortura”. Perguntado se algo mudou com Obama, o ex-agente da CIA é categórico: “Honestamente, não acho que haja nenhuma diferença real entre George W. Bush e Barack Obama. Nossos métodos de inteligência estão exatamente da mesma maneira”. E acrescenta: “Sem supervisão real por parte do Congresso, a CIA vai continuar fazendo o que bem entende em todo o mundo. A CIA tem de trabalhar para proteger o povo norte-americano respeitando os direitos humanos, os direitos civis e as liberdades civis. Ela não está fazendo isso. Segurança e liberdade não são mutuamente exclusivas. Podemos ter ambas”.
Kiriakou enfatiza que os tomadores de decisão de Washington deveriam responder em um tribunal pelo que o ex-agente da CIA qualifica de guerras arbitrárias no Oriente Médio. “Uma guerra de arbitrária é, por definição, uma guerra de agressão. Se George W. Bush, Richard Cheney, Donald Rumsfeld, Condoleeza Rice e outros fossem de qualquer outro país, eles poderiam estar sentados no banco dos réus em Haia”. Ganser segue a mesma linha e acrescenta que esta empreitada ocidental no Oriente Médio “é uma batalha pelo poder, por petróleo e por gás natural. Está relacionada a dinheiro e geostratégia”.
Para Ryan, nada disso é do interesse dos principais meios de comunicação: “Atualmente, são quase inteiramente de propriedade de apenas algumas grandes corporações para impor a verdade à sociedade. Como a General Electric pode vender armas se sua parceira, a rede de TV NBC, disser às pessoas a verdade sobre a guerra?”.
O Novo ‘Pearl Harbor’
As implicações do 11/9 possuem contradições e evidências de sobra que apontam para execução interna, isto é, que norte-americanos em posições de poder foram responsáveis pela realização dos ataques, o que, diante de inúmeras evidências, é o mais plausível enquanto Bush e Obama fizeram de tudo para impedir uma investigação independente instada por pesquisadores locais e familiares de vítimas. Para o atual ocupante da Casa Branca, “é contraproducente olhar para trás”, gerando profunda indignação a familiares de vítimas e pesquisadores da tragédia.A denominada Comissão do 11/9 foi, desde o início, programada para defender o governo de Washington. Sofreu diversas interferências de altos escalões da política conforme Ryan observa: “A Comissão do 11/9 não conseguiu responder 70% das perguntas colocadas pelas famílias do 11/9, responsáveis por dirigir a criação da Comissão. Também é importante perceber que um esboço do que viria a se tornar o Relatório da Comissão do 11/9 foi produzido antes do início da investigação. O esboço foi mantido em sigilo do pessoal da Comissão, e parece ter determinado o seu resultado. Além disso, a Comissão alegou repetidas vezes, 63 vezes para ser exato, que não encontrou nenhuma evidência relacionada a muitos dos aspectos mais importantes dos crimes. Esses fatos sugerem que a Comissão nunca teve nenhuma intenção de revelar a verdade sobre o 9/11″.Diversos físicos e arquitetos norte-americanos, reunidos na organização Architects & Engineers for 9/11 Truth(AE911Truth), observam que as Torres Gêmeas e o World Trade Center 7 (WTC7) ruíram à velocidade de queda livre, o que só seria possível através de implosão controlada. Embora a prefeitura de Nova Iorque, a mando de Bush, tenha removido imediatamente os resquícios dos edifícios que deveriam servir como investigação, alguns transeuntes conseguiram levaram consigo partes dos escombros que acabaram nas mãos dos AE911Truth. Através de minuciosa investigação, foram constatados componentes de explosivos, mais especificamente dinamites em partes dos edifícios destruídos supostamente pelo choque dos aviões, em tese sequestrados por muçulmanos radicais. “Quem colocou os explosivos nos edifícios do World Trade Center?”, questiona Ryan. “Quem foi convidado à reunião de eliminação de explosivos/terrorismo no World Trade Center 7 na manhã de 11 de setembro de 2001, e qual foi a ordem do dia? A segunda questão refere-se a uma reunião convocada por Larry Silverstein e pelo Serviço Secreto no edifício 7 do World Trade Center na manhã de 11/9. Unidades de eliminação de explosivos provenientes de instalações militares dos EUA haviam sido convidadas para a reunião. Foi apenas mais uma incrível coincidência? Precisamos saber mais sobre isso”.Especificamente sobre a queda do WTC7, há o fato surpreendente – para dizer o mínimo – que ele ruiu sem ter sido chocado por nenhum avião. “Foi ao chão por implosão controlada? Ou pelo fogo como o NIST [ National Institute of Standards and Technology] alega?”, questiona Ganser lembrando que mesmo o NIST admite nos dias de hoje que o WTC7 levou poucos alguns segundos para cair. “Isso significa que durante esses segundos,o edifício sofreu resistência zero, resistência absolutamente nenhuma. No entanto, havia 81 colunas sustentando o edifício. Desta maneira, isso é muito estranho”, observa Ganser.Outra pergunta entre as inúmeras sem resposta envolvendo os ataques do 11/9, diz respeito ao tempo que os aviões sobrevoaram o espaço norte-americano: por até uma hora. Especialmente um deles, em direção ao Pentágono, local considerado o mais seguro do mundo, sem ter sido interceptado pelo sistema de segurança aérea que, pela primeira e única vez na história do país, falhou inexplicavelmente diante de uma operação que levaria, no máximo, um minuto para que jatos interceptadores iniciassem o processo de detenção dos aviões. Houve diversos discursos oficiais desencontrados na tentativa de explicar o que realmente aconteceu com a defesa aérea norte-americana naquele dia, um substituindo o outro, todos impossíveis de serem sustentados. No caso particular da Standard Operating Procedures (Procedimentos Operacionais Padrão, responsáveis por garantir respostas de emergência através dos jatos) estavam simplesmente suspensos em 11 de setembro de 2001 – primeira e única vez na história dos Estados Unidos.
“Muitas vezes as pessoas entendem mal, pensando que os transpônderes dos aviões sequestrados foram todos desligados, e que os aviões não poderiam ter sido rastreados. Esta afirmação não reconhece que as autoridades haviam rastreado aviões que traficavam drogas via radar por muitos anos. Mais importante, o voo 175 não desligou o transponder. Este foi o segundo avião que atingiu o World Trade Center e seu transponder esteve ligado durante todo o tempo em que os defensores de ar o assistiam na tela. Por isso, eles sabiam que estava fora da rota. Voou sequestrado por 20 minutos após o primeiro avião ter atingido o World Trade Center, cerca de 45 minutos após o primeiro sequestro, fato sabido das lideranças da Administração Federal de Aviação”, precisa Ryan, quem também questiona: “Na medida em que o piloto automático avança, é interessante notar que, de acordo com o estudo oficial da trajetória de voo, o piloto automático do voo 77 [que atingiu o Pentágono] ficou ligado enquanto o avião era sequestrado, e ao longo de sua volta de 180 graus de volta para Washington. Parece que a volta a Washington foi parte do caminho do voo programado, ou o piloto automático foi comandado instantaneamente”.
Outra contradição diz respeito aos supostos sequestradores dos quatro aviões, que segundo a versão oficial eram 19: seis deles, denunciados no mesmo dia pelo Federal Bureau of Investigation (FBI, polícia federal e secreta dos Estados Unidos), apareceram dias depois vivos em diferentes partes do mundo, denunciando não serem terroristas, possuindo os mesmos dados e a mesma fisionomia das alegadas pelos oficiais norte-americanos. Sobre isso, Ryan lamenta a ausência de investigação por parte do FBI, quem até hoje mantém os seis na lista de sequestradores do 11/9. “Os relatórios de que os homens acusados ainda estavam vivos não foram investigados pelo FBI, nem pela Comissão do 11/9. Mesmo o novo diretor do FBI, Robert Mueller, expressou publicamente dúvidas sobre a identidade dos sequestradores.
Questionado sobre a hipótese de execução interna, Ryan afirma: “É difícil discordar considerando que as pessoas fora dos Estados Unidos não poderiam ter feito o que precisava ser feito [a fim de atingir e derrubar as Torres Gêmeas e o Pentágono]. Por exemplo, apenas norte-americanos poderiam ter levado a rede de comando dos país a falhar, e apenas norte-americanos poderiam ter desativado as defesas aéreas. Em outro sentido, o 11/9 continua sendo uma ‘execução interna’ pela qual muitos norte-americanos não vão sequer atentar à evidência dos crimes. As barreiras psicológicas são muito grandes”.
Para Kiriakou, “o 11 de Setembro foi, é claro, a pior falha de inteligência da história dos Estados Unidos. A CIA nunca poderá mudar isso”. Ryan mostra-se pessimista que a verdade seja encontrada, e que justiça seja feita: “Nenhum dos presidenciáveis [Clinton e Trump] vai fazer nada para desafiar a versão oficial do 11/9. Se o fizessem, nunca ouviríamos nada sobre eles na mídia corporativa”.
Edu Montesanti

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Imprensa da Coreia Democrática rechaça ingerência dos Estados Unidos

O diário Rodong Sinmun, da República Popular Democrática da Coreia, rechaçou hoje em um artigo a ingerência dos Estados Unidos no tema das eleições antecipadas na Coreia do Sul.

Segundo o jornal, Washington recorre a todos os meios para exercer influência nas eleições sul-coreanas e assim manter o domínio sobre esse país que cada vez mais se rebela contra as forças conservadoras.

O povo sul-coreano aprendeu a amarga lição de que nunca saborearão totalmente a liberdade enquanto os conservadores se mantenham no poder, acrescenta a nota.

O referido texto conclui com uma exortação aos partidos políticos, instituições e povo dessa nação a que se unam contra a ingerência imperial e freiem o avanço de uma nova direita na região.

Fonte: Prensa Latina

sábado, 7 de janeiro de 2017

Grandes Revolucionários: Luiz Carlos Prestes

Prestes é um político, por excelência, no melhor sentido. Sua atuação no cenário nacional não tem precedentes em nossa história. Tem sido o exemplo de como se deve fazer política no interesse unicamente do povo. Suas extraordinárias qualidades de líder apuraram-se, por certo, na profunda assimilação do marxismo-leninismo-stalinismo sem o qual não é possível conhecer as leis do desenvolvimento social, não é possível esclarecer e conduzir as grandes massas no caminho da democracia e do progresso. Prestes, como político, surgindo das condições históricas que estão se processando em nosso país, colocou-se a serviço da classe operária e revelou-se um dos maiores líderes do nosso tempo.

Toda a sua vida é uma poderosa ação sempre em marcha e ligada sempre às aspirações e aos interesses do nosso povo. Dai o papel que está exercendo em nossa história, como revolucionário, como patriota, compreendendo as necessidades do nosso desenvolvimento social e pondo-se à frente dos acontecimentos, na direção do seu Partido.

Prestes, Homem Que Faz a História

Prestes declarou há alguns anos que como militar e engenheiro, soldado e operário, homem de ação, portanto, preferia, antes de tudo, participar da história ou fazer a história a escrevê-la. E está claro que a partir de 1922 não se pode falar de nossa história sem colocar no centro dela a figura de Luiz Carlos Prestes.

Na verdade, foi a partir de 1922 que Prestes entrou a participar ou melhor a fazer a história.

"Desde 1922, diz ele, que eu fora envolvido pelos acontecimentos que fizeram estalar do norte ao sul a estrutura política do país." E acrescenta que até então era "quase completo o seu alheamento da política."

Sua existência consistia em estudar afincadamente e trabalhar para a família. A Revolução de 1917 passou-lhe desapercebida. Por essa ocasião destacava-se como o primeiro aluno de sua turma, revelando na Escola Militar um caráter firme, sua inteligência excepcional, uma aplicação exemplar. Vivia entre a dedicação aos estudos e a dedicação à família.

Mas em breve desperta para a vida pública. Seu patriotismo o levava a procurar solução para os problemas do Brasil que já naquele tempo se tornavam graves. Ensaiam-se as primeiras atividades para o movimento de 22. Citemos aqui as próprias palavras de Prestes:

"Em 1921 foi relativamente fácil aos politiqueiros envolver o Exército em suas maquinações. É conhecida a história da carta de Bernardes. O Clube Militar tome a si a questão. Como sócio que era do Clube julguei do meu dever dar o meu voto. Meu raciocínio foi o seguinte: a carta éverdadeira. Bernardes nada mais diz senão o que pensam todos os políticos. Mas poderemos fazer alguma coisa de prático? Estamos nós, oficiais, suficientemente munidos para reagir na altura? Não o creio. E Bernardes já não negou a autoria da carta? Não é isto uma retratação? O mais justo e prudente é, portanto, darmos o incidente por encerrado. Voto contra a perícia que se pretende fazer. Contra essa opinião levantou-se o voto quase unânime da assembléia e, no dia seguinte, senti na Escola Militar onde servia, o desagrado e surpresa que causou entre meus companheiros a atitude independente que assumira e que eles, totalmente envenenados pelo ambiente, não podiam compreender."

Entretanto, reconhecendo que a esmagadora maioria se levantava, e o que restava era o movimento armado, Prestes não hesita:

"Meu lugar só pode ser do lado de cá da barricada".

Verificaram-se os acontecimentos do primeiro cinco de julho. Prestes preso de grave enfermidade não tomou parte da luta. Foi depois transferido para o Rio Grande do Sul.

Para um pequeno grupo ativo e intransigente no Exército da qual Prestes fazia parte, o insucesso do primeiro movimento não constituía derrota definitiva. A maioria assustou-se com as violências e represálias do governo; prisão de companheiros, perseguição de alunos da Escola Militar e outros desatinos. Sucediam-se as defecções, por isso mesmo, como afirma Prestes, o pequeno grupo se tornava "mais homogêneo e eficiente".

Os Acontecimentos de 22-24 e a Coluna

Os acontecimentos que seguiram ao fim da primeira grande guerra mundial em conseqüência da modificação na correlação de forças mundiais tiveram profunda repercussão na vida do país. A crise econômica, o crescimento do proletariado nacional de 1914 a 18, o reflexo da ascensão do movimento revolucionário em todo o mundo após a revolução socialista de outubro, determinaram grandes movimentos como as greves que se alastraram por todo o país entre os anos de 1917-1918.

É também nessa época que se organiza o Partido Comunista.

O ambiente de descontentamento reinante em todo o país atinge particularmente a classe média e daí partem os movimentos de 22 e 24, uma vez que a classe operária ainda não estava com o seu partido de vanguarda em condições de dirigir os acontecimentos. Esta situação tem repercussão entre a maioria dos oficiais do exército — constituída de elementos da classe média — que sentiam as dificuldades do momento, explicando assim a origem do movimento que mais tarde viria chamar-se de tenentismo.

Acentuou-se então o descontentamento em todo o país, novas lutas se anunciavam. Irrompe em S. Paulo o movimento armado dirigido pelo general Isidoro Dias Lopes. Era o segundo 5 de julho. Prestes, no R. G. do Sul, levanta o Batalhão Ferroviário e inicia a marcha da Coluna para encontrar-se com as tropas de Isidoro que se retirara de S. Paulo.

A marcha da Coluna Invicta pelo interior do país durante dois anos foi a maior marcha que se regista na história militar do continente. A respeito explica Prestes:

"Soubemos escolher a linha estratégica que nos permitiu alcançar os objetivos políticos que tínhamos em mira — manter aceso o foco revolucionário, atrair sobre nós as forças legais de maneira que os companheiros das cidades do litoral pudessem mais facilmente levantar-se contra o governo".

Quem apreciar as verdadeiras causas econômicas e sociais dos movimentos militares de 1922 e 1924 pode verificar a falta de orientação política ou ideológica dos seus dirigentes. Declara Prestes:

"Nossa ignorância de tais questões era então completa e politicamente éramos de uma ingenuidade que só posso chamar de infantil. Arrastados pelas forces que não compreendíamos tudo sacrificávamos, a carreira, o sossego, o bem estar de nossas famílias o nosso futuro pessoal, supondo assim lavar a honra do Exército que nos combatia e com a crença ingênua de que substituindo Bernardes por Nilo Peçanha ou por Hermes da Fonseca, todos os males nacionais que apenas começávamos a vislumbrar encontrariam remédio. Mas tudo na vida tem o seu lado positivo e este lado sempre o encontramos quando estamos agindo com sinceridade e temos a energia suficiente para reconhecer erros e investigar suas causas. A marcha da Coluna nos revelou o Brasil. Nascidos e educados no litoral civilizado e europeu, sistematicamente enganados por um falso patriotismo que receia a verdade, que se orgulha de riquezas inaproveitadas nas entranhas da terra e de onde não as podemos ainda arrancar, para deixar de ensinar que o verdadeiro patriotismo é o amor do nosso povo, à grande massa que produz e que geme sob a brutal exploração de uma minoria monopolizadora da terra e dos meios da produção, aquele contacto com as camadas mais atrasadas e sofredoras de nossa gente foi uma espécie de banho lustral que se nos purificava simultaneamente nos obrigava, em consciência, e dali por diante a não depor jamais as armas enquanto medidas radicais não transformassem por completo o quadro doloroso e revoltante que dia a dia, na proporção em que penetrávamos o sertão, se desdobrava ante os nossos olhos horrorizados."

Foi esse encontro direto e brutal com a realidade que conduz Prestes a uma análise mais atenta dos problemas, a um exame mais amadurecido das lutas nas quais participava e dos objetivos a alcançar. E é ainda Prestes que nos diz:

"Foi no contacto com essa realidade que fomos compreendendo pouco a pouco o que havia de ridículo e frágil nos nossos objetivos políticos. Seria uma estupidez prolongar por mais tempo a nossa marcha que tantos sacrifícios exigia quando já havíamos compreendido que a simples mudança de homens no poder nada resolveria. Havíamos visto o problema mas não estávamos em condições de resolvê-lo. Era necessário estudar, investigar sinceramente as causas de tanta miséria, a fim de podermos chegar a uma solução que satisfizesse à nossa razão".

Foi o encontro com a situação de miséria e opressão das massas camponesas — a esmagadora maioria da população do Brasil — que o levou a estudar mais profundamente os problemas, obrigando-lhe a caminho, finalmente, ao marxismo-leninismo. É exilado na Bolívia, após o internamento da Coluna, que Prestes ouve falar pela primeira vez em Marx. Em Buenos Ayres, torna-se assinante da revista teórica da Internacional Comunista. Lê "O Estado e a Revolução", de Lenin, que lhe mostra com clareza o caráter de classe do Estado. Tentando ainda achar uma solução reformista para os problemas nacionais, Prestes aprofunda a sua análise e verifica que não será essa a saída. Em Santa Fé, onde trabalha nas obras de um calçamento de asfalto, desenvolve os seus estudos e firma os seus primeiros passos no caminho da Revolução. Não podemos deixar de reproduzir aqui o depoimento de Prestes a respeito de sua adesão ao comunismo:

"Não posso contar o que foram aqueles anos de exílio, mas é fácil de imaginar o que foram aquelas lutas tremendas que tive que travar comigo mesmo à medida que me convencia do que havia de falso e ilusório no mundo dos preconceitos que haviam sido metodicamente arrumados em minha cabeça. Foi essa especulação teórica em busca da solução de um problema prático que me levou ao marxismo. Não nasci marxista, muito pelo contrário, não foi sem vencer as maiores resistências do meu próprio eu — este mundo de sentimento que se forma pela acumulação sobre a base de nossas tendências orgânicas inatas, de tudo aquilo que nos ensinam desde o berço, na família, na escola, no meio que crescemos — que consegui assimilá-lo. Mas a cultura científica que recebera me levava irrevogavelmente a tudo vencer até encontrar a solução que satisfizesse à minha razão."

Prestes e o Movimento de 30

Aproxima-se a campanha da sucessão presidencial em 1928 e os políticos entram em atividade. Nasce a Aliança Liberal que lança a candidatura de Getúlio Vargas.

A crise mundial do capitalismo em 1929 atinge em cheio a economia nacional, economia deformada pelo imperialismo, e cujo produto básico é o café, economia de sobremesa, monocultura. A crise de estrutura agrava-se com a crise geral. Aumentam em todo o mundo e no Brasil as contradições entre o imperialismo inglês e o imperialismo norte-americano. Os políticos aproveitam o descontentamento popular e o canalizam para a luta de 30. Getúlio e a Aliança Liberal são financiados pelos banqueiros ianques. O movimento em virtude da situação existente, assume características populares. E é claro que mais uma vez foi o povo traído pelos políticos que prometeram tanto para trair ainda mais cinicamente e tal como havia previsto Prestes. O Partido Comunista desmascarou o caráter reacionário da Aliança e a posição antidemocrática e anti-popular do Governo de Washington Luiz. A agitação dos politiqueiros contrários a W. Luiz, que se agrupavam em torno de Getúlio com o apoio de antigos participantes dos movimentos de 22 e 24, os que passaram daí em diante a serem chamados "os tenentes", visava unicamente um golpe para a derrubada do governo. Prestes solicitado para participar do golpe, convidado a assumir o posto de comando militar do movimento, recusou-se e denunciou o golpe à Nação como obra do imperialismo ianque. Em manifestos lançados ao povo brasileiro indicava o caminho da Revolução Brasileira, contra o latifúndio e o imperialismo e pela emancipação econômica do país. Foi justa a posição de Prestes, pois se tivesse participado do movimento, sem ter atrás de si um forte Partido Comunista de massas, seu nome teria sido usado como bandeira do golpismo e restar-lhe-iam duas alternativas: ser esmagado se quisesse impor sua orientação anti-imperialista ou trair a revolução, seguindo o caminho dos "tenentes" que participaram do movimento de 30.

Com essa atitude Prestes aumentou o seu prestígio em contraste com a desmoralização crescente dos participantes do golpe de 30. As previsões acercados objetivos do golpe e de suas conseqüências foram confirmadas pelos fatos. E isso demonstrou a justeza de princípios em que já nesta etapa vinha atuando Prestes a par de seu grande caráter, de sua fidelidade incorruptível ao povo, de sua crescente atividade revolucionária.

Nos encontros com os políticos que dirigiam o movimento, Prestes conheceu de perto o que eles são na verdade, esses velhos políticos da classe dominante:

"...pude então, eu que nunca tivera contacto com tal gente, compreender o que havia de demagógico, de egoisticamente interesseiro nos menores gestos de tão ilustres senhores. No fim de algum tempo, já me causavam asco, horror e indignação, eles pensavam poder fazer de mim o cavaleiro das esperanças deles mas já não estava longe a hora em que sentiriam desfeitas todas as ilusões".
Membro do Partido Comunista

Enquanto experimentava tamanha decepção e asco diante desses politiqueiros. Prestes tomava contacto com o Partido Comunista. Robustecia e aumentava sua fé nas massas. Em 1931 Prestes segue para a URSS onde vai assistir à gigantesca construção do socialismo e ali toma parte de importantes trabalhos como engenheiro. Encontra na URSS o mundo do futuro onde se está realizando uma milenar aspiração da humanidade em sua luta contra a miséria e a opressão. Viu o heroísmo dos trabalhadores ao enfrentar todas as dificuldades para a execução do primeiro plano qüinqüenal do qual surgiu a base poderosa em que a URSS pôde resistir ao cerco capitalista e mais tarde esmagar as tropas invasoras de Hitler.

Na URSS, os trotskistas então infiltrados no movimento operário tentam envolver Prestes. Procuram dificultar sua vida, mostram-lhe as dificuldades como se elas fossem intransponíveis na luta pela construção do socialismo. Prestes observa tudo isso e ao contrário do que pretendiam os provocadores trotskistas, reforça ainda mais a sua convicção na vitória do socialismo. Compreende a grandeza da luta dos povos soviéticos e sabe que todas as dificuldades serão superadas pelo trabalho constante e orientado pelo Partido Bolchevique. A 1.° de agosto de 1934 entra para o Partido Comunista. A sua entrada no Partido foi uma conseqüência lógica de sua atividade de combatente devotado ao serviço da Pátria, vendo quais os caminhos verdadeiros da luta pela liberdade e o progresso, compreendendo o papel histórico da classe operária no mundo e aqui no Brasil como classe dirigente da Revolução Brasileira, contra o latifúndio e o imperialismo. O patriota que compreendia já que o patriotismo significava servir ao povo, lutar pela independência nacional, por uma Pátria livre e progressista, não poderia deixar de escolher o caminho que o levou ao partido, o caminho de todos aqueles que desejam sinceramente uma vida melhor para o povo.

A ANL — Pão, Terra e Liberdade

Refletindo a situação mundial em que o fascismo começava a sua rápida ascensão, o nosso país, em 1934 atravessava um período de sombrias apreensões. Em vez de medidas concretas em defesa do povo, contra a cobiça imperialista, pela consolidação do regime republicano baseado na Constituição recém-promulgada, o governo dava largos passos para a ditadura, para a fascistização do poder. Para isso contava com a submissão do Parlamento que fornecia ao Governo as armas que este exigia para anular as liberdades constitucionais e abrir caminho para o fascismo. Com as leis de exceção, de fato, concedidas pelo Congresso de traição, o governo pôde preparar o golpe que desfechou em 1937 contra a Nação.

Para enfrentar o avanço da reação e defender a democracia do golpe fascista, surgiu a Aliança Nacional Libertadora, ampla frente popular que colocava já na ordem do dia a solução imediata dos problemas fundamentais da revolução democrático-burguesa, lançava a palavra de ordem de "Pão, Terra e liberdade”, organizando a luta contra o integralismo, contra o latifúndio e a opressão imperialista. Prestes aceita a indicação do seu nome para presidente de honra da ANL. Pouco depois viria fazer parte da direção do movimento operário mundial pois passou a pertencer à comissão executiva da Internacional Comunista, para a qual foi eleito por ocasião do seu VII Congresso realizado em 35.

Prestes envia o seu primeiro manifesto contra a guerra e o fascismo, pela reforma agrária e a libertação do Brasil da escravidão imperialista. O Cavaleiro da Esperança volta ao Brasil para permanecer à frente da grande luta cujo objetivo imediato era barrar o avanço do fascismo. Trazendo a experiência das lutas de 22 e 27, o profundo conhecimento dos problemas nacionais, armado com a ideologia da classe operária, o marxismo criador, instrumento de progresso e de liberdade de todos os povos, Prestes indicava as causas da miséria e do atraso de nosso país e advertia contra o perigo da guerra que vinha sendo preparada pelo fascismo com a cumplicidade dos trustes e monopólios da Inglaterra e dos Estados Unidos.

O Brasil não se havia refeito da crise de 29. Em virtude de sua economia subordinada ao imperialismo, entrava em nova depressão. Em 34 e 35 irrompem greves em S. Paulo, no Rio e outros estados do Brasil que marcam uma nova ascensão do movimento operário no pais. O Partido Comunista, embora pequeno, exerce influência decisiva nesses movimentos grevistas, abrindo condições para a organização da frente de luta contra o integralismo pela mobilização de massas em apoio à Aliança Nacional Libertadora.

Ante as violências do governo e em face da marcha acelerada do fascismo em nossa Pátria, os patriotas e democratas brasileiros levantam a bandeira da luta armada contra a reação e a quinta coluna.

Com a derrota de 35, Prestes é alvo do imperialismo, preso pela polícia de Felinto com a colaboração da Gestapo e da Inteligence Service. Falando acerca do movimento aliancista, Prestes em seu discurso do Recife, em 26 de novembro de 1945, diz o seguinte:

"O movimento de 1935 foi por dez anos difamado, caluniado nos seus verdadeiros objetivos. Em 1935 o mundo marchava para o fascismo. Hitler assumia o poder na Alemanha e no mundo inteiro o fascismo subia e aqui, em nossa terra, um governo reacionário de mãos dadas com os bandidos integralistas tudo fazia para levar o Brasil ao fascismo, entregar o nosso povo ao chicote da Gestapo. Naquela época, ser patriota era ser democrata e ser democrata era saber lutar contra a fascistização de nossa terra. Se a todos nós nos roubavam as mais elementares armas da democracia era dever nosso, de patriotas, de democratas, empunhar as verdadeiras armas e, de armas na mão, continuar lutando contra a fastização do Brasil.

Foi o que fizeram os comunistas desde o início de 1935. Os comunistas estendiam a mão a todos os patriotas e democratas e organizaram a Aliança Nacional Libertadora. Organizaram-na com que objetivos? Com o objetivo de impedir a fascistização de nossa terra. A Aliança Nacional Libertadora era antifascista e com três meses de vida, arbitrariamente, contra o espírito e contra a letra da Constituição, era fechado o movimento aliancista. O povo, no entanto, continuou a afluir às fileiras da Aliança, e, se o fascismo marchava em ascendência no mundo inteiro, se os bandos integralistas atacavam em todas as cidades ao povo que lutava pela democracia, a Aliança Nacional Libertadora à frente do povo e com o Partido Comunista fez uso contra a violência dos dominadores, da violência como única arma de que podiam dispor os verdadeiros patriotas."

Sobre se foi justo ou não o movimento de 35, é ainda Prestes que nos ensina:

"Em 1935 para lutar contra a fascistização de nossa terra, tivemos que empunhar armas. Fomos derrotados, sem dúvida. A derrota nas lutas políticas, como nas guerras, traduzem sempre graves erros. Se fomos derrotados é porque erramos. Esses erros estão sendo estudados pelo Partido Comunista e constituem rica experiência que o Partido saberá entregar a todo o nosso povo. Mas o erro não foi o de empunharmos armas. O erro estava, principalmente, em não estarmos à altura dos acontecimentos, em não termos conseguido ampliar a frente, a União Nacional, em não termos conseguido desmascarar, por completo, a propaganda fascista. Quanto a empunhar armas, não foi erro porque aquele era o dever de todos os patriotas e de todos os democratas."

Prestes assinala ainda que essa derrota foi passageira porque se transformou anos depois na vitória dos nossos soldados nos campos da Itália, que continuaram a luta iniciada em 35.

Prestes Diante da Reação

Marcel Willard, em seu livro "A Defesa Acusa" no qual nos fala da posição dos grandes revolucionários diante dos tribunais da reação assim fala sobre Prestes:

"Inspiremos-nos no seu exemplo. Todo militante deve conhecê-lo, falar sempre dele, estar pronto a segui-lo.

Como Dimitrov, Prestes enfrenta os seus carrascos para acusá-los, confundi-los e fazer de sua defesa uma arma a serviço do povo, uma arma para esclarecimento político, utilizando os poucos momentos que os carrascos lhe deram para "adotar uma linha ofensiva", para desmascarar o inimigo e "fazer penetrar dentro das massas as palavras de ordem de seu Partido".

Mesmo diante das situações mais difíceis Prestes mantém a convicção da vitória final da luta do seu povo contra os exploradores. Ao ser condenado em 1940 a mais algumas dezenas de anos de prisão, Prestes escrevia à sua companheira Olga: "Ontem fui condenado a mais algumas dezenas de anos de prisão. Como vês, prisão perpétua." E ironizando a estupidez dos senhores da reação acrescentava; "...como se houvesse algo de perpétuo neste mundo!"

Quando foi condenado a 30 anos de prisão diante do tribunal, congratula-se pela passagem de mais um aniversário da Revolução Socialista que se registrava no dia em que foi levado a ouvir a sentença. Os longos anos de incomunicabilidade, de torturas morais e físicas, a deportação de sua companheira entregue às garras da Gestapo não lhe abateram o espírito revolucionário. Ao contrário. Compreendia que isso faz parte da luta de classe, a luta da classe operária e de todos os democratas contra os que acreditam em deter a marcha da história. Discípulo de Lenin, fiel à linhagem dos grandes vultos de nossa história, seguindo a tradição de um Tiradentes ou de um Sabino Vieira, Prestes durante os longos anos de cárcere demonstrou, na prática, que não tem apenas um "temperamento de revolucionário", demonstrou que não só domina a arma da teoria revolucionária como possui um caráter sólido, com uma "inflexibilidade de bolchevique", sabendo o que vai fazer e com a coragem de o fazer, pronto sempre a fazer, a todo transe, o que pode verdadeiramente servir à classe operária, capaz de subordinar toda a sua vida aos interesses do proletariado, tal como ensina Dimitrov.

Prestes, o Homem do Partido

Como homem e construtor do Partido, Prestes assumiu nestes dois anos o comando da vanguarda do proletariado e do povo, com o devotamento, a flexibilidade e a firmeza de um autêntico quadro bolchevique. Sem presunção nem vaidade, Prestes sabe como escolher e dirigir os homens, exercer, como ninguém, a democracia interna dentro do Partido, organizar os quadros e orientá-los para um trabalho coletivo, como fazer uma crítica e uma autocrítica no interesse de fortalecer cada vez mais o Partido, ajudando os quadros, dando-lhes confiança em si mesmos e confiança na luta em que estão empenhados. É um inimigo da improvisação e da superficialidade como também da passividade e do sectarismo. Com paciência infinita ouve centenas e centenas de pessoas de todas as classes que o procuram e lhe fazem perguntas. Suas sabatinas e audiências com os trabalhadores foram a introdução de um novo método de propaganda política, contra o atraso em que nos debatemos e teve excepcional alcance para a educação das massas, para a divulgação da palavra de ordem do Partido, para que, enfim, a democracia pudesse dar novos passos adiante, com o incentivo da organização popular.

A par de sua importante e crescente tarefa em que se empenha tão a fundo na organização e construção do Partido, um grande partido de massa, Prestes soube, teoricamente, à base dos fatos objetivos, colocar, de maneira clara e justa, os problemas fundamentais da revolução democrático-burguesa com que arma o Partido para uma luta firme, mais conseqüente e mais ligada às massas. Mostrou amplamente que o progresso e a democracia em nossa terra dependem, fundamentalmente, da abolição do monopólio da terra e da liquidação do controle da nossa economia pelo imperialismo. Acentuou que a reforma agrária está intimamente ligada à luta contra o imperialismo e vinculado a todos os problemas da revolução democrático burguesa, dentro das condições atuais do mundo. E assim na atividade ideológica e na atividade prática, Prestes afirma-se cada vez mais como um poderoso comandante, um homem do Partido que se projeta no país e no mundo com a grandeza de um dos maiores líderes do movimento operário, como um patriota a serviço das lutas pela independência nacional, lutador anti-imperialista cujo nome é uma bandeira de paz e de libertação para todos os povos coloniais e semi-coloniais, e principalmente para os povos da América Latina que lutam por sua independência.

Sua paixão pelo trabalho, sua coragem de dizer a verdade nas ocasiões mais difíceis e perigosas como, por exemplo, contra o golpe de 29 de outubro e na sabatina com os serventuários de justiça em que desmascarou as provocações guerreiras, demonstram que mais do que nunca é um comandante à altura dos atuais acontecimentos. Seu otimismo a respeito da atual situação mundial e nacional não o impediu de ver o perigo de longe e de advertir o povo contra ele e de saber e indicar a maneira pela qual se deve orientar o povo na luta dentro das condições novas que se apresentam. Nunca teve ilusões quanto ao caráter reacionário do governo Dutra. Foi o primeiro a mostrar com justeza que Dutra enveredava pelo caminho da ditadura e o primeiro a lançar a palavra de ordem de Resistência, a palavra de ordem de seu Partido, contra Dutra.

Prestes, "esse operário da causa operária", nos indica, pelo exemplo do seu trabalho, pelo domínio da teoria marxista-leninista-stalinista aplicada à realidade brasileira, pela fidelidade à causa do povo, a unidade na luta pela democracia, a resistência contra a agressividade da reação e do imperialismo.

Em dois anos de Parlamento, Prestes deu também o maior exemplo de como deve proceder um verdadeiro representante do povo. Exemplar foi a sua vigilância a tudo que se fazia na Constituinte e no Senado, a seriedade com que estudou e ventilou todos os assuntos ali discutidos, utilizando a tribuna parlamentar para educar as massas e desmascarar os inimigos do povo, os provocadores de guerra e os vendidos ao imperialismo. Sempre ligou o seu trabalho parlamentar com o extra-parlamentar que serve de ensinamento e experiência à luta da classe operária em nosso país e no mundo. Seus combates parlamentares por uma Constituição democrática, pela solução dos problemas fundamentais de nossa economia como o da reforma agrária, contra a guerra e o imperialismo assinalam um período culminante na história do nosso parlamento em que predomina a maioria absoluta dos representantes das classes dominantes dos latifundiários e agentes do imperialismo.

Prestes Aponta o Caminho da Resistência

Ao comemorarmos o cinqüentenário de Prestes, encontramo-lo à frente do seu Partido, comandando a grande luta dos trabalhadores brasileiros pelo progresso e pela independência da pátria.

Em todo o mundo travam-se grandes batalhas entre as forças da democracia e da paz e as forças da reação comandadas, pelo imperialismo norte-americano. Acentua-se cada vez mais a divisão do mundo em dois blocos, o bloco das forças democráticas e progressistas e o bloco antidemocrático, dos imperialistas e restos do fascismo. No Brasil as forças da reação, a classe dominante dos latifundiários, de mãos dadas com o imperialismo americano, desesperadas ante o crescimento das forças democráticas, golpeiam as liberdades e passam à violência contra o povo. A legalidade já não existe e Dutra rasgando a Constituição implanta no país uma ditadura que tem, por objetivo, esmagar a resistência popular para entregar a nação aos banqueiros do Wall Street. O golpe contra os parlamentares comunistas foi sem dúvida, um grande passo dado nesse caminho. As ordens de Washington foram cumpridas. Em verdade já não temos um governo brasileiro e sim um governo americano.

E Prestes, guia do Partido e das grandes massas, adverte a todos que essas medidas da reação foram possíveis porque a debilidade do movimento de massas não nos permitiu liquidar as bases econômicas da reação que são a grande propriedade latifundiária e o predomínio do capital estrangeiro em nossa economia.

Diante dessa situação, em que Dutra e sua camarilha nos roubam as armas democráticas, como resolver os problemas da revolução democrático-burguesa? É ainda o camarada Prestes que vê claro os acontecimentos e convoca as massas para a resistência à ditadura. Sabemos ser impossível hoje resolver esses problemas através de um parlamento de traição em que predomina uma maioria à serviço dos latifundiários e do imperialismo americano, um parlamento que nessas condições nada faz pelo povo e que, ao contrário, procura aumentar os lucros do pequeno grupo de exploradores do povo à custa de sacrifícios ainda maiores das massas trabalhadoras das cidades e do campo.

O Partido aponta às massas o caminho da luta contra a fome e a miséria, o caminho da organização para resolver, com os meios de que dispuser, as suas reivindicações mais sentidas. Será esta luta constante, diária, em cada setor, que possibilitará a formação de uma ampla frente única capaz de derrotar o governo de traição que ora nos oprime e nos esfomeia. Este o caminho para resolver os problemas da Revolução Brasileira na situação atual.

Esta a imensa batalha política dos nossos dias. À sua frente, com a firmeza e a flexibilidade já reveladas até aqui, estará o grande partido da classe operária, o Partido Comunista do Brasil, o partido do progresso e da grandeza nacional. E seu dirigente é Luiz Carlos Prestes.

Armenio Guedes

Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 6 - Janeiro de 1948.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Aleppo: Valas comuns provam que não existem “moderados"

“As valas comuns descobertas em Aleppo, com sírios que foram submetidos à torturas monstruosas, são mais uma prova incontestável de que não há diferença alguma entre a assim chamada oposição e os terroristas do Daesh. Mais cedo ou mais tarde, o Ocidente terá de reconhecer isso”, disse o senador russo.

Segundo ele, o radicalismo islâmico chegou ao seu extremo. “Nunca vi nada igual, mesmo durante a guerra do Afeganistão, apesar dos mujahedins não serem conhecidos por cuidado com seus oponentes. Mas com eles era possível manter algum diálogo, chegar ao acordo”, disse o político.

“Em muitos casos, faltam partes de corpos; a maioria das vítimas receberam tiros na cabeça. E parece que isto é apenas o início”, comunicou o major-general.

Konashenkov ressaltou que todos os fatos estão devidamente documentados.

Segundo ele, as evidências estão sendo minuciosamente registradas como graves crimes de guerra para terem máxima divulgação junto da opinião pública, “para que os apoiantes europeus da chamada oposição moderada estejam cientes quem são realmente os seus protegidos”.

Konashenkov acrescentou que os militantes da “oposição moderada” minaram quase tudo em Aleppo oriental, inclusive brinquedos, ruas, entradas em prédios, veículos e motocicletas. “Literalmente tudo, para o que houve tempo e explosivos suficientes, foi minado: as ruas, entradas em prédios, veículos, motocicletas tombadas nas estradas e até brinquedos de crianças”, frisou.

Citado pela agência, o chefe do departamento de médicos legistas em Aleppo, Zaher Hajjo, afirmou que “cinco crianças e cinco mulheres” figuram entre as vítimas.


As vítimas foram encontradas “nas prisões que eram controladas pelos grupos terroristas nos bairros de Soukkari e Al-Kallassé e foram executadas com tiros à queima-roupa”, acrescentou o mesmo responsável.

As valas comuns de vítimas das torturas em Aleppo confirmam não haver diferença entre a assim chamada oposição e os terroristas do Daesh, declarou aos jornalistas nesta segunda-feira o vice-presidente do comitê de defesa e segurança do Senado russo, Frans Kintsevich.

Em 22 de dezembro as forças do governo sírio assumiram pleno controle de Aleppo após a saída da cidade da última coluna de militantes. A Síria vive desde março de 2011 um conflito armado em que as tropas governamentais enfrentam grupos armados da oposição e de organizações terroristas como o Daesh e a Frente al-Nusra (ambas proibidas na Rússia).


Sputnik News

1959: Ano de fundação de uma epopeia cultural

“O que é a arte, senão o modo mais curto de chegar ao
triunfo da verdade, e de colocá-la por sua vez, de maneira
que perdure e brilhe nas mentes e nos corações"?
José Martí

O triunfo da Revolução marcou uma nova etapa para a cultura cubana, na qual o calendário da Ilha comemora seu Dia especial relembrando, em 20 de outubro de 1868, aquela data histórica na qual se misturou consciência patriótica e arte.

Carlos Manuel de Céspedes, depois Pai da Pátria, com sua inicial ação de luta, em Yara, contra o regime colonial espanhol, tomou então a cidade de Bayamo, depois de atear-lhe fogo antes de a entregar, e Perucho Figueredo revelaria ali a letra de La Bayamesa, que resultaria o Hino Nacional, verdadeira aliança do espírito independentista e a música.
Fidel Castro conversa com integrantes do Ballet Nacional de Cuba

Esse prólogo magnífico de uma guerra de independência prolongada quase um século, permite então entender porque nos mais difíceis momentos do chamado ‘período especial’, nos anos 90, Fidel manifestasse que o primeiro que era preciso salvar era a cultura.

Todo começou com a Revolução. A epopeia cultural desenvolvida em mais de cinquenta anos tem cultivado o espírito dos cubanos e a cultura é um direito conquistado.

No próprio ano 1959 nasciam algumas das múltiplas instituições artísticas e culturais fundadas já no país. Pareceria não ter motivo para surpreender-se quando se fala que, em março, foi criado o Instituto Cubano da Arte e a Indústria Cinematográfica (Icaic) e o hoje Instituto Cubano do Livro (nascido como Imprensa Nacional), e em abril, a Casa das Américas, instituições ícones da cultura do país.

E, contudo… a surpresa está indissoluvelmente relacionada a essas ações iniciais. Tanto por fazer! e a cultura esteve na gênese.

O Engenhoso Hidalgo

Apenas três meses depois da vitória, foi fundada a Imprensa Nacional e no ano seguinte, por iniciativa de Fidel, ou por sugestão de Alejo Carpentier (fala-se em ambos como iniciadores, e em verdade são), foi editado uma edição já lendária de cem mil livros do clássico por excelência da literatura espanhola, O Engenhoso Hidalgo Dom Quixote da Mancha, de Miguel de Cervantes.

Seria a Imprensa Nacional a responsável por editar, em 1961, as cartilhas e os manuais da Campanha Nacional de Alfabetização, quando quase um milhão de cubanos aprendeu a ler e escrever. Está sendo comemorado, então, o 55º aniversário daquela primeira conquista da Revolução, um fato cultural transcendente.

O livro resultou ser primordial para o cubano, sempre qualificado de ávido leitor, como demonstra, cada ano, a Feria Internacional que em Havana lota grandemente a antiga fortaleza colonial San Carlos de la Cabaña.

Vinte e quatro Imagens por segundo

Março foi um mês de sorte. «Sob a certeza de que se queremos cinema nossa melhor definição é reafirmá-lo oficialmente», nasceu por decreto o Instituto cubano da Arte e a Indústria Cinematográficas (Icaic).

Uma mostra de como o cinema já faz parte consubstancial da espiritualidade do cubano; baste dizer Festival Internacional de Novo Cinema Latino-americano, onde qualquer diretor da região ou de outras partes do mundo, pois os filmes não conhecem fronteiras, fica sempre surpreso e cativado pelo inúmero, cálido e conhecedor público que frequenta as salas de cinema.

Caminhando no tempo, faz agora 30 anos, foi criada a Escola Internacional de Cinema e Televisão (Eictv), de San Antonio de los Baños, à distância de 30 quilômetros de Havana, como diria Alfredo Guevara, «sob a sombra de Fidel», por Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura 1982, o cineasta argentino Fernando Birri e o cubano Julio García Espinosa.

Alicia e Casa (SUBT)

A Casa das Américas foi fundada, em abril, pela heroína cubana Haydée Santamaría, como espaço de encontro e diálogo para os intelectuais e criadores latino-americanos e caribenhos e seu Prêmio Literário é hoje um dos mais prestigiados do continente.

O balé, uma arte que se considera associada às minorias, em Cuba é totalmente de massas. A diretora do Ballet Nacional de Cuba, a distinta ballerina Alicia Alonso, disse em múltiplas ocasiões que sempre teve uma colaboração imediata de Fidel, que o percebia como arte elevada, que o povo merecia conhecer e desfrutar.

No mês de maio de 1961, dias antes da vitória de Playa Girón, o próprio Fidel criou a Escola Nacional de Instrutores de Arte, com a ideia de que ministrassem seus conhecimentos aos povoadores do campo e da cidade e os qualificou de singulares promotores da cultura. Depois, chegaria a Escola Nacional da Arte e o Instituto Superior.

Palavras aos intelectuais

Em junho... Os dias 16, 23 e 30 de 1961, os intelectuais cubanos reuniram-se na Biblioteca Nacional com o líder cubano e seu discurso final, que ficou para a história como Palavras aos intelectuais tem permanecido como eixo de todas as ações desenvolvidas no campo da cultura, nelas ficou traçada a política cultural da Revolução.

O diretor da Biblioteca Nacional de Cuba José Martí, o professor Eduardo Eduardo Torres Cuevas, ao relembrar, em junho deste ano, o 55º aniversário daquele encontro afirmou:

«Era um discurso nascido da originalidade cubana, da tradição revolucionária e cultural cubana, de suas raízes mais profundas, da cultura dos homens de 1868, 1895 e 1933, e todo isso, como força criadora para aqueles que fazem a cultura nascente de uma nova sociedade construída desde a tradicional cultural da resistência ao colonialismo, ao neocolonialismo, à intervenção e ao imperialismo».

Em outro contexto, mas em semelhante comemoração, o poeta Miguel Barnet, atual presidente da União dos Escritores e Artistas de Cuba (Uneac) — criada pela força de «Palavras aos Intelectuais» menos de dois meses depois — significaria: «ao longo da história tem se querido descontextualizar o famoso pronunciamento do Comandante: ‘Dentro da Revolução tudo, contra a Revolução nada’, mas essas palavras de unidade, coerência, foram a plataforma inicial do que é hoje nossa política cultural: aberta, flexível, com liberdade de tendências».

Quando, em 2010, o 7º Congresso da Uneac outorgou por aprovação, para o líder histórico da Revolução, a condição de Membro de Mérito da Uneac, foi feito não somente por sua trajetória como jornalista, escritor e orador de excelência, mas também como o principal impulsor das instituições culturais do país.

O general-de-exército Raúl Castro Ruz, primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, no ato político em homenagem póstuma ao Comandante-em-chefe da Revolução Cubana, Fidel Casto Ruz, em 3 de dezembro passado anunciou: «Fiel à ética martiana de que ‘toda a glória do mundo cabe em um grão de milho’, o líder da Revolução recusava qualquer manifestação de culto à personalidade e foi consequente com essa atitude até as últimas horas de vida, insistindo em que, depois de falecido, seu nome e sua figura nunca fossem utilizadas para denominar instituições, praças, parques, avenidas, ruas ou outros sites públicos, nem erguer em sua memória monumentos, bustos, estátuas e outras formas semelhantes de tributo».

Não haverá mármores, mas será cantado e lembrado. No poema «Para Fidel Castro» (Canção de gesta/1960), Pablo Neruda escreve: «Fidel, Fidel, os povos te agradecem/palavras em ação e fatos que cantam».

Ainda mais, foi dito por outro poeta, o argentino Juan Gelman, Fidel é «Como um fogo ateado contra a noite escura».

Mireya Castañeda

Fonte: Granma
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